{"id":26904,"date":"2012-03-11T13:45:03","date_gmt":"2012-03-11T16:45:03","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=26904"},"modified":"2012-03-11T13:46:17","modified_gmt":"2012-03-11T16:46:17","slug":"o-perigo-de-nao-vacinar-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/o-perigo-de-nao-vacinar-as-criancas\/","title":{"rendered":"O perigo de n\u00e3o vacinar as crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fato cient\u00edfico que as vacinas trazem muito mais benef\u00edcios do que os poss\u00edveis efeitos adversos. Mas um grupo de pessoas vem optando por n\u00e3o imunizar os filhos para doen\u00e7as que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria.<\/p>\n<div id=\"attachment_26905\" style=\"width: 607px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/vacinacao-vacina-criancas-20120308-size-598.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26905\" class=\"size-full wp-image-26905\" title=\"vacinacao-vacina-criancas-20120308-size-598\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/vacinacao-vacina-criancas-20120308-size-598.jpg\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/vacinacao-vacina-criancas-20120308-size-598.jpg 597w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/vacinacao-vacina-criancas-20120308-size-598-300x168.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/vacinacao-vacina-criancas-20120308-size-598-342x192.jpg 342w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26905\" class=\"wp-caption-text\">Calend\u00e1rio b\u00e1sico de vacina\u00e7\u00e3o: at\u00e9 os 10 anos de idade, a crian\u00e7a deve tomar as 28 doses das vacinas dispon\u00edveis pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (Thinkstock)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de ser erradicada com o uso maci\u00e7o de vacinas, no final dos anos 1970, a var\u00edola matou 300 milh\u00f5es de pessoas, contando apenas o s\u00e9culo XX. O sarampo, uma doen\u00e7a altamente contagiosa, foi respons\u00e1vel por cerca de 2,6 milh\u00f5es de mortes por ano, antes de 1980, \u00e9poca em que come\u00e7aram as intensas campanhas de vacina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os casos de poliomielite, doen\u00e7a que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a preven\u00e7\u00e3o com vacina teve in\u00edcio. Criadas em 1796, pelo m\u00e9dico brit\u00e2nico Edward Jenner, as vacinas deram in\u00edcio a uma revolu\u00e7\u00e3o na medicina preventiva \u2013 tornando poss\u00edvel evitar a ocorr\u00eancia de doen\u00e7as letais e contagiosas. H\u00e1 quem, no entanto, na contram\u00e3o de todas as evid\u00eancias cient\u00edficas, opte por n\u00e3o vacinar seus filhos. A lament\u00e1vel ideia encontrou abrigo entre um grupo de pais, grande parte da classe m\u00e9dia alta, que vem optando por n\u00e3o imunizar os filhos para doen\u00e7as que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria. Alguns por acreditarem em teorias ex\u00f3ticas e fraudulentas, outros por medo de que a vacina prejudique a sa\u00fade da crian\u00e7a e outros ainda, por quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, pensam resistir ao que seria uma imposi\u00e7\u00e3o criada pela ind\u00fastria farmac\u00eautica. Por um motivo ou outro, a irresponsabilidade pode colocar em risco n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade da crian\u00e7a, mas de todos \u00e0 sua volta, alertam especialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que estamos percebendo \u00e9 que h\u00e1 um aumento, mesmo que pequeno, no n\u00famero de pais que buscam m\u00e9dicos que orientam a n\u00e3o vacinar a crian\u00e7a&#8221;, diz Eitan Berezin, presidente do Departamento Cient\u00edfico Infeccioso da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Apesar de representarem ainda uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira, esses pais que optam por n\u00e3o imunizar os filhos para determinadas doen\u00e7as se concentram nas classes mais altas da sociedade, aquelas que, pelo menos na teoria, tiveram e t\u00eam acesso a informa\u00e7\u00e3o de boa qualidade. Entre os argumentos mais triviais para a recusa est\u00e1 o medo de que a vacina traga problemas s\u00e9rios de sa\u00fade, como o autismo, e a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 desnecess\u00e1rio se prevenir contra