{"id":51066,"date":"2013-08-01T11:34:31","date_gmt":"2013-08-01T14:34:31","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=51066"},"modified":"2013-08-02T18:50:36","modified_gmt":"2013-08-02T21:50:36","slug":"pobre-estudar-medicina-e-afronta-para-a-elite-diz-medico-formado-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/pobre-estudar-medicina-e-afronta-para-a-elite-diz-medico-formado-em-cuba\/","title":{"rendered":"\u201cPobre estudar medicina \u00e9 afronta para a elite\u201d, diz m\u00e9dico formado em Cuba"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #333333;\"><strong>por\u00a0Maria Fr\u00f4\/Geledes.org.br<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A elitiza\u00e7\u00e3o do ensino de medicina no Brasil \u00e9 um obst\u00e1culo para jovens de baixa renda entrarem nas universidade e se formarem. J\u00e1 os problemas nas provas de revalida\u00e7\u00e3o do diploma dificultam o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o em territ\u00f3rio nacional pelos brasileiros que conseguiram se formar no exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quem estuda medicina no nosso pa\u00eds s\u00e3o os filhos das elites, em sua maioria. \u00c9 uma afronta para a elite um negro, um pobre, um trabalhador rual, filho de Sem Terra estudar medicina na faculdade, principalmente pelo status conferidos por essa profiss\u00e3o&#8221;, afirma Augusto C\u00e9sar, m\u00e9dico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.<\/p>\n<div id=\"attachment_51067\" style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Medicina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-51067\" class=\"size-full wp-image-51067\" alt=\"Augusto C\u00e9sar, m\u00e9dico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.(Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Medicina.jpg\" width=\"428\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Medicina.jpg 428w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Medicina-214x300.jpg 214w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Medicina-342x479.jpg 342w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Medicina-300x420.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-51067\" class=\"wp-caption-text\">Augusto C\u00e9sar, m\u00e9dico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.(Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) aponta que 88% dos matriculados em universidades p\u00fablicas de medicina estudaram em escolas particulares no ensino fundamental e m\u00e9dio. Os programas do governo de acesso \u00e0 universidade, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), ampliaram o acesso, mas ainda n\u00e3o conseguiram universalizar e democratizar a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A maioria das pessoas quem entra na universidade p\u00fablica para fazer medicina tem dinheiro para fazer um bom cursinho ou estudou o tempo todo numa escola particular. Claro que h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, mas o ensino de medicina do nosso pa\u00eds \u00e9 altamente elitizado&#8221;, acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A maioria das pessoas que tem acesso \u00e0s escolas de medicina s\u00e3o de classe m\u00e9dia e classe m\u00e9dia-alta. Um pobre numa universidade particular n\u00e3o consegue se sustentar pelo alto pre\u00e7o das mensalidades. Sem contar que hoje temos mais universidades privadas do que p\u00fablicas na \u00e1rea da sa\u00fade, dificultando ainda mais o acesso&#8221;, diz a m\u00e9dica formada em Cuba Andreia Campigotto, que tamb\u00e9m \u00e9 militante do MST.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revalida\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade dos m\u00e9dicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros passarem por uma prova para verificar se est\u00e3o capacitados a exercer a profiss\u00e3o \u00e9 um tema frequentemente pautado pela comunidade m\u00e9dica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente do curso, todos os estudantes brasileiros que realizam um curso fora do pa\u00eds precisam passar por uma revalida\u00e7\u00e3o do diploma. No entanto, h\u00e1 falhas nesse processo no caso da medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos principais problemas \u00e9 que n\u00e3o existe um padr\u00e3o para o conte\u00fado dessas provas. Cada universidade federal pode abrir sua prova de reconhecimento de t\u00edtulos no exterior. Com isso, o conte\u00fado n\u00e3o \u00e9 uniforme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o custo dessas avalia\u00e7\u00f5es \u00e9 alto. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cobra uma taxa de inscri\u00e7\u00e3o de R$1.172,20. Outras universidades pelo pa\u00eds t\u00eam pre\u00e7os similares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preconceito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As provas s\u00e3o injustas, porque t\u00eam um n\u00edvel de m\u00e9dicos especialistas, preterindo os &#8216;generalistas&#8217;, que \u00e9 o nosso caso ap\u00f3s nos graduar. Isso causa uma desaprova\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel dos estudantes que vem de fora&#8221;, acredita Andr\u00e9ia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que a categoria m\u00e9dica n\u00e3o divulga \u00e9 que 50% dos estudantes da USP reprovaram na prova feita pelo Conselho de Medicina de S\u00e3o Paulo. Foi uma prova para m\u00e9dico generalista, muito mais f\u00e1cil, que a de revalida\u00e7\u00e3o&#8221;, revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Andr\u00e9ia, h\u00e1 um &#8220;grande preconceito&#8221; por parte dos profissionais brasileiros em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9dicos formados em outros pa\u00edses, o que cria um entrave para a revalida\u00e7\u00e3o dos diplomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Seria justo se os profissionais que se formam no Brasil fizessem as mesmas provas que n\u00f3s, para ver se realmente se comprova uma suposta m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de nossa parte, bem como discursa a categoria m\u00e9dica brasileira&#8221;, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois m\u00e9dicos defendem a realiza\u00e7\u00e3o de uma avalia\u00e7\u00e3o dos conhecimentos dos profissionais graduados no exterior, mas destacam que as provas atuais n\u00e3o cumprem esse papel, porque n\u00e3o s\u00e3o aplicados testes adequados para auferir o conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As provas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas atuais n\u00e3o levam em conta as complexidades. Seria muito melhor colocar esse m\u00e9dico para trabalhar sob um tutor e, a partir da\u00ed, se instaurar uma avalia\u00e7\u00e3o rigorosa e permanente. Mas isso n\u00e3o tem sido pensado&#8221;, pontua Augusto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concep\u00e7\u00e3o de medicina ensinada nas universidades impede tamb\u00e9m que os estudantes vejam a luta pela sa\u00fade al\u00e9m do tratamento de doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nas universidades de medicina, s\u00f3 se v\u00ea doen\u00e7a. N\u00e3o se fala em sa\u00fade. Como voc\u00ea pode lutar pela sa\u00fade se s\u00f3 v\u00ea doen\u00e7as? Tamb\u00e9m \u00e9 sa\u00fade lutar por um sistema p\u00fablico de sa\u00fade de qualidade&#8221;, destaca Augusto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o militante, a concep\u00e7\u00e3o de sa\u00fade deve ultrapassar uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. &#8220;O m\u00e9dico deve exercer a medicina a favor da constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds mais saud\u00e1vel, sem esperar que as pessoas ou uma comunidade adoe\u00e7a para depois intervir sobre ela, pois \u00e9 o modo de vida que vivemos que gera as doen\u00e7as do pa\u00eds&#8221;, defende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andreia quer se tornar professora de medicina para colaborar para a mudan\u00e7a da forma de ensinar das universidades. Ela se classificou na primeira fase do concurso para lecionar na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, o campo da educa\u00e7\u00e3o deve ser ocupado por aqueles que querem democratizar a educa\u00e7\u00e3o. &#8220;Precisamos formar profissionais com um novo perfil, realmente voltados para atender o povo, para se fixar nos locais de dif\u00edcil acesso, n\u00e3o s\u00f3 nos grandes centros como hoje. \u00c9 um campo interessante de atua\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Por Jos\u00e9 Coutinho J\u00fanior<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Essa mat\u00e9ria faz parte de uma s\u00e9rie de reportagens com dois m\u00e9dicos que analisam as diferen\u00e7as entre os cursos e a concep\u00e7\u00e3o de medicina em Cuba e no Brasil. No pr\u00f3ximo texto, que ser\u00e1 divulgado na sexta-feira na P\u00e1gina do MST, Andreia e Augusto opinam sobre a vinda dos m\u00e9dicos estrangeiros para o Brasil e analisam os problemas no sistema de sa\u00fade brasileiro, como a falta de estrutura nos hospitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Maria Fr\u00f4\/Geledes.org.br A elitiza\u00e7\u00e3o do ensino de medicina no Brasil \u00e9 um obst\u00e1culo para jovens de baixa renda entrarem nas universidade e se formarem. 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