O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, publicada em 19 de maio, que apontou queda do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto.
O levantamento foi divulgado após a repercussão de conversas atribuídas ao senador e a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, relacionadas a um pedido de financiamento para o filme Dark Horse.
A decisão liminar foi proferida pelo ministro Nunes Marques, relator do caso. Ao analisar representação apresentada pelo Partido Liberal (PL), ele considerou que há indícios de possível indução dos entrevistados.
O PL pediu a suspensão da pesquisa sob o argumento de que o questionário foi elaborado de forma a induzir respostas que prejudicariam Flávio Bolsonaro (PL-RJ), extrapolando o papel de aferição da opinião pública.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 8, pela jornalista Manoela Alcântara, do portal Metrópoles.
“Contaminação das respostas”
Em análise preliminar, Nunes Marques considerou que há elementos que indicam possível indução e contaminação das respostas, entre eles a divulgação de áudio relacionado à investigação.
O ministro destacou ainda que a concessão da liminar parcial — para suspender a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa — não representa prejuízo caso a regularidade metodológica do levantamento seja posteriormente comprovada.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionário de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou o ministro na decisão.
Para o magistrado, é possível que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, acrescentou.
Na decisão, Kassio Nunes Marques observou que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa examinada, nem utilizaram a veiculação de áudio.
O ministro determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da metodologia empregada, especialmente em relação ao uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também terá prazo de um dia para se manifestar. A decisão ainda será submetida a referendo.
Pesquisa
Na sondagem da AtlasIntel realizada em abril, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno, com leve vantagem para o senador. Flávio registrava 47,8% das intenções de voto, enquanto Lula somava 47,5%.
Já na pesquisa divulgada em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 41,8%. Houve, portanto, uma queda de seis pontos percentuais para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entre um levantamento e outro.
Ao TSE, o Partido Liberal alegou a divulgação de pesquisa fraudulenta, questionou a metodologia adotada e afirmou que “o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”.
O partido também argumentou que a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e as associações feitas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro “contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados”.
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Fonte: Metrópoles

















































