{"id":81525,"date":"2015-07-06T12:52:26","date_gmt":"2015-07-06T15:52:26","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=81525"},"modified":"2015-07-07T17:02:07","modified_gmt":"2015-07-07T20:02:07","slug":"emancipacao-politica-sergipe-completa-195-anos-de-independencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/emancipacao-politica-sergipe-completa-195-anos-de-independencia\/","title":{"rendered":"Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica: Sergipe completa 195 anos de independ\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 195 anos, o Rei do Brasil e Portugal Dom Jo\u00e3o VI assinava, do Rio de Janeiro, a Carta R\u00e9gia elevando Sergipe \u00e0 categoria de Capitania Independente.\u00a0\u00a0A independ\u00eancia do territ\u00f3rio de Sergipe da Bahia foi marcada por intensas lutas pol\u00edticas. Em artigo publicado em julho de 2013 na Revista Cumbuca, a historiadora e professora da Universidade Federal de Sergipe, Terezinha Alves de Oliva, relata que o tema da Emancipa\u00e7\u00e3o de Sergipe ainda \u00e9 um desafio para os estudiosos. Ela conta que, em seus estudos, Felisbelo Freire descreve que al\u00e7ar Sergipe a uma capitania independente foi a maneira que o Rei D. Jo\u00e3o VI encontrou para compensar a participa\u00e7\u00e3o dos sergipanos na vit\u00f3ria da Corte Portuguesa sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817.<\/p>\n<div id=\"attachment_81527\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/emancipa\u00e7\u00e3o-e1436198248647.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-81527\" class=\"size-full wp-image-81527\" alt=\"Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica: Sergipe completa 195 anos de independ\u00eancia. Leia mais: http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=81525 Foto: Marcelle Cristinne\/ASN\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/emancipa\u00e7\u00e3o-e1436198248647.jpeg\" width=\"599\" height=\"401\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-81527\" class=\"wp-caption-text\">Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica: Sergipe completa 195 anos de independ\u00eancia. (Foto: Marcelle Cristinne\/ASN)<\/p><\/div>\n<pre>Essa, entretanto, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica vers\u00e3o. A professora Maria Thetis Nunes dedicou-se ao estudo deste tema e, atualmente, a professora Edna Maria Matos Ant\u00f4nio, lan\u00e7ou o livro \u201cA independ\u00eancia do solo que habitamos \u2013 poder, autonomia e cultura pol\u00edtica na constru\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Brasileiro \u2013 Sergipe (1750- 1831). Ela estuda a independ\u00eancia de Sergipe no contexto da pol\u00edtica do Reino de Portugal e da presen\u00e7a da Corte Portuguesa no Brasil. \u00c9 o trabalho mais completo que se tem hoje sobre o assunto enfocando a pol\u00edtica de D. Jo\u00e3o VI quando da sua perman\u00eancia no Brasil e, depois, o entrela\u00e7amento da Independ\u00eancia de Sergipe com o processo da Independ\u00eancia do Brasil.<\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">O territ\u00f3rio sergipano foi conquistado em 1590 por Crist\u00f3v\u00e3o de Barros e, desde ent\u00e3o, Sergipe ficou sob a tutela da Bahia. Crist\u00f3v\u00e3o de Barros, como conta Terezinha Oliva em seu artigo, venceu os \u00edndios e distribuiu as terras em sesmarias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDurante mais de dois s\u00e9culos, Sergipe foi Capitania Subalterna, dedicada a abastecer a capital baiana atrav\u00e9s da sua produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, recebendo dela as autoridades, as fam\u00edlias dominantes, os encargos, os produtos do seu com\u00e9rcio\u201d, conta a historiadora em seu artigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com Terezinha Oliva, somente no s\u00e9culo XVIII a economia de Sergipe conquistou uma nova estatura com o crescimento da atividade a\u00e7ucareira, tornando-se vis\u00edvel a movimenta\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es sergipanas pelos portos baianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX a capitania contava com mais de duas centenas de engenhos a estabelecer rela\u00e7\u00f5es com o com\u00e9rcio da Bahia, com os capitalistas que financiavam a produ\u00e7\u00e3o e controlavam o com\u00e9rcio de a\u00e7\u00facar que abasteciam o com\u00e9rcio de escravos e de todos os bens demandados pela sociedade a\u00e7ucareira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Retorno do Rei<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o retorno do Rei a Portugal, as medidas tomadas por Dom Jo\u00e3o para emancipar Sergipe foram contestadas. Apesar da nomea\u00e7\u00e3o