{"id":69020,"date":"2014-08-26T07:06:49","date_gmt":"2014-08-26T10:06:49","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=69020"},"modified":"2014-08-26T07:07:40","modified_gmt":"2014-08-26T10:07:40","slug":"eu-nunca-adicionaria-meus-filhos-no-facebook-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/eu-nunca-adicionaria-meus-filhos-no-facebook-diz-pesquisadora\/","title":{"rendered":"\u2018Eu nunca adicionaria meus filhos no Facebook\u2019, diz pesquisadora"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por Bruno Capelas, Estad\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_69021\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pesquisadora.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-69021\" class=\"size-medium wp-image-69021\" alt=\" \u2018Os pais precisam ver que seus filhos podem ajud\u00e1-los a entender a tecnologia, e prover a eles a sabedoria para lidar com a tecnologia\u2019, diz a professora. 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FOTO: Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e de dois adolescentes e professora da Universidade da Calif\u00f3rnia, a nipo-americana Mimi Ito estuda a maneira como os adolescentes e crian\u00e7as se comportam na internet, tendo chefiado o Digital Youth Project, pesquisa de 2008 que mostrou como os jovens est\u00e3o usando a rede para novas formas de aprendizado, amizade, relacionamentos amorosos e busca por informa\u00e7\u00f5es. No Brasil a convite do Google para a s\u00e9rie de palestras Think with Google, Mimi falou ao Link sobre como os pais e educadores devem lidar com o mundo digital, em temas como privacidade, bullying e o crescente uso de dispositivos m\u00f3veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maioria das pessoas acha que intera\u00e7\u00f5es online s\u00e3o diferentes do \u2018mundo real\u2019. O que a senhora pensa sobre isso?<\/strong><br \/>\nPara a maioria das crian\u00e7as, o principal uso da internet \u00e9 uma extens\u00e3o dos relacionamentos que elas t\u00eam ao vivo: elas mandam mensagens ou conversam com os amigos no Facebook \u2014 o que n\u00f3s chamamos de redes de amizades. Mas muitas crian\u00e7as usam a internet para ter acesso a novas informa\u00e7\u00f5es, em redes como f\u00f3runs e plataformas de games. Nesses ambientes, elas tamb\u00e9m fazem amigos. Elas, entretanto, tem uma divis\u00e3o muito clara desses ambientes: seria estranho ter um adulto ou um estranho por perto no Facebook, porque \u00e9 nesses ambientes que elas se relacionam, fazem amizades ou flertam entre si. H\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3pria de privacidade e discri\u00e7\u00e3o. Meu filho \u00e9 um gamer, joga com estranhos toda hora, mas eles se conectam por ter o mesmo interesse. \u00c9 diferente das pessoas com quem ele est\u00e1 mandando mensagens ou conversando no Facebook.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para os pais entender essa diferen\u00e7a?<br \/>\n<\/strong>Existem experi\u00eancias que n\u00e3o foram absorvidas pelo intervalo de gera\u00e7\u00f5es. Para o meu filho, jogar em uma liga de StarCraft \u00e9 t\u00e3o importante quanto um campeonato de basquete \u2013 mas isso n\u00e3o acontece para as maioria dos pais, porque eles n\u00e3o tiveram essa viv\u00eancia. N\u00f3s, como pais, temos de educar a n\u00f3s mesmos sobre o que est\u00e1 acontecendo, e querer nos envolver, assim como fazemos com os jogos de basquete ou as apresenta\u00e7\u00f5es de bal\u00e9 dos nossos filhos. \u00c9 algo normal, mas que muitos pais parecem ter desistido com o mundo online, s\u00f3 porque n\u00e3o \u00e9 algo familiar a eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como os pais podem se envolver sem invadir a privacidade dos filhos? Um pai deve ser amigo do filho no Facebook?<\/strong><br \/>\nA\u00ed entra a diferen\u00e7a entre redes de interesse e redes de amizade. Eu nunca adicionaria meus filhos no Facebook: eles n\u00e3o querem que eu saiba por quem eles est\u00e3o apaixonados, ou quem s\u00e3o os mais populares da sala. Pelo contr\u00e1rio! Conversamos sobre isso no jantar, mas n\u00e3o preciso ter contato com isso. Por outro lado, me envolvo nas redes de interesses deles. Jogo MineCraft com meus filhos, tento saber o que \u00e9 um Tumblr ou o StarCraft. Se as crian\u00e7as entenderem que o seu interesse pelo que eles gostam \u00e9 genu\u00edno, ser\u00e1 \u00f3timo: elas querem que voc\u00ea saiba o que \u00e9 o StarCraft, assim como querem que voc\u00ea veja o seu jogo de futebol. Mas elas v\u00e3o perceber se voc\u00ea estiver por perto s\u00f3 para tentar controlar o que elas fazem \u2013 e v\u00e3o se rebelar por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma pesquisa recente no Brasil diz que quase metade dos pais das crian\u00e7as conectadas do Pa\u00eds n\u00e3o usam a internet. Como eles podem educar seus filhos para usar a rede? Eles precisam necessariamente estar conectados e usar redes sociais, por exemplo?