{"id":70750,"date":"2014-10-03T11:13:36","date_gmt":"2014-10-03T14:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=70750"},"modified":"2014-10-03T11:19:14","modified_gmt":"2014-10-03T14:19:14","slug":"mudancas-climaticas-podem-estar-modificando-o-velho-chico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/mudancas-climaticas-podem-estar-modificando-o-velho-chico\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem estar modificando o Velho Chico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia de que a nascente principal do Rio S\u00e3o Francisco, localizada na Serra da Canastra, em S\u00e3o Roque de Minas, Minas Gerais, secou pela primeira vez no per\u00edodo hist\u00f3rico, levou o pesquisador do Rio S\u00e3o Francisco, Luiz Carlos Fontes, a alertar para a poss\u00edvel gravidade que est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o. O professor do Laboratorio Georioemar, da Universidade Federal de Sergipe, v\u00ea a quest\u00e3o sobre o vi\u00e9s das poss\u00edveis mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que est\u00e3o acontecendo na Terra, e que podem estar promovendo mudan\u00e7as na Bacia do Rio S\u00e3o Francisco. Ele tamb\u00e9m alerta sobre os riscos para a gest\u00e3o das \u00e1guas do rio.<\/p>\n<div id=\"attachment_70752\" style=\"width: 568px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/1_news_66_d3ed8ae39bc92c92c5d5ca9e804dd219.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-70752\" class=\" wp-image-70752 \" alt=\"Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/1_news_66_d3ed8ae39bc92c92c5d5ca9e804dd219.jpg\" width=\"558\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/1_news_66_d3ed8ae39bc92c92c5d5ca9e804dd219.jpg 620w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/1_news_66_d3ed8ae39bc92c92c5d5ca9e804dd219-300x198.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/1_news_66_d3ed8ae39bc92c92c5d5ca9e804dd219-342x226.jpg 342w\" sizes=\"(max-width: 558px) 100vw, 558px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-70752\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz Carlos Fontes explica que a maior parte das \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco se origina do corredor a\u00e9reo de nuvens origin\u00e1rias na Bacia Amaz\u00f4nica, e que v\u00e3o se deslocando junto a Cordilheira dos Andes, at\u00e9 chegarem e se precipitarem na regi\u00e3o montanhosa de Minas Gerais. \u201cCerca de oitenta por cento das \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco vem de Minas Gerais, por isso \u00e9 chamada de caixa d\u2019agua da bacia. \u00c9 exatamente a\u00ed onde surge esta evid\u00eancia de que ocorre uma dr\u00e1stica mudan\u00e7a, com a diminui\u00e7\u00e3o na precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica, o que pode ser considerado um ind\u00edcio de que nos pr\u00f3ximos anos esta situa\u00e7\u00e3o pode se agravar\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o pesquisador, nunca no per\u00edodo hist\u00f3rico se teve not\u00edcia de que a nascente principal do rio secou. \u201cO fato \u00e9 preocupante. N\u00e3o significa que \u00e9 algo definitivo, porque vem em seguida o per\u00edodo do ver\u00e3o, per\u00edodo que tradicionalmente chove em Minas Gerais, e as nascentes podem se recuperar. Mas o fato das nascentes secarem no inverno pode ser uma evid\u00eancia de que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas muito mais amplas est\u00e3o ocorrendo e que podem vir a afetar o Rio S\u00e3o Francisco, ao longo dos pr\u00f3ximos anos\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vaz\u00f5es m\u00ednimas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fontes ainda ressalta uma outra preocupa\u00e7\u00e3o: a situa\u00e7\u00e3o coincide com o agravamento da pr\u00e1tica de vaz\u00f5es reduzidas no Rio S\u00e3o Francisco, entre Sergipe e Alagoas, por parte das usinas hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Luiz Carlos alerta que em 2013, em fun\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua retido nos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas, o setor el\u00e9trico solicitou mais uma vez autoriza\u00e7\u00e3o para liberar das barragens menos \u00e1gua do que necessitaria para manter a vaz\u00e3o m\u00ednima. E isto foi concedido pela ANA e Ibama sem prazo delimitado. \u201cPela primeira vez ficou autorizado baixar as vaz\u00f5es m\u00ednimas de 1300 m3\/s para 1.100m3\/s sem prazo definido, o que se estende at\u00e9 o ano de 2014, sem precisar de nova autoriza\u00e7\u00e3o. Dois anos seguidos de pr\u00e1ticas de vaz\u00f5es abaixo da m\u00ednima definida no Plano de Recursos H\u00eddricos, aprovado pelo Comit\u00ea