{"id":45222,"date":"2013-03-06T18:18:37","date_gmt":"2013-03-06T21:18:37","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=45222"},"modified":"2013-05-18T12:52:21","modified_gmt":"2013-05-18T15:52:21","slug":"ministerio-publico-requer-a-condenacao-de-alex-rocha-por-atraso-em-pagamento-de-salarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/ministerio-publico-requer-a-condenacao-de-alex-rocha-por-atraso-em-pagamento-de-salarios\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico requer a condena\u00e7\u00e3o de Alex Rocha por atraso em pagamento de sal\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Sergipe ajuizou, no dia 28 de fevereiro, uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica por improbidade administrativa contra o ex-prefeito do munic\u00edpio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (a 25 Km de Aracaju), Alexsander Oliveira de Andrade (Alex Rocha).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira abaixo a \u00edntegra da decis\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_45223\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Alex.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-45223\" class=\"size-medium wp-image-45223\" title=\"Alex\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Alex-300x222.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Alex-300x222.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Alex-342x253.jpg 342w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Alex-60x45.jpg 60w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Alex.jpg 491w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-45223\" class=\"wp-caption-text\">MP aju\u00edza a\u00e7\u00e3o contra ex-prefeito Alex Rocha. (Foto: arquivo PMSC)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO DO ESTADO DE SERGIPE, por interm\u00e9dio de seu representante que oficia junto \u00e0 Promotoria de Justi\u00e7a Especial de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o\/SE, no uso de suas atribui\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o conferidas pelos artigos 37, \u00a7 4\u00ba e 129, inciso III da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no artigo 118, inciso III da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Sergipe, nas Leis Federais 8.429, de 02 de junho de 1992, 7.347, de 24 de julho de 1985, 8.625 de 12 de fevereiro de 1993, art. 25, incisos IV al\u00edneas \u201ca\u201d e \u201cb\u201d e VIII, da Lei Complementar Estadual N.\u00ba 02, de 12 de novembro de 1990, prop\u00f5e A\u00c7\u00c3O CIVIL P\u00daBLICA PELA PR\u00c1TICA DE ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, em em face de <strong>ALEXSANDER OLIVEIRA DE ANDRADE<\/strong>, brasileiro, casado, maior, exprefeito municipal, CPF 591.177.965-04, residente e domiciliado na Rua Messias Prado, 79, S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o\/SE, pelos f\u00e1ticos e jur\u00eddicos a seguir delineados:<\/p>\n<p><strong>I &#8211; DOS FATOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s in\u00fameros servidores municipais procurarem esta Promotoria de Justi\u00e7a relatando o atraso no pagamento de seus sal\u00e1rios, foi instaurado o Inqu\u00e9rito Civil<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO<\/strong><br \/>\n<strong> MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO DO ESTADO DE SERGIPE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Promotoria de Justi\u00e7a Especial de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">n.\u00ba 24.13.01.0001 com o desiderato de se apurar a conduta de Alexsander Oliveira de Andrade, gestor municipal de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o at\u00e9 31 de dezembro passado, ora demandado. Com efeito, mesmo ap\u00f3s se comprometer durante audi\u00eancia (ACP 201283001470) a regularizar o pagamento dos sal\u00e1rios atrasados dos servidores, acordo homologado atrav\u00e9s de senten\u00e7a, Alexsander Oliveira de Andrade, sem apresentar qualquer justificativa para tanto, quedou-se inerte, n\u00e3o pagando os sal\u00e1rios dos servidores municipais do m\u00eas de dezembro de 2012 bem como o 13\u00ba sal\u00e1rio, instando o Parquet a buscar a execu\u00e7\u00e3o do aludido acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outra banda, a sr\u00aa Rivanda Farias de Oliveira, novel gestora, empossada em 1\u00ba de janeiro do corrente, apresentou a esta Promotoria de Justi\u00e7a relat\u00f3rio, anexo, dando