Em uma iniciativa que une segurança pública e educação, a Coordenação Geral de Prevenção Social da Violência e da Criminalidade (CGPSVC), vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE), realizou na manhã dessa quarta-feira, 11, uma palestra sobre violência de gênero na Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Tancredo Neves, localizada no bairro Ponto Novo, em Aracaju. A ação integra um conjunto de atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher e busca levar informação qualificada para dentro da comunidade escolar.
O público foi composto por adolescentes e pré-adolescentes da unidade, além de professoras, direção, coordenadores e servidores. Durante a abordagem, foram discutidos temas como misoginia, machismo estrutural e a construção de ambientes tóxicos que afetam a saúde física e psicológica de meninas e mulheres.
De acordo com os organizadores, o momento foi produtivo e interativo, com os jovens participando ativamente por meio de perguntas e relatos de situações vividas no cotidiano.
Contexto estadual e nacional
A ação da SSP ocorre em um momento de atenção para os indicadores de violência no país. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que os processos de feminicídio no Brasil triplicaram nos últimos cinco anos, saltando de 4.210 ocorrências em 2020 para 12.012 em 2025. Somente em janeiro deste ano, foram registrados 947 novos casos, uma alta de 3,49% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em Sergipe, conforme menciona a CGPSVC, uma pesquisa de pós-doutorado da Universidade Federal de Sergipe (UFS), divulgada em fevereiro, traçou o perfil das vítimas no estado. O estudo revelou que 75% das mulheres agredidas estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), indicando vulnerabilidade social. A violência psicológica surge como a mais recorrente (35,40%), seguida pela física (30,40%) e moral (28,87%).
Para a coordenadora geral de Prevenção Social da Violência e da Criminalidade da SSP/SE, Abigail Souza, iniciativas como essa são fundamentais para desconstruir ciclos de violência de gênero perpetrados nos diversos ambientes – da escola aos lares, especialmente no ambiente virtual. “Quando um jovem, criança ou adolescente consegue identificar situações de violência, pode utilizar os canais de denúncia para solicitar ajuda e assim romper o ciclo tóxico socialmente perpetuado”, afirmou.
A importância da prevenção no ambiente escolar
Durante a palestra, os estudantes tiveram acesso a uma cartilha impressa, elaborada em linguagem pedagógica e acessível, que detalha as cinco formas de violência doméstica previstas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006): física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O material busca ensinar os jovens a identificar abusos que vão além da agressão física, como humilhações, ameaças, manipulação emocional e controle de bens e documentos.
A professora Débora Souza, pedagoga que atua há 12 anos na unidade de ensino, avaliou positivamente a iniciativa. “Este tipo de evento representa um esforço da comunidade escolar no sentido de ampliar as discussões sobre um tema tão delicado e sensível, que acaba alcançando todos, direta ou indiretamente. A articulação com outras secretarias, como a de Segurança Pública, fortalece nossa rede de proteção”, concluiu.
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Fonte: SSP SE















