do Brigadeiro Carlos C\u00e9sar Burlamaqui como governador de Sergipe ter ocorrido em 25 de julho de 1820, ele somente tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. Ocorrida em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, a posse se deu em clima conturbado pela chegada de cartas da Bahia que determinavam que ela n\u00e3o se realizasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos protestos baianos, a posse ocorreu em fidelidade ao Rei Dom Jo\u00e3o VI. No entanto, no dia 18 de mar\u00e7o do mesmo ano, o governador foi deposto do cargo por uma for\u00e7a armada a mando da Bahia, refor\u00e7ada pelo apoio da Legi\u00e3o de Santa Luzia, comandada pelo senhor de engenho Guilherme Jos\u00e9 Nabuco de Ara\u00fajo. Carlos Burlamaqui foi conduzido preso para Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com este epis\u00f3dio, frustrou-se temporariamente a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Sergipe. Se por um lado os senhores de engenho n\u00e3o queriam a independ\u00eancia, por outro, l\u00edderes do agreste e do sert\u00e3o, criadores de gado como Joaquim Martins Fontes e Jos\u00e9 Leite Sampaio, tomaram posi\u00e7\u00e3o em defesa da Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Sergipe e, a partir de 1822, pela Independ\u00eancia do Brasil. \u201cOs dois processos se confundem e confluem\u201d, conta Terezinha Oliva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ades\u00e3o \u00e0 Independ\u00eancia do Brasil significou a aceita\u00e7\u00e3o da Emancipa\u00e7\u00e3o de Sergipe, uma vez que o Imperador Pedro I confirmou a Carta R\u00e9gia de D. Jo\u00e3o VI. \u201cSergipe fica politicamente separado da Bahia e torna-se uma prov\u00edncia do Imp\u00e9rio\u201d, diz a historiadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Duas datas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo fato da Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Sergipe em 8 de julho de 1820 ter sido bastante conturbada e contestada pelos l\u00edderes baiano e pelos senhores de engenho, a mem\u00f3ria popular n\u00e3o registrou a data para festejar. Segundo Terezinha Oliva, a primeira comemora\u00e7\u00e3o que se tem not\u00edcia se deu no dia 24 de outubro de 1836. \u201cNesta data, a festa c\u00edvico-religiosa foi marcada pelo canto do Hino de Sergipe, com letra de Manoel Joaquim de Oliveira Campos e m\u00fasica de Frei Jos\u00e9 de Santa Cec\u00edlia. Em 1839 o dia 24 de outubro foi decretado como feriado da Emancipa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas datas permaneceram como feriado at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1990: 8 de julho, data da eleva\u00e7\u00e3o de Sergipe a Capitania Independente; 24 de outubro, data da recupera\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia de Sergipe consagrada pelo povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da d\u00e9cada de 1990, a Assembleia Legislativa de Sergipe cancelou o feriado de 24 de outubro, pois a festa popular havia deixado de acontecer. Por\u00e9m, este dia passou a ser considerado o Dia da Sergipanidade, preservando uma antiga mem\u00f3ria ligada \u00e0 Independ\u00eancia de Sergipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Independ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica de Sergipe tamb\u00e9m influenciou a economia local. A partir da independ\u00eancia, de acordo com o economista Ricardo Lacerda, a elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica local, ainda que relativamente fr\u00e1gil e incipiente, come\u00e7ou a diminuir sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pra\u00e7a comercial de Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA emancipa\u00e7\u00e3o de Sergipe se deu em um momento muito atribulado da pol\u00edtica no reino por conta da revolu\u00e7\u00e3o liberal do Porto e pelas press\u00f5es para o retorno a fam\u00edlia real para Portugal. A emancipa\u00e7\u00e3o de Sergipe responde parcialmente \u00e0s disputas entre dom Jo\u00e3o VI e os revolucion\u00e1rios do Porto. As elites locais que propugnavam pela emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, fundamental para o desenvolvimento econ\u00f4mico da prov\u00edncia que era subjugada aos interesses da Bahia,\u00a0procuravam se posicionar entre os dois polos em conflito. Sergipe j\u00e1 contava com certa densidade econ\u00f4mica decorrente da expans\u00e3o da atividade a\u00e7ucareira no vale do Cotinguiba. Havia um polo com certa densidade econ\u00f4mica e populacional que respaldava a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Ricardo Lacerda, a base da economia de Sergipe no momento de sua\u00a0emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, destacava-se