conta de que, em que pese tenha o Munic\u00edpio recebido regularmente verbas no m\u00eas de dezembro, o pagamento dos sal\u00e1rios n\u00e3o foi realizado porquanto o demandado n\u00e3o empenhou tais sal\u00e1rios, n\u00e3o representando d\u00edvida municipal, em ato desrespeitoso aos servidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, verifica-se que o <strong>Sr. ALEXSANDER OLIVEIRA DE ANDRADE<\/strong>, ora requerido, no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Prefeito Municipal de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, era respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da folha de pagamento e, de forma injustific\u00e1vel, atrasou e\/ou reteve verbas remunerat\u00f3rias de servidores p\u00fablicos, revelando grave inefici\u00eancia funcional e des\u00eddia no trato da coisa p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a condu\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica causadora de perniciosas consequ\u00eancias aos administrados n\u00e3o pode ser vista como &#8220;mera desorganiza\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;falta de habilidade&#8221; do gestor p\u00fablico, configurando verdadeira pr\u00e1tica de improbidade administrativa, emergindo sempre que o administrador, atrav\u00e9s de atos ou omiss\u00f5es ilegais, realize gest\u00e3o p\u00fablica com grave inefici\u00eancia e deslealdade institucional, dentre outras poss\u00edveis inobserv\u00e2ncias aos deveres subjacentes \u00e0 legalidade e demais princ\u00edpios que regem a Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II \u2013 DO DIREITO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, cumpre ressaltar que o ato de improbidade administrativa para acarretar a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es previstas no art. 37, \u00a7 4\u00ba, da Lex Maxima e art. 12 da Lei 8.429\/92 exige a presen\u00e7a dos seguintes requisitos: a) sujeito ativo; b) sujeito passivo; c) ato danoso consistente em enriquecimento il\u00edcito, preju\u00edzo ao er\u00e1rio ou atentado contra os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica; e e) dolo ou culpa do sujeito ativo. \u00c9 comum confundir ato de improbidade administrativa com ato ilegal e lesivo ao patrim\u00f4nio p\u00fablico, pressuposto b\u00e1sico da a\u00e7\u00e3o popular. O conceito de improbidade \u00e9 bem mais amplo. \u00c9 o contr\u00e1rio de probidade, que significa qualidade de probo, integridade de car\u00e1ter, honradez. Logo, improbidade \u00e9 o mesmo que desonestidade, mau car\u00e1ter, falta de probidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, conceitua-se o ato de improbidade administrativa como sendo aquele praticado por agente p\u00fablico, no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es ou a pretexto de exerc\u00ealas, contr\u00e1rio \u00e0s normas da moral, \u00e0 lei e aos bons costumes, ou seja, aquele ato que indica falta de honradez e de retid\u00e3o de conduta no modo de proceder perante a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta ou indireta, nas tr\u00eas esferas pol\u00edticas, independentemente de dano patrimonial ao er\u00e1rio p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, o ilustre Alexandre de Moraes, in Direito Constitucional Administrativo, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Ed. Atlas, 2002, p\u00e1g. 320, conceitua atos de improbidade administrativa como sendo, in verbis:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c&#8230;aqueles que, possuindo natureza civil e devidamente tipificados em lei federal, ferem<br \/>\ndireta ou indiretamente os princ\u00edpios constitucionais e legais da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica,<br \/>\nindependentemente de importarem enriquecimento il\u00edcito ou de causarem preju\u00edzo<br \/>\nmaterial ao er\u00e1rio p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal inseriu disposi\u00e7\u00f5es para prevenir e reprimir os atos de improbidade. A prop\u00f3sito, prescreve o art. 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, verbis:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Art. 37.