{"id":150161,"date":"2025-11-17T13:05:51","date_gmt":"2025-11-17T16:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=150161"},"modified":"2025-11-17T13:05:51","modified_gmt":"2025-11-17T16:05:51","slug":"a-duvida-como-solucao-descartes-e-o-combate-aos-golpes-digitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/a-duvida-como-solucao-descartes-e-o-combate-aos-golpes-digitais\/","title":{"rendered":"A d\u00favida como solu\u00e7\u00e3o: Descartes e o combate aos golpes digitais"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVII, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Ren\u00e9 Descartes, que ensinou o mundo a questionar para chegar \u00e0 verdade, defendia que, para alcan\u00e7ar o conhecimento verdadeiro, era preciso duvidar de tudo aquilo que pudesse ser falso. Essa d\u00favida met\u00f3dica, chamada de \u201cd\u00favida hiperb\u00f3lica\u201d, consistia em suspender todo ju\u00edzo diante do que n\u00e3o pudesse ser comprovado com clareza e evid\u00eancia, aceitando como verdadeiro apenas o que resistisse a esse exame rigoroso da raz\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_150163\" style=\"width: 608px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7ba89133-0e03-4b43-9c9e-fe72d1a9633c.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-150163\" class=\"size-full wp-image-150163\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7ba89133-0e03-4b43-9c9e-fe72d1a9633c.jpeg\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7ba89133-0e03-4b43-9c9e-fe72d1a9633c.jpeg 598w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7ba89133-0e03-4b43-9c9e-fe72d1a9633c-300x206.jpeg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7ba89133-0e03-4b43-9c9e-fe72d1a9633c-95x64.jpeg 95w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-150163\" class=\"wp-caption-text\">Andr\u00e9 Baronto escreve sobre descarte e o combate aos golpes digitais &#8211; Foto: arquivo\/SSP\/SE<\/p><\/div>\n<p>Hoje, essa li\u00e7\u00e3o \u00e9 mais atual do que nunca. Diante de um link desconhecido, de um contato que pede transfer\u00eancias urgentes ou de uma mensagem que parece vir do banco ou de um advogado, \u00e9 preciso aplicar o m\u00e9todo cartesiano: \u201cE se n\u00e3o for real?\u201d. Essa pausa racional \u2014 entre o impulso e a a\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 o que separa a seguran\u00e7a da fraude.<\/p>\n<p>No mesmo ritmo em que a tecnologia simplifica a vida do cidad\u00e3o, tamb\u00e9m se amplia o campo de atua\u00e7\u00e3o dos golpistas digitais, que exploram justamente a confian\u00e7a constru\u00edda pela conveni\u00eancia e manipulam a mente das v\u00edtimas. Nessa perspectiva, a d\u00favida torna-se a maior ferramenta no combate a esse tipo de fraude.<\/p>\n<p>Estudos recentes apontam um crescimento alarmante no n\u00famero de brasileiros que j\u00e1 foram v\u00edtimas de algum tipo de golpe digital. O preju\u00edzo n\u00e3o se limita ao valor perdido pela v\u00edtima: cada real desviado gera um custo tamb\u00e9m para empresas e institui\u00e7\u00f5es, somando perdas financeiras, horas de trabalho e danos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o dano emocional causado \u00e0s v\u00edtimas \u00e9, muitas vezes, dif\u00edcil de superar, n\u00e3o apenas pelo impacto financeiro, mas tamb\u00e9m pelo sentimento de culpa e pela vergonha.<\/p>\n<p>Combater crimes cibern\u00e9ticos exige mais do que rastrear digitalmente ou seguir o dinheiro. \u00c9 necess\u00e1rio concentrar esfor\u00e7os na preven\u00e7\u00e3o, compreender o comportamento humano, os mecanismos de persuas\u00e3o e a engenharia social que sustentam a fraude.<\/p>\n<p>Os golpes praticados no meio virtual evolu\u00edram. N\u00e3o se trata mais de simples mensagens mal redigidas ou falsos sorteios. S\u00e3o opera\u00e7\u00f5es bem orquestradas, com o uso de dados reais, linguagem convincente, manipula\u00e7\u00e3o emocional e uso de intelig\u00eancia artificial. O criminoso explora a pressa, o medo, a ansiedade e, por vezes, a usura da v\u00edtima. Ele sabe que, quanto mais intensa a emo\u00e7\u00e3o, menor \u00e9 a capacidade de racioc\u00ednio cr\u00edtico. Por isso, a d\u00favida se torna uma virtude.<\/p>\n<p>Descartes buscava a certeza por meio da d\u00favida met\u00f3dica. A sociedade deve buscar a seguran\u00e7a digital da mesma forma. Diante de cada pedido de transfer\u00eancia ou pagamento, de cada link, de cada promessa tentadora, a pergunta deve ser sempre a mesma: tenho certeza de quem est\u00e1 do outro lado?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como realizar qualquer a\u00e7\u00e3o sem antes submeter a solicita\u00e7\u00e3o a diversas etapas de confirma\u00e7\u00e3o. E, por \u00f3bvio, essas confirma\u00e7\u00f5es jamais poder\u00e3o ser obtidas por meio do pr\u00f3prio interlocutor.Em sua esmagadora maioria, os golpes s\u00f3 se concretizam com a participa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima enganada. O golpista sempre depende de uma a\u00e7\u00e3o da v\u00edtima \u2014 uma transfer\u00eancia, um pagamento, um clique, o fornecimento de um c\u00f3digo recebido. Sem isso, o golpe n\u00e3o se consuma. Por isso, antes de realizar qualquer a\u00e7\u00e3o, devemos seguir o m\u00e9todo cartesiano: o que pode ser posto em d\u00favida deve ser posto em d\u00favida, at\u00e9 restar aquilo que subsiste ao crivo.<\/p>\n<p>Enquanto a tecnologia avan\u00e7a, o crime tamb\u00e9m se sofistica. Assim, \u00e9 preciso estimular a capacidade humana de pensar criticamente. Esse \u00e9 o nosso melhor antiv\u00edrus. Duvidar n\u00e3o \u00e9 fraqueza \u2014 \u00e9 prote\u00e7\u00e3o. E, na era dos golpes digitais, a d\u00favida cartesiana \u00e9, sem d\u00favida, o mais moderno dos instrumentos de defesa.<\/p>\n<p>[*] \u00c9 delegado de Pol\u00edcia Civil de Sergipe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No s\u00e9culo XVII, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Ren\u00e9 Descartes, que ensinou o mundo a questionar para chegar \u00e0 verdade, defendia que, para alcan\u00e7ar o conhecimento verdadeiro, era preciso duvidar de tudo aquilo que pudesse ser falso. 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