pela atividade a\u00e7ucareira com um grande n\u00famero de engenhos em funcionamento. \u201cAs principais lideran\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas eram vinculadas \u00e0 atividade a\u00e7ucareira. Mas a pecu\u00e1ria ocupava uma ampla extens\u00e3o do territ\u00f3rio sergipano, nas \u00e1reas mais interioranas. Em torno da atividade principal, formou-se um complexo econ\u00f4mico distintivo, com o surgimento de casas de exporta\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o, fundamentais para o financiamento da atividade a\u00e7ucareira, e os n\u00facleos urbanos se adensaram e se multiplicaram na zona canavieira. A atividade algodoeira vai se consolidar somente na segunda metade do s\u00e9culo XIX, impulsionada pela revolu\u00e7\u00e3o industrial inglesa e pela oportunidade surgida com o vazio de suprimento de algod\u00e3o causado pela guerra civil norte-americana\u201d, relata Ricardo Lacerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele conta que no per\u00edodo da emancipa\u00e7\u00e3o, a atividade industrial era muito restrita, quase inexistente, e at\u00e9 dispositivos legais inibiam ou pro\u00edbiam a atividade industrial no pa\u00eds. A principal atividade industrial era a fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, al\u00e9m de algumas atividades subsidiarias de pequena monta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO segundo eixo da industrializa\u00e7\u00e3o de Sergipe vai ser a expans\u00e3o da ind\u00fastria t\u00eaxtil nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX. Essas duas atividades v\u00e3o dominar a economia sergipana por um longo per\u00edodo. Somente na segunda metade do s\u00e9culo XX, Sergipe vai conhecer uma transforma\u00e7\u00e3o industrial de maior vulto com a implanta\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de cimento, a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pela Petrobr\u00e1s e mais adiante a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes\u201d, acentuou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA partir da segunda metade do s\u00e9culo XX Sergipe vai passar por um importante processo de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com o surgimento de um grande n\u00famero de novas atividades industriais e de Servi\u00e7os, em que progressivamente a vida urbana vai se tornando protagonista e a vida rural vai ficando para tr\u00e1s\u201d, concluiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNosso processo de independ\u00eancia comprova o car\u00e1ter empreendedor e desenvolvimentista do povo sergipano. Lutamos para nos tornar independente de umas capitanias mais promissoras da \u00e9poca, a Bahia, e hoje continuamos ousados. Somos pouco mais de dois milh\u00f5es de sergipanos no menor estado do pa\u00eds e temos o melhor PIB do Nordeste, com \u00edndices sociais e econ\u00f4micos crescentes: a melhor taxa de gera\u00e7\u00e3o de emprego da regi\u00e3o, somos o estado nordestino que mais atrai empresas, nos consolidamos no cen\u00e1rio econ\u00f4mico com uma matriz energ\u00e9tica diversificada. A ousadia continua. O 8 de julho \u00e9 um dia de autoafirma\u00e7\u00e3o, de festa, de identifica\u00e7\u00e3o com nossa hist\u00f3ria. Parab\u00e9ns a todos os sergipanos\u201d, declarou o governador Jackson Barreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Carta R\u00e9gia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConde de Palma do Meu Conselho, Governador e Capit\u00e3o Geral da Capitania da Bahia, Amigo: Eu El-Rei vos envio muito saudar aquelle que amo. Convido muito ao bom regimen deste Reino do Brazil, e a prosperidade a que Me proponho Elevo-lo, que a Capitania de Sergipe d\u2019El-Rei tenha hum Governo, Declarando-a independente totalmente para que os governadores della a governem na forma praticada nas mais Capitanias Independentes, comunicando-se directamente com as secretarias de Estado competentes e podendo conceder sesmarias na forma das Minhas Reaes Ordens. O que Me pareceu participar-vos para que assim o tenhais entendido. Escrevo do Pal\u00e1cio do Rio de Janeiro em oito de Julho de mil e oitocentos e vinte. Rey\u201d.<\/p>\n<p><em>Secretaria de Estado da Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/em><br \/>\n<em> Governo de Sergipe<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 195 anos, o Rei do Brasil e Portugal Dom Jo\u00e3o VI assinava, do Rio de Janeiro, a Carta R\u00e9gia elevando Sergipe \u00e0 categoria de Capitania Independente.\u00a0\u00a0A independ\u00eancia do territ\u00f3rio de Sergipe da Bahia foi marcada por intensas lutas pol\u00edticas. 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