<\/strong><br \/>\nOs pais precisam ver que seus filhos podem ajud\u00e1-los a entender a tecnologia, e prover a eles a sabedoria para lidar com a tecnologia. Muito do que n\u00f3s estamos falando aqui \u00e9 apenas sobre aprendizado e como se comportar em sociedade. \u00c9 uma parceria: eles conhecem as ferramentas, n\u00f3s podemos ajudar a dar os valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cyberbullying \u00e9 um dos temas mais discutidos quando se fala em tecnologia e adolescentes aqui no Brasil. No que ele \u00e9 diferente do bullying?<\/strong><br \/>\nComportamentalmente, ambos s\u00e3o a mesma coisa. Com a tecnologia, as coisas viajam mais r\u00e1pido e s\u00e3o mais dif\u00edceis de serem esquecidas, \u00e9 algo mais danoso. Entretanto, h\u00e1 um lado positivo: a tecnologia est\u00e1 tornando o bullying v\u00edsivel. Antes, ele acontecia em vesti\u00e1rios e na sa\u00edda da escola, e os adultos n\u00e3o tinham acesso ao que acontecia. Na internet, os pais e os educadores podem ver o que acontece. \u00c0s vezes, a percep\u00e7\u00e3o de que as redes sociais geram o bullying \u00e9 errada: ela s\u00f3 est\u00e1 tornando vis\u00edvel algo que j\u00e1 acontecia. Repito: n\u00e3o monitoro o Facebook dos meus filhos, mas eles s\u00e3o orientados a me avisarem quando coisas assim acontecem. As escolas tamb\u00e9m est\u00e3o fazendo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra preocupa\u00e7\u00e3o crescente dos pais \u00e9 como as crian\u00e7as tem usado cada vez mais a internet nos celulares e tablets. Como a senhora v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nO mobile cresceu muito, mas seu estilo de comunica\u00e7\u00e3o hoje, via Whatsapp ou Snapchat, n\u00e3o \u00e9 diferente de uma mensagem de texto. A mudan\u00e7a para o celular, h\u00e1 cerca de dez anos, \u00e9 que fez a diferen\u00e7a, porque deu um espa\u00e7o privado para os jovens. O que mudou \u00e9 que, antes, com SMS, elas se comunicavam com no m\u00e1ximo dez pessoas. Hoje, com o Whatsapp, podem ser centenas de pessoas. Mas vale lembrar: elas est\u00e3o fazendo isso de forma privada. Os jovens n\u00e3o acham mais que o Facebook \u00e9 um espa\u00e7o seguro para sua comunica\u00e7\u00e3o \u00edntima, porque os professores v\u00e3o olhar o que eles est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como as escolas podem incorporar essa tend\u00eancia?<\/strong><br \/>\nElas t\u00eam se envolvido nos relacionamentos das crian\u00e7as: quando as coisas evoluem para bullying, elas tomam posi\u00e7\u00f5es. As escolas tem ensinado sobre cidadania digital e participa\u00e7\u00e3o, como fazem com outras quest\u00f5es sociais. Onde a educa\u00e7\u00e3o formal tem sido pouco pr\u00f3-ativa \u00e9 nas redes de interesses. Comunidades online d\u00e3o muito mais acesso a conhecimentos que uma escola pode oferecer, mas poucas delas est\u00e3o usando a internet com essa fonte de pesquisa, e continuam tentando produzir todo o conte\u00fado e expertise localmente. Isso n\u00e3o precisa acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe alguma idade m\u00ednima para que uma crian\u00e7a comece a usar a internet?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei dizer. A linha dos 13 anos imposta pelas empresas \u00e9 arbitr\u00e1ria, mas tende a ser nessa idade que a crian\u00e7a come\u00e7a a ter a sua vida de forma independente e os pais precisam monitorar menos o que elas fazem. Na verdade, o requisito m\u00ednimo \u00e9 mais o envolvimento e o di\u00e1logo que existe entre pais e crian\u00e7as, e menos o que elas fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> E o que a senhora acha que as empresas de tecnologia est\u00e3o fazendo para lidar com esse p\u00fablico crescente?<\/strong><br \/>\nElas precisam ser mais pr\u00f3-ativas para atender esse p\u00fablico: a maioria das empresas dizem que as crian\u00e7as s\u00f3 podem usar seus servi\u00e7os a partir dos 13 anos. N\u00e3o h\u00e1 conscientiza\u00e7\u00e3o ou considera\u00e7\u00f5es como elas podem usar a internet de um jeito bacana. S\u00f3 h\u00e1 a falta de incentivo. Vejo que as empresas de tecnologia tiveram postura ativa em quest\u00f5es como a privacidade de seus usu\u00e1rios, mas n\u00e3o nos direitos das crian\u00e7as. \u00c9 preciso que elas entendam isso, porque s\u00e3o as plataformas que as crian\u00e7as usam para aprender, s\u00e3o \u00fateis para a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Siga o SE Not\u00edcias pelo <a href=\" https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a> e curta no <a href=\" https:\/\/www.facebook.com\/PortalSENoticias\" target=\"_blank\">Facebook<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Bruno Capelas, Estad\u00e3o &nbsp; M\u00e3e de dois adolescentes e professora da Universidade da Calif\u00f3rnia, a nipo-americana Mimi Ito estuda a maneira como os adolescentes e crian\u00e7as se comportam na internet, tendo chefiado o Digital Youth Project, pesquisa de 2008 que mostrou como os jovens est\u00e3o usando a rede para novas formas de aprendizado, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":69021,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44,26],"tags":[],"class_list":{"0":"post-69020","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-educacao","8":"category-esportes"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69020"}],"collection":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69020\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}