doen\u00e7as que t\u00eam ocorr\u00eancia baixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os riscos de a crian\u00e7a desenvolver uma complica\u00e7\u00e3o s\u00e9ria em fun\u00e7\u00e3o da vacina s\u00e3o muito menores do que os de ela contrair a doen\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 nem compara\u00e7\u00e3o. E isso n\u00e3o \u00e9 algo que eu acho ou acredito, \u00e9 um fato comprovado cientificamente&#8221;, diz o pediatra americano Paul Offit, um dos maiores especialistas no assunto. Al\u00e9m de professor da Universidade da Filad\u00e9lfia, \u00e9 ex-membro do Centro para Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC, sigla em ingl\u00eas) e autor dos livros Deadly Choices: How the Anti-Vaccine Movement Threatens Us All (Escolhas mortais: como o movimento anti-vacina amea\u00e7a a todos n\u00f3s, sem edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas) e Autism&#8217;s False Prophets: Bad Science, Risky Medicine, and the Search for a Cure (Falsos profetas do autismo: ci\u00eancia ruim, medicina de risco e a procura pela cura, tamb\u00e9m sem edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abastados e desprotegidos<\/strong> \u2014 De acordo com um levantamento recente feito a pedido do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e publicado no peri\u00f3dico m\u00e9dico Vaccine, 82,6% das crian\u00e7as brasileiras tomaram todas as vacinas recomendadas at\u00e9 os 18 meses de idade. O estudo, que avaliou 17.295 crian\u00e7as das 27 capitais, descobriu, no entanto, um dado inusitado: nas classes mais ricas das capitais mais ricas a vacina\u00e7\u00e3o era deficit\u00e1ria. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, 71% das crian\u00e7as do estrato A (o mais rico) haviam recebido a imuniza\u00e7\u00e3o completa \u2014 enquanto no estrato E (o mais pobre), a cobertura era de 81%. &#8220;Uma das raz\u00f5es para essa discrep\u00e2ncia \u00e9 a ideia de que \u00e9 exagero vacinar os filhos contra algumas doen\u00e7as&#8221;, diz Jos\u00e9 Cassio de Moraes, professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de S\u00e3o Paulo, membro do Comit\u00ea T\u00e9cnico Assessor de Imuniza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As vacinas que costumeiramente s\u00e3o mais descartadas s\u00e3o a de sarampo, difteria, hepatite B e da gripe. &#8220;Desde a d\u00e9cada de 1970 os casos dessas doen\u00e7as s\u00e3o muito baixos. Esses pais nunca tiveram de lidar, de temer essas doen\u00e7as, ent\u00e3o deixam de vacinar acreditando que o filho n\u00e3o corre riscos&#8221;, diz Ed\u00e9cio Cunha Neto, diretor do Laborat\u00f3rio de Investiga\u00e7\u00e3o M\u00e9dica de Imunologia Cl\u00ednica e Alergia da USP. Mas, se para muitos a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica nos casos dessas doen\u00e7as \u00e9 motivo para burlar o calend\u00e1rio b\u00e1sico de vacina\u00e7\u00e3o, para outros, ela pode significar s\u00e9rias complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vacinas causam autismo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe nenhuma evid\u00eancia cient\u00edfica que comprove que qualquer vacina possa levar ao desenvolvimento do autismo. O alarde sobre o assunto teve in\u00edcio em 1998, quando o m\u00e9dico brit\u00e2nico Andrew Wakefield publicou um artigo no peri\u00f3dico The Lancet correlacionando a vacina tr\u00edplice viral com a doen\u00e7a. A tese foi desmascarada seis anos depois, pelo jornalista Brian Deer, como sendo uma fraude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imunidade coletiva<\/strong> \u2014 H\u00e1 dentro dos programas de vacina\u00e7\u00e3o o que se costuma chamar de imunidade de rebanho. A ideia \u00e9 que quando voc\u00ea vacina, no m\u00ednimo, 95% das crian\u00e7as de uma comunidade, todas ficam protegidas. Nesses 5% restantes, explicam os especialistas, estariam aquelas que por algum motivo n\u00e3o podem tomar vacina. No grupo est\u00e3o, segundo Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (Sbim), crian\u00e7as com c\u00e2ncer, aids, com insufici\u00eancia renal ou com outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas que comprometem o sistema imunol\u00f3gico. &#8220;Elas se protegem quando h\u00e1 a garantia de que as outras crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o transmitir a