{"id":66984,"date":"2014-07-13T23:15:55","date_gmt":"2014-07-14T02:15:55","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=66984"},"modified":"2014-07-14T20:07:10","modified_gmt":"2014-07-14T23:07:10","slug":"alemanha-vence-na-prorrogacao-e-conquista-o-tetra-da-copa-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/alemanha-vence-na-prorrogacao-e-conquista-o-tetra-da-copa-do-mundo\/","title":{"rendered":"Alemanha vence na prorroga\u00e7\u00e3o e conquista o tetra da Copa do Mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>por\u00a0<strong>Alexandre Alliatti, Globo Esporte<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maluquice \u00e9 pensar que n\u00e3o temos vaga ideia do que faz\u00edamos em 3 de junho de 1992, quando pela primeira vez Mario, mais um rec\u00e9m-nascido qualquer a chorar num hospital qualquer da Alemanha, viu a luz. Dada nossa sina de marionetes do tempo, est\u00e1vamos indiferentes \u00e0 hist\u00f3ria que come\u00e7ava a ser costurada \u2013 lav\u00e1vamos lou\u00e7a, v\u00edamos novela, reclam\u00e1vamos do centroavante tosco de nosso time, discut\u00edamos futebol com nosso pai, aquela figura de rugas desenhadas tamb\u00e9m pela dor e pela gl\u00f3ria que o futebol tanto nos d\u00e1. N\u00e3o pod\u00edamos imaginar o que aconteceria tanto tempo depois, naquele inalcan\u00e7\u00e1vel 13 de julho de 2014, naquele futuro domingo de sol no Maracan\u00e3, naquele instante precioso em que o pequeno Mario, o gigante Mario G\u00f6tze, com apenas 22 anos e uma eternidade pela frente, receberia de Sch\u00fcrrle aos oito minutos do segundo tempo da prorroga\u00e7\u00e3o, dominaria no peito e desviaria para o gol. N\u00e3o pod\u00edamos calcular que surgia o protagonista da vit\u00f3ria por 1 a 0 na final, o sujeito que evitaria uma festa da Argentina no Maracan\u00e3, o atleta que tornaria a Alemanha tetracampe\u00e3 mundial de futebol!<\/p>\n<div id=\"attachment_66985\" style=\"width: 605px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Alemanha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-66985\" class=\"size-full wp-image-66985\" alt=\"Lahm levanta a quarta Copa do Mundo da Alemanha. (Foto:  Carlos Moraes)\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Alemanha.jpg\" width=\"595\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Alemanha.jpg 595w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Alemanha-300x200.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Alemanha-342x228.jpg 342w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-66985\" class=\"wp-caption-text\">Lahm levanta a quarta Copa do Mundo da Alemanha.<br \/>(Foto: Carlos Moraes)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Argentina de Messi foi grande at\u00e9 os limites supremos. Encarou um time melhor e talvez merecesse a vit\u00f3ria, o t\u00edtulo, tanto quanto a Alemanha. Detalhes mudam vidas, mudam hist\u00f3rias, e agora eles penderam para Alemanha \u2013 para euforia, absoluto del\u00edrio, da torcida brasileira presente no Maracan\u00e3. A sele\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica se iguala \u00e0 It\u00e1lia como tetracampe\u00e3 mundial. O Brasil segue soberano, com cinco conquistas, e a Argentina continua com duas. O terceiro duelo entre alem\u00e3es e argentinos em finais \u00e9 tamb\u00e9m a primeira vez que uma sele\u00e7\u00e3o europeia ganha a Copa no continente americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mundo diante de Higua\u00edn<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sussurros seriam ouvidos do outro lado do est\u00e1dio se algu\u00e9m ousasse abrir a boca aos 20 minutos do primeiro tempo, naqueles dois ou tr\u00eas segundos de mutismo coletivo em que Higua\u00edn recebeu uma bola de presente de Toni Kroos e, sozinho, avan\u00e7ou com ela na dire\u00e7\u00e3o de Neuer. Existem chances que n\u00e3o se perdem nem em peladas de fam\u00edlia, quanto mais numa final de Copa do Mundo, mas o atacante argentino, talvez embasbacado pela oportunidade que ganhara, talvez se perguntando se merecia tanto, cometeu a insanidade de desperdi\u00e7ar o gol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que o futebol tem algo de rancoroso. O mesmo Higua\u00edn, alguns minutos depois, entrou na \u00e1rea feito um caminh\u00e3o sem freios, aproveitou cruzamento de Lavezzi, l\u00e1 da direita, e mandou para as redes. Saiu vibrando, em surto, correndo como um sujeito que daria a volta ao mundo se o Maracan\u00e3 n\u00e3o tivesse paredes, mas a\u00ed o teto dele desabou: do outro lado, o auxiliar, esse corta-prazeres de atacantes, tinha sua bandeira erguida. Correto: o atacante estava de fato impedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande quest\u00e3o \u00e9 que os dois lances, acrescidos de uma arrancada assombrosa de Messi (cortada por um Boateng que s\u00f3 precisa de um par de asas para ser decretado anjo da equipe), mostram que houve algo de errado no s\u00f3lido reino defensivo germ\u00e2nico. Os problemas come\u00e7aram antes de o jogo come\u00e7ar, por mais estranho que pare\u00e7a. Khedira, pe\u00e7a essencial na engrenagem do meio-campo, sentiu dores musculares no aquecimento. N\u00e3o foi a campo. Entrou Kramer, que s\u00f3 tinha jogado 11 minutos na Copa inteira e tamb\u00e9m sairia lesionado, ainda no primeiro tempo, para a entrada de Sch\u00fcrrle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frigidos os ovos, \u00e9 not\u00e1vel que a Argentina fez muito bom primeiro tempo \u2013 e n\u00e3o foi gra\u00e7as apenas aos eternos inc\u00f4modos causados por Messi e suas disparadas de homem de mil pernas. Tamb\u00e9m pela defesa. E mesmo se baseando numa estrat\u00e9gia curiosa: deixar Schweinsteiger passear pelo campo como se estivesse de f\u00e9rias. Alejandro Sabella, por algum motivo, preferiu concentrar aten\u00e7\u00f5es em acossar os atletas servidos pelo camisa 7, n\u00e3o o pr\u00f3prio. A t\u00e1tica parece suicida, mas at\u00e9 que deu resultado. Por\u00e9m, quase ruiu no finzinho da etapa, quando H\u00f6wedes subiu nas cercanias da estratosfera para cabecear na trave argentina. No rebote, a bola ainda bateu em M\u00fcller, e Romero defendeu, mas o lance j\u00e1 estava anulado por impedimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quase, Messi!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expectativa de qualquer ser humano alimentado de esperan\u00e7as \u00e9 que Messi, ao ir para o vesti\u00e1rio, seja acometido por uma crise de piedade e resolva parar de infernizar defesas alheias. Mas n\u00e3o costuma acontecer \u2013 quem n\u00e3o voltou foi Lavezzi, substitu\u00eddo por Ag\u00fcero. Com menos de dois minutos no segundo, a Pulga recebeu em profundidade na esquerda e mandou um chute cruzado que triscou a trave protegida pelas luvas de Neuer. Quase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, as chances de gol se tornaram mais escassas. As equipes encontraram dificuldades de escapar ao ataque, e o jogo ficou mais preso nos limites entre uma intermedi\u00e1ria e outra. A parte final da constru\u00e7\u00e3o passou a ter repetidos erros de lado a lado \u2013 linda jogada de \u00d6zil poderia ter resultado em gol mesmo assim, mas Kroos bateu mal. E a prorroga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a dar as caras no Maracan\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas sele\u00e7\u00f5es, com o passar do tempo, ficaram mais e mais encabuladas de tentar movimentos que expusessem suas defesas. Mesmo as trocas foram comedidas: na Argentina, Palacio no lugar de Higua\u00edn, Gago no de Enzo Perez; na Alemanha, G\u00f6tze na vaga de Klose. Consequ\u00eancia: prorroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00faltimo ato<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Alemanha entrou na prorroga\u00e7\u00e3o babando de vontade de ganhar. No primeiro lance do tempo extra, Sch\u00fcrrle quase marcou. Romero espalmou o chute do atacante. A Argentina, fechada, deixou claro que se abra\u00e7aria aos contra-ataques, e os europeus passaram a ter dom\u00ednio do jogo \u2013 mas sem grande contund\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tens\u00e3o era evidente no Maracan\u00e3 \u2013 era quase um organismo vivo. E Palacio quase fez. Em rara falha de Hummels, o atacante conseguiu dominar na \u00e1rea e tocar por cima de Neuer, mas a bola saiu. Os minutos finais foram duros, pegados \u2013 a ponto de Schweinsteiger sair sangrando depois de Ag\u00fcero deixar o bra\u00e7o no rosto dele. Ficou evidente o cansa\u00e7o das duas equipes e a impress\u00e3o de que s\u00f3 uma jogada aleat\u00f3ria poderia evitar os p\u00eanaltis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o houve aleatoriedade. Houve talento. Sch\u00fcrrle, brilhante, fez \u00f3tima jogada e mandou na \u00e1rea. G\u00f6tze, ao matar no peito, encontrou a bola e a posteridade ao mesmo tempo. Mandou para o gol. Mandou para a hist\u00f3ria \u2013 para a hist\u00f3ria de uma enorme tetracampe\u00e3!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Alexandre Alliatti, Globo Esporte A maluquice \u00e9 pensar que n\u00e3o temos vaga ideia do que faz\u00edamos em 3 de junho de 1992, quando pela primeira vez Mario, mais um rec\u00e9m-nascido qualquer a chorar num hospital qualquer da Alemanha, viu a luz. 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