Com tapete vermelho e clima de show, o Partido dos Trabalhadores oficializou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à reeleição, no Expocenter Norte, na Zona Norte de São Paulo, neste domingo, 2. A convenção partidária, em si, para fins de Justiça Eleitoral, foi concluída antes da programação do megaevento ter início, como anunciou Edinho Silva, presindete nacional do PT, por volta de 10 horas. No centro de convenções, o espaço contou com mega estrutura e foi tomado pela cor vermelha. Aliados discursaram, assim como o próprio presidente Lula, que encerrou o ato em torno de 14 horas.
Antes da chegada de Lula, falaram ao microfone políticos como Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro; Edinho Silva, presidente nacional do PT; Marcia Helena Carvalho, ministra das Mulheres; Rogério Carvalho, senador por Sergipe; Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP); Simone Tebet, candidata ao Senado; Zeca Dirceu, deputado federal por Paraná; Guilherme Boulos; Carlos Luppi, presidente nacional do PDT; Juliano Medeiros, presidente da federação Psol-Rede; e Marina Silva.

Lula: “Eu leio o passado para trabalhar no presente e para não errar no futuro” -Foto: Ricardo Stuckert
Assim que anunciaram que Lula estava chegando, o evento ganhou contorno de show com jogo de luzes, música, clipes e esquetes teatrais em preparação para a entrada do petista. Tudo na condução do ator Aílton Graça e com público de cerca de 3 mil pessoas.
Um tapete vermelho foi estendido até o palco. Depoimentos de eleitores foram passados em uma grande tela no palco do evento, com ênfase a história de mulheres. Música e clipes marcaram todo o evento. Para mostrar unidade, pessoas entraram segurando bandeiras de todos os estados, que foram chamados nominalmente.
Com as luzes apagadas e histórias sendo lidas por vozes femininas, o PT lançou a campanha ‘Dona de mim’. Os depoimentos abordaram pautas de vaga em creche, acesso a microcrédito, rede de proteção contra violência a mulheres e acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Sempre em um tom sobre como ações do governo Lula teriam auxiliado essas mulheres a superarem seus problemas. O eleitorado feminino tem estado em disputa nesta eleição, sendo alvo de ações nesses meses de pré-campanha.
Após as bandeiras, foram transmitidas mensagens de lideranças de partidos que apoiam candidatura de Lula: PCdoB, Partido Verde, PSB, PDT, PSOL e Rede. Políticos reforçaram avanços de Lula durante seu terceiro mandato, falaram sobre a importância de reeleição e também teve quem aproveitou o momento para atacar o adversário Flávio Bolsonaro (PL) e articulações do senador com o governo Trump: “Inimigo da democracia igual ao pai”, afirmou Benedita da Silva, deputada federal e candidata ao Senado pelo RJ na ocasião. O assunto da soberania nacional, que tem sido explorado por Lula em meio a atritos com o governo estadunidense, segue muito presente.
Mesmo após escândalos do INSS, o presidente do PDT, Carlos Lupi participou do megaevento. Ex-ministro da Previdência, demitido após escândalo de fraude, ele participou da abertura da convenção e fez palanque para Lula no telão.
Após todo um roteiro com o intuito de valorizar o petista, gerar comoção nos militantes e buscar aproximar cada vez mais o eleitorado feminino, chegou a hora da entrada de Lula. Após entoarem cânticos de “olê, olê, olê, olâ, Lula, Lula” e um bandeirão do Brasil ser levantado na plateia, a Lula foi anunciado ao palco ao som da música Carruagens de Fogo.
Ao ser chamado, ele percorreu um tapete vermelho ao lado da primeira-dama, Janja, até o palco. O público se mobilizou para acompanhá-lo no trajeto. O presidente foi ovacionado pela plateia, então, em meio à trilha da campanha: Tapete Vermelho para o filho do Nordeste. Segundo o condutor, essa é a trilha favorita de Lula.
No palco, Lula e Janja se sentaram ao lado do vice Geraldo Alckmin e de dona Lu Alckmin, sua esposa. Fernando Haddad, candidato ao governo do Estado de São Paulo, ao lado da mulher Ana Estela Haddad, completaram a mesa.
‘Nunca traiu o povo brasileiro’
Edinho Silva, presidente do PT, confirmou em discurso a homologação da candidatura de Lula à presidência no que chamou de “uma convenção histórica” pela reunião dos partidos e movimentos sociais.
Representando os governadores, Fernando Haddad, candidato ao governo paulista, exaltou Lula em fala no palco do evento e disse que o presidente “nunca traiu o povo brasileiro”, “nunca traiu seus princípios” e alega que nunca foi incoerente. “Mar revolto precisa de marinheiro confiável e experiente”, disse Haddad, ao dizer que o mundo vive um momento turbulento com guarras e ascensão da direita.
“Não tem tem ninguém no mundo hoje que consiga fazer melhor que o Lula. O Lula é motivo de inveja no mundo. Só que o Lula é nosso e vai continuar aqui guiando enquanto o mar estiver revolto”, complementou, sem poupar elogios à condução do presidente.