doen\u00e7a para ela. Vacinar o filho \u00e9 mais do que uma a\u00e7\u00e3o individual&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma crian\u00e7a \u00e9 vacinada, formas amenizadas ou mortas de v\u00edrus ou de bact\u00e9rias que causam doen\u00e7as s\u00e3o injetadas dentro do corpo. O sistema imunol\u00f3gico reconhece esses organismos e desenvolve anticorpos contra eles. Esses anticorpos ficam, ent\u00e3o, armazenados dentro do batalh\u00e3o de c\u00e9lulas de defesa do corpo, para combater a doen\u00e7a em caso de uma exposi\u00e7\u00e3o futura. Se a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 vacinada, no entanto, ela obviamente se torna suscet\u00edvel \u00e0 doen\u00e7a \u2014 e pode se tornar um potencial agente de transmiss\u00e3o e at\u00e9 mesmo iniciar um surto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vacinas demais?<\/strong> \u2014 \u00c9 esse mecanismo usado para criar os anticorpos que preocupa algumas pessoas. H\u00e1 quem diga que os riscos de efeitos adversos n\u00e3o valham a pena, se a crian\u00e7a tem uma sa\u00fade plena. &#8220;N\u00e3o sou contra vacinar, mas acredito que existe hoje um exagero. H\u00e1 vacinas demais&#8221;, afirma Liliane Azambuja, pediatra homeopata e criadora da comunidade virtual Tem Vacina D+. De acordo com a m\u00e9dica, as chamadas doen\u00e7as da inf\u00e2ncia, como o sarampo, ajudam a fortalecer o sistema imunol\u00f3gico da crian\u00e7a saud\u00e1vel. &#8220;Cerca de 90% das crian\u00e7as que chegam ao meu consult\u00f3rio t\u00eam algum tipo de alergia. Elas s\u00e3o mais at\u00f3picas do que as crian\u00e7as de d\u00e9cadas atr\u00e1s. Claro que h\u00e1 outros fatores envolvidos, mas a vacina tem um papel importante&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a pediatra, seria ideal ainda que o calend\u00e1rio fosse repensado e as vacinas fossem dadas em per\u00edodos mais esparsos e tardios. A \u00e9poca de in\u00edcio da imuniza\u00e7\u00e3o mais adequada, seria, ent\u00e3o, aos seis meses de idade, quando o sistema imunol\u00f3gico do beb\u00ea j\u00e1 est\u00e1 mais amadurecido. &#8220;Uma enorme quantidade de organismos inoculados \u00e9 dado de uma vez a uma crian\u00e7a de meses. Acho isso muito agressivo, al\u00e9m de acreditar que possa ajudar a desenvolver doen\u00e7as autoimunes&#8221;, diz Liliane. \u00c9 bom lembrar que o sarampo \u00e9 uma doen\u00e7a altamente contagiosa e, embora na maioria dos casos n\u00e3o coloque em risco crian\u00e7as saud\u00e1veis, pode ser fatal para pessoas com o sistema imunol\u00f3gico sem resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vizinhan\u00e7a de risco<\/strong> \u2014 Felizmente, o movimento antivacina\u00e7\u00e3o ainda engatinha no Brasil. Em pa\u00edses da Europa e nos Estados Unidos, no entanto, ele vem causando surtos que preocupam as autoridades de sa\u00fade. Grupos antivacina\u00e7\u00e3o sempre existiram, mas em 1998 ganharam o refor\u00e7o que sempre esperaram. Um estudo publicado em um dos principais peri\u00f3dicos m\u00e9dicos do mundo, o brit\u00e2nico Lancet, de autoria do m\u00e9dico Andrew Wakefield, alegava que 12 crian\u00e7as que eram normais at\u00e9 receberem a vacina tr\u00edplice viral se tornaram autistas depois de desenvolverem inflama\u00e7\u00f5es intestinais. O estrago provocado foi grande. Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o da pesquisa, muitos pais optaram por deixar de vacinar os filhos contra as doen\u00e7as infantis. Como resultado, houve um aumento dos casos de sarampo na Europa e nos Estados Unidos, onde a ideia de que vacinas fazem mal tamb\u00e9m prosperou. Em 2008, tanto o Pa\u00eds de Gales quanto a Inglaterra registraram epidemias de rub\u00e9ola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo, por\u00e9m, era uma fraude. O jornalista Brian Deer desmascarou Wakefield, no British Medical Journal, ao provar que cinco das 12 crian\u00e7as j\u00e1 tinham problemas de desenvolvimento, fato encoberto pelo m\u00e9dico. V\u00e1rias pesquisas e investiga\u00e7\u00f5es (brit\u00e2nica, canadense e americana) foram feitas depois do controvertido estudo, que s\u00f3 levou em conta a pequena amostragem de 12 crian\u00e7as, e n\u00e3o encontraram rela\u00e7\u00e3o entre o aparecimento do autismo e a vacina tr\u00edplice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wakefield