Por Josenito Oliveira*
A inflação em Aracaju voltou a apresentar alta acima da média nacional no mês de abril, reforçando a pressão sobre o orçamento das famílias sergipanas, especialmente nos gastos com alimentação, combustíveis e medicamentos. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o IPCA da capital sergipana ficou em 0,84%, acima da média brasileira de 0,67%. Embora o índice tenha desacelerado em relação a março, quando registrou 0,92%, o cenário ainda preocupa devido ao impacto concentrado em itens essenciais do dia a dia.
O principal responsável pela alta da inflação foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou aumento de 1,54%, exercendo o maior peso sobre o índice geral. Produtos como cenoura e tomate tiveram elevações expressivas, de 14,77% e 12,19%, respectivamente. Fatores climáticos, sazonalidade agrícola, custos logísticos e o transporte de mercadorias vindas de outros estados ajudaram a pressionar os preços dos alimentos frescos.

Josenito Oliveira é professor, economista e colunista do portal SE Notícias, onde escreve semanalmente sobre temas de interesse da sociedade – Foto: arquivo/pessoal
Outro fator importante foi a alta dos combustíveis. O grupo Transportes subiu 0,86%, impulsionado principalmente pelo aumento da gasolina, que avançou 4,46%, e do diesel, com alta de 8,64%. Além das questões internas, o cenário internacional também influenciou esse movimento. As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã aumentaram as incertezas no mercado internacional de petróleo, pressionando os preços dos combustíveis e afetando diretamente países como o Brasil, que sofrem influência das oscilações externas no setor de energia.
O aumento do diesel possui um efeito ainda mais amplo sobre a economia, já que encarece o transporte de mercadorias e acaba elevando custos em diversos setores. O combustível não afeta apenas quem dirige; ele tem um efeito dominó, impacta toda a cadeia produtiva e chega rapidamente ao consumidor final.
O setor de Saúde e cuidados pessoais também contribuiu significativamente para a inflação de abril. O grupo apresentou alta de 1,43%, puxado principalmente pelos produtos farmacêuticos, que subiram 2,2%. O reajuste de medicamentos, aliado ao aumento contínuo dos custos na área de saúde, também pesou no bolso da população.
Os dados mostram ainda que os efeitos da inflação têm sido mais sentidos pelas famílias de menor renda. O INPC de Aracaju, índice que mede a inflação para famílias que recebem até cinco salários mínimos, ficou em 1,01% no mês, acima do próprio IPCA. Isso ocorre porque as famílias mais pobres destinam uma parcela maior da renda justamente para alimentação, transporte e medicamentos.
Apesar da pressão inflacionária, alguns grupos apresentaram queda nos preços, como Vestuário e Artigos de residência. Ainda assim, a redução nesses setores não foi suficiente para compensar os aumentos registrados nos itens considerados essenciais.
Diante desse cenário, recomendamos planejamento financeiro e consumo consciente como formas de reduzir os impactos da inflação. Pesquisar preços, evitar desperdícios, substituir produtos que tiveram altas expressivas e controlar o endividamento são algumas das medidas apontadas para proteger o poder de compra das famílias. A inflação corrói silenciosamente a renda da população, principalmente quando atinge produtos básicos do cotidiano.
*Josenito Oliveira é professor, economista e colunista semanal do portal SE Notícias.
Acompanhe também o SE Notícias no Twitter, Facebook e no Instagram















