Alckmin, por sua vez, exaltou duas características do PT em seu discurso: a militância e a democracia interna presente no partido. “O que faz diferença é a militância”, afirmou.
Ao longo de sua fala, Alckmin também citou feitos do terceiro mandato de Lula como o programa Pé-de-meia, incentivo a vacinas e à preservação do meio ambiente. Também fez aceno ao BNDS pelo apoio ao longo dos últimos anos.
“Nós estivemos aqui 4 anos atrás para salvar a democracia que estava em risco. Se nossos adversários perdendo as eleições tentaram um golpe de estado, tinham como projeto matar aqueles que foram eleitos pelo povo, imagina se tivessem ganho as eleições?”, disse, criticando a oposição.
O vice-presidente ainda alfinetou Flávio Bolsonaro (PL), que também disputa pela Presidência e citou dados falsos sobre urnas eletrônicas em reunião nas últimas semanas: “Aliás, quem não acredita no voto popular não deveria ser nem candidato a presidente. A descrença das urnas é cheiro, fumaça de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano. Presidente Lula tem energia de um menino e Lula com chuchu não tem pra ninguém.”
Lula, militância e mulheres
Ao chegar o momento de Lula, enfim, falar ao microfone, ele cedeu o espaço para sua esposa, Janja, discursar primeiro. “Antes de falar, eu quero fazer a critica a mim, porque não é possível que tenhamos esquecido de no principal evento da nossa campanha não ter colocado uma mulher para falar. Então, como minha querida companheira Janja não estava no script, na agenda de ninguém, em nome de todas as pessoas que participam do pacto contra feminicidio, fale para as mulheres.”
Aplaudida, com a imagem de uma bandeira do Brasil ilustrando os fundos do palco, a primeira-dama falou diretamente com as mulheres. “É dificil porque todos os dias nós mulheres precisamos nos reafirmar. Agora, vou saudar só as mulheres que estão aqui hoje e dizer que tenho muito orgulho de caminhar ao seu lado nesses quatro anos levando políticas públicas que realmente acredito e sempre trabalhei por isso. O Brasil é reconhecido mundialmente por suas políticas de inclusão e por isso acho que você vai seguir nesse caminho”, começou.
Janja brincou dizendo que queria poder pegar na mão de Lula e sair pelo mundo, mas que reconhece como uma missão do casal “encaminhar o Brasil ao pleno desenvolvimento”. “Puro orgulho de você [Lula] abraçar a causa das mulheres que é o combate a violência, ao feminicídio e toda forma de violência contra mulheres”.
Após colocar a presença feminina em cena, Lula retomou o discurso comparando suas campanhas à Copa do Mundo. “Terminamos a Copa do Mundo agora e muito se falava qual era jogador que mais tinha participado. Pelé, atleta do século, só disputou quatro copas. Messi e Cristiano Ronaldo participaram de seis Copas, mas o que eles não sabem é que essa é a minha sétima Copa: já fui candidato em 1989, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022. Se eu ganhar, são 4 copas.”
Em seu discurso, agradeceu militantes, políticos do PT e aos candidatos e representantes dos partidos da coligação — com destaque para João Campos, lançado ao governo de Pernambuco pelo PSB. No momento, Lula relembrou a ligação da família Campos com sua trajetória política e da fundação do PT no período de redemocratização do País. Ainda, enalteceu o trabalho “genial” de Alckmin à frente do ministério da Indústria.
Na mesma linha do que Haddad falou, Lula afirmou que é o legado dele que o torna merecedor da confiança do povo. “Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não pode prometer nada. Essa é a lógica”, disse sem citar nomes.
Ainda com a questão das mulheres em pauta, Lula voltou a direcionar seu discurso ao eleitorado femininio. “A luta contra violência contra a mulher é sobre nós homens que achamos que somos donos das mulheres. Não somos. As mulheres não têm que ter medo de denunciar.” Lula lembrou o pacto contra o feminicídio, falou do aumento do número de denúncias e, em tom de campanha, lembrou que sancionou a lei do Pix para mulheres receberem pensão.
Lula também focou no eleitor idoso e defendeu programas que ofereçam atividades física, social e intelectual à população da terceira idade. “Você que cuida da sua vida, você pode evitar metade dos gastos com saúde se você fizer o que natureza manda fazer. E, por isso, queridos companheiros, eu estou inteiraço”, disse em tom de brincadeira.
O candidato à reeleição também fez um aceno à Haddad como seu sucessor. “Não quero mais ‘Lulinha paz e amor’, quero ‘Lulinha porreta’. Agora é hora de dar um salto de qualidade. Qual é o País do futuro que vou entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos quiser ser Presidente da República?”.
O discurso durou em torno de uma hora. Após mais de 40 minutos de fala, público começou a deixar o espaço da convenção.
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Fonte: Portal Terra





















