perdeu a licen\u00e7a m\u00e9dica, mas continua com certo prest\u00edgio nos Estados Unidos, onde vive e ainda defende a ideia de que vacinas podem causar autismo. Influenciada por Wakefield, uma celebridade de miolo mole chamada Jenny McCarthy, cujas grandes credenciais cient\u00edficas incluem ser ex-namorada de Jim Carrey e ex-coelhinha da Playboy, atribui o autismo de seu filho \u00e0s vacinas e vai frequentemente \u00e0 TV convencer os pais a n\u00e3o vacinarem seus filhos. O resultado da nefasta dupla ainda pode ser sentido em dois continentes. De acordo com o Centro Europeu para Preven\u00e7\u00e3o e Controle de Doen\u00e7as, em 2011 foram registrados 30.567 casos de sarampo em 29 pa\u00edses da Europa. Em 2009, foram 7.175. Nos Estados Unidos, o estado de Indiana registrou 14 casos de sarampo, em fevereiro, depois que duas pessoas contaminadas foram assistir aos jogos do Super Bowl. Dos contaminados, 13 n\u00e3o haviam sido imunizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, surtos do g\u00eanero ainda s\u00e3o pequenos. No estado de S\u00e3o Paulo, foram registrados, em 2011, 26 casos de sarampo. Desses, 60% ocorreram em pessoas n\u00e3o vacinadas \u2014 sete em crian\u00e7as menores de um ano, cinco em indiv\u00edduos n\u00e3o vacinados por op\u00e7\u00e3o e quatro casos sem vacina documentada. J\u00e1 na capital paulista foram 13 casos, com 10 ocorrendo em fun\u00e7\u00e3o da falta de vacina. O surto teve in\u00edcio em uma creche no bairro do Butant\u00e3, em seis beb\u00eas menores de um ano (idade indicada para a primeira dose), passando para quatro crian\u00e7as com idades entre cinco e 10 anos (que n\u00e3o haviam sido imunizadas). &#8220;Esses surtos costumam acontecer em bols\u00f5es pequenos, porque essas crian\u00e7as n\u00e3o vacinadas frequentam as mesmas escolas. Mas h\u00e1 sempre o risco, porque o v\u00edrus continua em circula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Jarbas Barbosa, secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro da lei \u2014<\/strong> A garantia da vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1, no entanto, institucionalizada no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA). Consta no artigo quarto que \u00e9 dever da fam\u00edlia assegurar a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos \u00e0 sa\u00fade. N\u00e3o h\u00e1, no entanto, nenhuma fiscaliza\u00e7\u00e3o que obrigue os pais a vacinar corretamente os filhos. Mas, de acordo com Ricardo Cabez\u00f3n, presidente da Comiss\u00e3o de Estudos do ECA da Ordem dos Advogados de S\u00e3o Paulo, cabe aos pais gerenciar esses direitos, e n\u00e3o dispor deles. &#8220;Se a crian\u00e7a vier a adoecer em fun\u00e7\u00e3o de uma falha na vacina\u00e7\u00e3o, isso pode levar \u00e0 perda do poder familiar. Os pais podem responder por crime de abandono, omiss\u00e3o dolosa ou culposa&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o advogado, h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre a escolha pessoal entre diversos tratamentos (que podem ser guiados pelas cren\u00e7as e filosofias dos pais) e a recusa dos mesmos. &#8220;S\u00f3 se pode tomar uma decis\u00e3o como essa quando h\u00e1 embasamento cient\u00edfico que o fundamente. N\u00e3o vai vacinar porque tem medo de alguma complica\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o, tenha todas as provas cient\u00edficas emitidas por autoridades m\u00e9dicas&#8221;, diz. Do contr\u00e1rio, garante Cabez\u00f3n, os pais correm o risco at\u00e9 mesmo de perder a guarda da crian\u00e7a. &#8220;H\u00e1 uma s\u00e9rie de medidas que um juiz pode tomar para garantir o direito da crian\u00e7a \u00e0 sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>Clique<a href=\"  http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/saude\/o-perigo-de-nao-vacinar-as-criancas\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff;\"> aqui<\/span> <\/a>e leia a mat\u00e9ria completa no site da VEJA<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 fato cient\u00edfico que as vacinas trazem muito mais benef\u00edcios do que os poss\u00edveis efeitos adversos. Mas um grupo de pessoas vem optando por n\u00e3o imunizar os filhos para doen\u00e7as que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria. 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