Representatividade, respeito e equidade são pilares fundamentais para uma sociedade verdadeiramente democrática. Ainda assim, quando mulheres ocupam espaços de poder, liderança e decisão, a reação muitas vezes é de resistência. Por quê?

Diana Centurión escreve sobre como mulheres avançam em espaços de poder, mas a igualdade ainda enfrenta resistência. – Foto: arquivo/divulgação
Por Diana Almeida Centurión
Antes de falar sobre estatísticas ou cargos ocupados, é preciso reconhecer uma realidade que ainda nos desafia: a desigualdade de gênero permanece estrutural. A presença feminina nos espaços de poder cresceu, mas o reconhecimento pleno de sua capacidade ainda enfrenta barreiras culturais profundas.
A igualdade que ainda incomoda
A mulher contemporânea conquistou espaços historicamente negados. Lidera equipes, administra instituições, atua na política, na gestão pública, no Judiciário, na segurança, na educação e em diversas áreas estratégicas. No entanto, sua ascensão ainda provoca questionamentos que raramente são direcionados aos homens.
A igualdade incomoda porque rompe padrões de dominação consolidados. Ela exige revisão de privilégios, redistribuição de oportunidades e transformação de mentalidades. E toda transformação estrutural enfrenta resistência.
Misoginia, violência e preconceito: uma realidade persistente
Apesar dos avanços, mulheres ainda sofrem com:
- Misoginia velada e explícita nos ambientes profissionais e sociais;
- Desigualdade salarial e barreiras para alcançar cargos de liderança;
- Preconceitos relacionados à maternidade;
- Violência doméstica, social e institucional;
- Feminicídios, que representam a face mais cruel da desigualdade de gênero.
A violência contra a mulher não é apenas física. Ela se manifesta também no descrédito profissional, no silenciamento, na tentativa de deslegitimar sua competência e no controle de suas escolhas.
Evolução feminina e resistência social
A mulher moderna é capaz de ir além do esperado. É mãe, profissional, líder, cuidadora e cidadã ativa. Cumpre seu papel social com excelência e responsabilidade, muitas vezes acumulando funções que exigem força emocional e intelectual.
Entretanto, parte da sociedade ainda não acompanha essa evolução. O incômodo surge quando a mulher demonstra autonomia, competência e poder decisório. A questão não é capacidade — é reconhecimento.
O papel do poder público na promoção da dignidade feminina
Diante desse cenário, o poder público tem responsabilidade direta na construção de políticas que assegurem dignidade e proteção às mulheres.
É dever do Estado:
- Adotar estratégias eficazes de enfrentamento à violência doméstica e social;
- Fortalecer redes de apoio e acolhimento às vítimas;
- Garantir acesso à assistência jurídica, psicológica e social;
- Desenvolver políticas preventivas por meio da educação e da conscientização;
- Produzir e fortalecer mecanismos legais que punam os infratores de forma efetiva.
A punição deve cumprir seu papel jurídico, mas também contribuir para a reparação da vítima e para a reconstrução do tecido social. A responsabilização do agressor não é apenas uma resposta penal — é uma mensagem institucional de que a violência contra a mulher não será tolerada.
Além disso, políticas públicas eficazes devem buscar não apenas reprimir, mas também prevenir, educar e transformar comportamentos.
Mulher e poder: liderança que transforma
Quando mulheres ocupam espaços de decisão, ampliam-se as perspectivas e fortalecem-se políticas mais inclusivas e sensíveis às realidades sociais. A presença feminina na gestão pública contribui para decisões mais equilibradas, humanas e estratégicas.
A igualdade de gênero não ameaça a ordem social — ela aperfeiçoa a democracia.
Conclusão
A igualdade ainda incomoda porque transforma estruturas históricas. Mas transformar é necessário.
A mulher de hoje não pede espaço — ela ocupa. Não busca superioridade — luta por equidade. Não reivindica privilégios — exige direitos.
Promover igualdade é fortalecer a sociedade.
Garantir dignidade é dever do Estado.
Respeitar a mulher é consolidar a democracia.
DIANA ALMEIDA CENTURIÓN
Especialista em Licitações e Contratos Administrativos
Coordenadora de Gestão de Contratos e Atas da Prefeitura Municipal de Carira/SE
Bacharela em Direito
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