da Bacia, agrava, os impactos ambientais e sociais que vinham sendo provocados pela pr\u00e1tica de vaz\u00f5es m\u00ednimas, a crit\u00e9rio do setor el\u00e9trico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vaz\u00e3o abaixo de 1.300 m\u00b3 \u00e9 solicitada pelo setor el\u00e9trico com o intuito de acumular mais \u00e1gua nos reservat\u00f3rios, para quando chegar o per\u00edodo de chuva, os reservat\u00f3rios estejam com reservas, n\u00e3o chegando ao m\u00ednimo de sua capacidade. Com isso, aumenta a seguran\u00e7a do setor energ\u00e9tico. Nos \u00faltimos anos o setor el\u00e9trico solicitou por diversas vezes a pr\u00e1tica de vaz\u00f5es abaixo do valor m\u00ednimo 1.300 m3\/s definido pelo Comit\u00ea da Bacia do S\u00e3o Francisco, ANA e Ibama, ou seja, menos vaz\u00f5es de 1.100 m3\/s de forma a garantir seguran\u00e7a para a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica no ano seguinte. Sistematicamente este pleito tem sido atendido pela ANA e Ibama, mas negado pelo Comit\u00ea da Bacia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste novo epis\u00f3dio de 2013-2014, o usu\u00e1rio setor el\u00e9trico obteve algo que nunca tinha sido solicitado: o aval da ANA e Ibama para praticar vaz\u00f5es abaixo da m\u00ednima por dois anos consecutivos. E a vaz\u00e3o m\u00ednima, que era para ser excepcional, vai se tornando uma constante durante todo o ano. \u201cA vaz\u00e3o m\u00ednima n\u00e3o pode ser praticada o tempo todo. Isto afeta a din\u00e2mica do rio, e a biodiversidade aqu\u00e1tica animal e vegetal. Em consequ\u00eancia, afeta os demais usos humanos, como pesca, navega\u00e7\u00e3o e retirada de \u00e1guas para irriga\u00e7\u00e3o, impacta a regi\u00e3o da foz e da plataforma marinha adjacente. A ANA e o Ibama t\u00eam autorizado praticar vaz\u00f5es abaixo da mi\u00edima, mas teria que ter autoriza\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea, que sempre negou esta autoriza\u00e7\u00e3o. O rio tem sido dominado pelo setor el\u00e9trico de forma exacerbada o rio a servi\u00e7o do setor el\u00e9trico. Ser\u00e1 necess\u00e1rio recorrer a Justi\u00e7a para resolver este viola\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o das \u00e1guas da bacia e dos conflitos de uso\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor alerta que o rio n\u00e3o recebe nenhum tipo de compensa\u00e7\u00e3o para mitigar os impactos causados pelas baixas vaz\u00f5es, com o intuito de atender um \u00fanico usu\u00e1rio, que destina os benef\u00edcios, na sua maior parte, para seus usu\u00e1rios fora da bacia, e por conta disso, a situa\u00e7\u00e3o ambiental se agrava a cada dia. Por exemplo, o rio ocupa hoje, em muitos setores, apenas 1\/3 da sua largura original, ficando exposto quase 2\/3 do seu leito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Situa\u00e7\u00e3o pode se agravar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o professor Luiz Carlos alerta que a jun\u00e7\u00e3o dos dois impactos (diminui\u00e7\u00e3o de chuvas no meio do ano e diminui\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es por interesse do usu\u00e1rio do setor el\u00e9trico) pode agravar em muito os impactos j\u00e1 observados no Baixo S\u00e3o Francisco. Al\u00e9m disso, a transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas para o Nordeste Setentrional tornar\u00e1 o quadro mais grave ainda, gerando novos conflitos de uso das \u00e1guas, e promovendo a pratica de vaz\u00e3o baixa no Baixo S\u00e3o Francisco. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 que os conflitos se agravem nos pr\u00f3ximos anos, afetando duramente a din\u00e2mica do rio, aumentando a eros\u00e3o nas suas margens, dificultando a navega\u00e7\u00e3o e levando a uma perda maior na sua biodiversidade, e, em consequ\u00eancia, na pesca promovida pela sua popula\u00e7\u00e3o ribeirinha\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es da Reda\u00e7\u00e3o, Jornal da Cidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Siga o SE Not\u00edcias pelo <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a> e siga pelo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PortalSENoticias\" target=\"_blank\">Facebook<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A not\u00edcia de que a nascente principal do Rio S\u00e3o Francisco, localizada na Serra da Canastra, em S\u00e3o Roque de Minas, Minas Gerais, secou pela primeira vez no per\u00edodo hist\u00f3rico, levou o pesquisador do Rio S\u00e3o Francisco, Luiz Carlos Fontes, a alertar para a poss\u00edvel gravidade que est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o. 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