<\/strong> A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte: &#8230;\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00a7 4\u00ba, o legislador constituinte predefiniu as penalidades cab\u00edveis ao dispor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs atos de improbidade administrativa importar\u00e3o a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos, a perda da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao er\u00e1rio, na forma e grada\u00e7\u00e3o previstas em lei, sem preju\u00edzo da a\u00e7\u00e3o penal cab\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a Lei 8.429\/92, improbidade administrativa comporta claramente tr\u00eas modalidades. Os artigos 9\u00ba, 10 e 11 definem respectivamente os atos de improbidade administrativa que importam no enriquecimento il\u00edcito, que causam preju\u00edzo ao er\u00e1rio e que atentam contra os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, para ocorrer o ato de improbidade administrativa \u00e9 necess\u00e1ria a ocorr\u00eancia de um dos atos danosos previstos nos arts. 9\u00ba, 10 e 11, quais sejam, atos de improbidade administrativa que importam no enriquecimento il\u00edcito, que causam preju\u00edzo ao er\u00e1rio, e que atentam contra os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, independentemente de dano patrimonial ao er\u00e1rio p\u00fablico. Assim, deve haver ao menos um preju\u00edzo moral \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao demandado, investido na fun\u00e7\u00e3o de Prefeito de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, incumbia a gest\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico e o respeito pelos servidores, devendo evitar condutas omissivas que contrariassem as normas constitucionais que regulamentam a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, o que n\u00e3o ocorreu no presente caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em consequ\u00eancia, o demandado, sendo agente p\u00fablico, atentou contra os Princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica previstos no artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, notadamente os da LEGALIDADE, MORALIDADE, MOTIVA\u00c7\u00c3O e PROBIDADE ADMINISTRATIVA, ao atrasar, sem qualquer justificativa plaus\u00edvel, o sal\u00e1rio dos servidores da Prefeitura Municipal de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Sobre o n\u00e3o-pagamento de sal\u00e1rios como forma de atentado aos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o, ora transcrevo texto de Martha Figueiredo (FIGUEIREDO, Martha Carvalho Dias de. Viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da legalidade e aos deveres de lealdade institucional e inefici\u00eancia funcional. Configura\u00e7\u00e3o de ato de improbidade administrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jus Navigandi, Teresina, ano 15, n. 2434, 1 mar. 2010 . Dispon\u00edvel em:<br \/>\n. Acesso em: 21 fev. 2013.):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realidade comum em grande parte dos munic\u00edpios brasileiros \u00e9 o cont\u00ednuo e injustificado atraso ou reten\u00e7\u00e3o de pagamento da remunera\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, mesmo havendo regular execu\u00e7\u00e3o da receita or\u00e7ament\u00e1ria, o que viola aos princ\u00edpios da legalidade e dos deveres de lealdade institucional e efici\u00eancia administrativa. De fato, o n\u00e3o pagamento regular da remunera\u00e7\u00e3o dos servidores municipais ou a reten\u00e7\u00e3o de verbas salariais, mesmo quando o ente p\u00fablico recebe, pontualmente, os repasses federais e estaduais de verbas p\u00fablicas e recolhe regularmente as receitas pr\u00f3prias, sem apresenta\u00e7\u00e3o de anormalidades imprevis\u00edveis nas circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas subjacentes, \u00e9 conduta que visivelmente viola os princ\u00edpios regentes da atividade administrativa. Esse comportamento consubstancia grave inefici\u00eancia funcional que em muito supera a mera &#8220;desorganiza\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;falta de habilidade&#8221; para gerir a comuna, uma vez que, assim agindo, o gestor p\u00fablico estar\u00e1 tomando decis\u00f5es no \u00e2mbito administrativo \u2013 a exemplo do pagamento de outros credores em detrimento do pagamento da remunerac\u00e3o do funcionalismo p\u00fablico, na melhor das hip\u00f3teses cogit\u00e1veis \u2013 que importam sua responsabiliza\u00e7\u00e3o pelas conseq\u00fc\u00eancias a serem suportadas pelos administrados. Pagar outras despesas em detrimento do sal\u00e1rio \u2013 verba alimentar \u2013 dos servidores ou dar fim diverso aos recursos p\u00fablicos destinados a tal finalidade prim\u00e1ria \u00e9 ato