{"id":23285,"date":"2012-01-28T12:26:10","date_gmt":"2012-01-28T15:26:10","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=23285"},"modified":"2012-01-29T09:26:19","modified_gmt":"2012-01-29T12:26:19","slug":"as-policias-militares-diante-do-espelho-por-fabio-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/as-policias-militares-diante-do-espelho-por-fabio-lopes\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; &#8220;As Pol\u00edcias Militares: diante do espelho&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><\/p>\n<p>Artigo &#8211; &#8220;As Pol\u00edcias Militares: diante do espelho&#8221;<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><\/strong><span style=\"color: #333333;\"><strong>*por F\u00e1bio Lopes<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/images6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-23287\" title=\"images\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/images6.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/images6.jpg 259w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/images6-60x45.jpg 60w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/images6-150x113.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/><\/a>Demorou, mas chegaram os ventos das mudan\u00e7as entre n\u00f3s. S\u00e3o patentes como as institui\u00e7\u00f5es policiais militares foram e t\u00eam sido utilizadas pelas v\u00e1rias formas de poder ao longo do tempo; desde os donat\u00e1rios do Brasil col\u00f4nia, quando esta for\u00e7a ainda n\u00e3o se fazia perfeitamente estruturada, e, logo em seguida, pelo coronelismo e outrem. A pol\u00edcia militar foi criada justa a partir de uma confus\u00e3o entre o p\u00fablico e o privado; por \u00faltimo foi cooptada pelas for\u00e7as armadas (diga-se golpe militar de 1964). As ag\u00eancias de seguran\u00e7a nesse per\u00edodo foram permeadas pela persistente \u201cdoutrina de seguran\u00e7a nacional\u201d, que prega o combate aos inimigos fora dos muros dos quart\u00e9is, afastando as institui\u00e7\u00f5es de pol\u00edcias militares ainda mais do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, para as policias militares coube o papel de administra\u00e7\u00e3o da pobreza. Mesmo com o advento da Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de 1988, era necess\u00e1rio conter as massas de exclu\u00eddos que cobravam participa\u00e7\u00e3o nos bens de consumo do mundo capitalista; cabendo \u00e0s pol\u00edcias militares quase sempre o papel de preservarem e refor\u00e7arem os privil\u00e9gios das elites; da\u00ed, torna-se f\u00e1cil percebermos que \u201cembaixo de toda coroa existe uma cabe\u00e7a\u201d. Ao mesmo tempo em que a for\u00e7a policial militar \u00e9 utilizada para reprimir os movimentos sociais, os seus integrantes tamb\u00e9m eram reprimidos dentro do intranspon\u00edvel muro dos quart\u00e9is. Acreditavam-se, nos idos dos tempos, n\u00e3o haver espa\u00e7o de manobra para quem havia escolhido essa carreira; o seu ainda arcaico regulamento\/regramento \u201caponta a todo tempo para o militar como se fosse o dedo de Deus\u201d; na caserna \u201cordem dada \u00e9 ordem cumprida\u201d; o enquadramento do policial militar n\u00e3o lhe deixa lutar pelos seus direitos, convertendo-o em um n\u00e3o-cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avaliamos que o militarismo reproduzido por muito tempo nas escolas de forma\u00e7\u00e3o policial militar era o principal respons\u00e1vel por essa adequa\u00e7\u00e3o de postura opressora; o baixo grau de escolaridade dos seus outrora integrantes n\u00e3o lhes permitia enxergar por tr\u00e1s da cortina de fuma\u00e7a que envolve o nosso tecido social; pouco cr\u00e9dito era dado a essa profiss\u00e3o, at\u00e9 que os espa\u00e7os p\u00fablicos come\u00e7aram a ser segregados pelo fen\u00f4meno da viol\u00eancia. Viram-se, portanto, comunidades inteiras ref\u00e9ns da criminalidade; o que al\u00e7ou a pol\u00edcia militar aos v\u00e1rios olhares da sociedade, inclusive ao seu pr\u00f3prio espelho. Sendo por muitas vezes a primeira institui\u00e7\u00e3o a chegar aos grot\u00f5es do nosso pa\u00eds, em dado momento em que n\u00e3o se tinha quase nenhum servi\u00e7o b\u00e1sico, l\u00e1 estava \u00e0 face fardada do Estado, para administrar todo tipo de problema de ordem social, e n\u00e3o s\u00f3 os de seguran\u00e7a p\u00fablica. De tal modo, absorvendo quase sempre a hostilidade dos despossu\u00eddos, e sendo humilhada quando tentava aplicar a lei \u00e0 classe burguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as cobran\u00e7as sociais, aliadas \u00e0s novas levas de policiais militares com n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o elevado fizeram soprar os ventos das mudan\u00e7as dentro dos muros dos quart\u00e9is. V\u00e1rios projetos pedag\u00f3gicos foram simultaneamente aplicados, no sentido de reconstruir uma nova identidade para os profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica, agora se pautando no respeito aos direitos humanos e elegendo as pol\u00edcias a serem guardi\u00e3s desse mesmo direito; assim trazendo o policial a uma nova reflex\u00e3o acerca dos seus deveres e tamb\u00e9m dos seus direitos. A possibilidade de associa\u00e7\u00e3o prevista na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 nos possibilitou reivindicar direitos b\u00e1sicos inerentes a qualquer cidad\u00e3o; as poucas armas que o Estado democr\u00e1tico de direito nos deu est\u00e3o sendo utilizadas com pertin\u00eancia, o que muito certamente contraria os interesses de quem sempre usou as institui\u00e7\u00f5es policiais militares ao seu bel prazer. Nessa dimens\u00e3o<br \/>\nevolutiva, os PM\u2019s por certo n\u00e3o enxergam mais no espelho o reflexo dos seus superiores hier\u00e1rquicos, como dita o jarg\u00e3o nos ambientes dos quart\u00e9is que o comandante \u00e9 o espelho da tropa. Ora o que o policial militar v\u00ea refletido no espelho \u00e9 a sua pr\u00f3pria imagem enquanto sujeito da sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. O farol est\u00e1 apontando para a dire\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as; apesar de n\u00e3o podermos aproximar demais o fogo do estopim, pois n\u00e3o sabemos o quanto de p\u00f3lvora existe no barril. \u00c9 verdadeiro que as institui\u00e7\u00f5es demandam tempo para suas mudan\u00e7as necess\u00e1rias, todavia n\u00e3o \u00e9 ileg\u00edtimo que nessa perspectiva a PM\/SE nunca mais ser\u00e1 a mesma. A hist\u00f3ria ir\u00e1 j\u00e1 se encarregar de analisar as digitais dos que fomentaram essas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* \u00c9 policial militar, bacharel em gest\u00e3o p\u00fablica, especialista em viol\u00eancia, criminalidade e pol\u00edticas p\u00fablicas e acad\u00eamicas de direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>fabiolemoslopes@hotmail.com<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo &#8211; &#8220;As Pol\u00edcias Militares: diante do espelho&#8221; *por F\u00e1bio Lopes Demorou, mas chegaram os ventos das mudan\u00e7as entre n\u00f3s. 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