Há quase uma década, o Ginásio do Departamento de Educação Física (DEF) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) torna-se, três vezes por semana, o cenário de uma transformação que vai além do condicionamento físico. O projeto de extensão Mais Viver atende mulheres acima de 60 anos, promovendo o envelhecimento ativo e estreitando os laços entre o conhecimento acadêmico e a comunidade externa.
O programa, que funciona às segundas, quartas e sextas-feiras a partir das 6h da manhã, foca em exercícios de natureza funcional. O coordenador do projeto, professor Marzo Grigoletto, explica que o objetivo central foge dos padrões convencionais das academias. “A ideia do programa é que através de exercício físico a gente consiga melhorar a saúde dessas pessoas”, aponta.

Programa funciona às segundas, quartas e sextas-feiras a partir das 6h da manhã – Foto: Janaína Cavalcante/Ascom UFS
Marzo acrescenta que a natureza dos exercícios não é pensada para a estética, mas para a funcionalidade das alunas. “É adaptado para que na vida diária dela, na hora de varrer a casa, na hora de trocar um garrafão de água, na hora de pegar o neto, ela consiga fazer isso com muito mais critério e com muito mais segurança”.
Impacto na Qualidade de Vida
Para as participantes, os resultados são nítidos e transformam a rotina. Maria de Fátima Silva, de 64 anos, mora no bairro Eduardo Gomes e frequenta o projeto há cinco anos. “A qualidade de vida melhorou, posso dizer assim, 90%. Porque eu era uma pessoa muito sedentária. Antes eu ia pegar um vaso de água, para varrer a casa, e tinha dificuldade. Hoje não, eu faço tranquilamente, não tenho problema”, comemora a aluna.
Essa percepção de bem-estar reflete a alta taxa de fidelidade do programa, que, segundo a coordenação, atinge 98% de aderência. O reitor da UFS, André Maurício Conceição de Souza, destaca a importância dessa transformação não apenas para as alunas, mas para toda a rede de apoio ao redor delas. “É um projeto espetacular porque insere idosas em atividades físicas e ajuda a manter a saúde em dia. Isso aí impacta fortemente, por exemplo, no sistema de saúde, impacta fortemente na vida delas, na vida da família delas”, destaca o reitor.
Formação Acadêmica e Social
Além do benefício social direto, o Mais Viver também fortalece a formação dos acadêmicos, ao integrar teoria e prática no processo de aprendizagem.
O projeto conta com uma equipe de bolsistas e voluntários do curso de Educação Física. Para a instrutora e estudante Williane Feitosa, de 22 anos, a vivência é indispensável. “Para mim é gratificante ver a qualidade de vida dessas idosas e ver como eu também cresci academicamente. Aprendi muito a lidar com o público, entender na prática, os conteúdos que são passados em aulas”, conta.
O monitor João Elvino, aluno do terceiro período, reforça esse sentimento e valoriza a vivência antecipada do mercado de trabalho. “A UFS oferecer projetos como esse é muito importante porque desde o início da formação, os alunos já conseguem entender como vão funcionar no mercado de trabalho. Algumas faculdades não colocam o aluno em ação dentro da própria universidade, esperam eles se formarem para aí sim ter uma experiência por fora”, analisa o estudante.
A gestão municipal também reconhece o impacto da ação. O prefeito de São Cristóvão ressaltou a parceria histórica com a instituição. “Eu vejo com muita alegria, principalmente porque a gente vê aqui que a universidade está cumprindo um papel social de forma muito presente, que é levar o conhecimento acadêmico para além das salas de aula e que interfere diretamente na vida das pessoas”, destaca o prefeito.
Como Participar
O projeto Mais Viver é voltado exclusivamente para mulheres a partir dos 60 anos. Quando as participantes ingressam no programa, é feita uma avaliação de saúde completa com exames sanguíneos, físicos e cognitivos para acompanhamento da evolução clínica.
As inscrições ocorrem presencialmente no início de cada semestre no ginásio do DEF, no campus de São Cristóvão, e são anunciadas nos canais oficiais da UFS e no perfil do Instagram @maisviverufs. O atendimento é gratuito e aberto à comunidade em geral.
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Mais informações: @maisviverufs (Instagram)
Ascom UFS.


















