de decis\u00e3o do administrador p\u00fablico que n\u00e3o autoriza simplesmente atribuir os atrasos ou reten\u00e7\u00f5es praticadas ao &#8220;fortuito&#8221;, &#8220;for\u00e7a maior&#8221;, &#8220;aus\u00eancia de recursos&#8221; ou &#8220;mera desorganiza\u00e7\u00e3o&#8221;. Diga-se, ademais, n\u00e3o ser poss\u00edvel ao gestor optar &#8211; de forma reiterada e por meses consecutivos \u2013 por realizar despesas outras sempre precedentes em ordem de prefer\u00eancia ao pagamento da remunera\u00e7\u00e3o dos servidores, pois que tais verbas possuem indubit\u00e1vel natureza alimentar que n\u00e3o enseja campo para o exerc\u00edcio da discricionariedade administrativa. A contrapresta\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra ofertada por funcion\u00e1rios p\u00fablicos est\u00e1 no patamar prim\u00e1rio de import\u00e2ncia das despesas realizadas pelo ente p\u00fablico, ao lado dos gastos despendidos para manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica, e tal prescinde de disposi\u00e7\u00e3o expressa de lei: al\u00e9m de decorrer do princ\u00edpio constitucional basilar do ordenamento jur\u00eddico brasileiro \u2013 dignidade da pessoa humana \u2013 trata-se de conclus\u00e3o a que chega, instintivamente, qualquer ser humano, ou seja, primeiro a necessidade de sobreviver, e da\u00ed a imprescindibilidade e primazia de satisfazer \u00e0s car\u00eancias alimentares e de sa\u00fade f\u00edsica e ps\u00edquica em detrimento das demais. Tal conduta \u2013 quanto mais quando perpetrada de forma reiterada,contumaz e injustificada \u2013 caracteriza, sim, ato de improbidade administrativa que fere, mortalmente, a legalidade e os deveres de lealdade institucional e efici\u00eancia funcional, pois que, a um s\u00f3 tempo, desrespeita o gestor p\u00fablico as normas legais, o devido zelo na administra\u00e7\u00e3o da coisa p\u00fablica e o dever de boa administra\u00e7\u00e3o, ou seja, de proporcionar o funcionamento regular, organizado, produtivo e eficaz do ente p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal posicionamento j\u00e1 fora, inclusive, adotado pelo Egr\u00e9gio STJ:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADMINISTRATIVO \u2013 A\u00c7\u00c3O CIVIL P\u00daBLICA \u2013 ATO DE IMPROBIDADE \u2013 EXPREFEITO \u2013 CONTRATA\u00c7\u00c3O DE SERVIDORES MUNICIPAIS SOB O REGIME EXCEPCIONAL TEMPOR\u00c1RIO \u2013 INEXIST\u00caNCIA DE ATOS TENDENTES \u00c0 REALIZA\u00c7\u00c3O DE CONCURSO P\u00daBLICO DURANTE TODO O MANDATO \u2013 OFENSA AOS PRINC\u00cdPIOS DA LEGALIDADE E DA MORALIDADE.<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Para a configura\u00e7\u00e3o do ato de improbidade n\u00e3o se exige que tenha havido dano ou preju\u00edzo material, restando alcan\u00e7ados os danos imateriais. (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Diante das Leis de Improbidade e de Responsabilidade Fiscal, inexiste espa\u00e7o para o administrador &#8220;desorganizado&#8221;e &#8220;despreparado&#8221;, n\u00e3o se podendo conceber que um Prefeito assuma a administra\u00e7\u00e3o de um Munic\u00edpio sem a observ\u00e2ncia das mais comezinhas regras de direito p\u00fablico(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Recurso especial conhecido em parte e, no m\u00e9rito, improvido. (STJ &#8211; REsp 708170 \/ MG ; RECURSO ESPECIAL 2004\/0171187-2 \u2013 Min. Eliana Calmon, 2\u00aa Turma, DJ 19.12.2005 p. 355)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, a reten\u00e7\u00e3o ou atraso reiterados e injustific\u00e1veis da remunera\u00e7\u00e3o e demais verbas salariais dos servidores municipais configura retardo ou omiss\u00e3o indevidos da pr\u00e1tica de ato de of\u00edcio, subsumindo-se n\u00e3o s\u00f3 ao caput do art. 11, da Lei 8.429\/92, como tamb\u00e9m ao seu inciso II. Acerca da materializa\u00e7\u00e3o do dispositivo citado leciona F\u00e1bio Medina Os\u00f3rio: &#8220;(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na concretiza\u00e7\u00e3o do tipo legal em exame, basta que, sem qualquer justifica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel, o agente retarde ou omita a pr\u00e1tica de atos de of\u00edcio, segundo a lei, vulnerando dispositivos que incidem na esp\u00e9cie. Os deveres p\u00fablicos relacionados com as fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser desprezados sem justifica\u00e7\u00e3o, donde surge a raz\u00e3o de ser da norma repressora. A aus\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o, em realidade, \u00e9 encarada como odioso capricho do administrador p\u00fablico, de tal forma que incide a respectiva censura ao seu comportamento, observadas as cautelas pertinentes no tocante ao \u00f4nus probat\u00f3rio e aos direitos defensivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda e qualquer omiss\u00e3o, em realidade, sem justificativa razo\u00e1vel, pode ensejar responsabilidades, mormente quando seus efeitos s\u00e3o delet\u00e9rios no setor p\u00fablico e suas causas injustific\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 claro que, no marco do tipo sancionador examinado, a tese defensiva ficar\u00e1 centrada na aus\u00eancia de dolo e na falta de previs\u00e3o de il\u00edcito culposo. Diga-se, no entanto, que o fardo probat\u00f3rio \u00e9 do acusado, desde que, sendo provado que tinha o dever de atuar, e oportunamente alertado, ainda assim permaneceu omisso.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse diapas\u00e3o, vislumbra-se que o atraso no pagamento dos sal\u00e1rios dos servidores ofendeu os princ\u00edpios da lealdade, da legalidade, da efici\u00eancia e da moralidade, enquadrando-se tal conduta no art. 11, da Lei 8.429\/92, sobretudo em seu inciso II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ante a pr\u00e1tica de tal conduta omissiva no mundo dos fatos, conforme se deu na forma acima narrada, nada mais natural que seja o demandado punido com a norma sancionat\u00f3ria contida no comando do art. 12, inciso III, da Lei 8.429\/92.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>III &#8211; DO PEDIDO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto posto, e ante aos argumentos expedidos, o MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO DO ESTADO DE SERGIPE requer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A notifica\u00e7\u00e3o do requerido para, querendo e no prazo de Lei previsto no artigo 17, \u00a7 7\u00ba, da Lei N.\u00ba 8.429\/92, oferecer manifesta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via por escrito;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja a inicial recebida, com a cita\u00e7\u00e3o do demandado dos termos da presente a\u00e7\u00e3o para, querendo e no prazo de lei, contest\u00e1-la, sob pena de revelia e confiss\u00e3o ficta (artigos 285, 297 e 319, do C\u00f3digo de Processo Civil);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final, seja julgada a presente a\u00e7\u00e3o PROCEDENTE, ao efeito de condenar ALEXSANDER OLIVEIRA DE ANDRADE nas san\u00e7\u00f5es do art. 12, inciso III, da Lei 8.429\/92, em decorr\u00eancia da pr\u00e1tica de ato de improbidade administrativa, conforme apurado nos autos do Procedimento de Inqu\u00e9rito Civil, que acompanha a presente;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Protesta e requer comprovar o alegado pela produ\u00e7\u00e3o de todo g\u00eanero de provas admitidas em Direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Requer a condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u aos \u00f4nus da sucumb\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e1-se \u00e1 causa o valor de R$ 1.000.000,00 (hum milh\u00e3o de reais).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes termos, Pede e espera deferimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, 28 de fevereiro de 2012.<\/strong><br \/>\n<strong> Antonio Forte de Souza Junior<\/strong><br \/>\n<strong> Promotor de Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Sergipe ajuizou, no dia 28 de fevereiro, uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica por improbidade administrativa contra o ex-prefeito do munic\u00edpio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (a 25 Km de Aracaju), Alexsander Oliveira de Andrade (Alex Rocha). Confira abaixo a \u00edntegra da decis\u00e3o. O MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO DO ESTADO DE SERGIPE, por interm\u00e9dio de seu representante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":45223,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[310,38,3],"tags":[],"class_list":{"0":"post-45222","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques-da-semana","8":"category-municipios","9":"category-saocristovao"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45222"}],"collection":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45222\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}