{"id":150118,"date":"2025-11-13T11:13:43","date_gmt":"2025-11-13T14:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=150118"},"modified":"2025-11-13T11:24:14","modified_gmt":"2025-11-13T14:24:14","slug":"especialista-analisa-impasse-da-seguranca-publica-no-brasil-e-alerta-seguimos-sem-um-projeto-real-para-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/especialista-analisa-impasse-da-seguranca-publica-no-brasil-e-alerta-seguimos-sem-um-projeto-real-para-o-pais\/","title":{"rendered":"Especialista analisa impasse da seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil e alerta: \u201cSeguimos sem um projeto real para o pa\u00eds\u201d"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"126\" data-end=\"443\"><strong data-start=\"126\" data-end=\"314\">Em artigo exclusivo para o portal SE Not\u00edcias, o advogado e especialista em Viol\u00eancia, Criminalidade e Pol\u00edticas P\u00fablicas pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), F\u00e1bio Lemos Lopes,<\/strong> analisa que, entre a romantiza\u00e7\u00e3o do crime e o discurso do confronto, o Brasil segue sem um projeto real de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p data-start=\"445\" data-end=\"801\">Analistas previam que o tema dominaria a pauta das elei\u00e7\u00f5es de 2026. Todavia, a <strong>Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 contra o <strong>Comando Vermelho (CV)<\/strong> \u2014, realizada pelas pol\u00edcias Civil e Militar do governo Cl\u00e1udio Castro, antecipou de forma tr\u00e1gica esse debate. O saldo: <strong>121 pessoas mortas (das quais quatro eram policiais)<\/strong>, 93 fuzis apreendidos, drogas e <strong>113 pessoas presas.<\/strong><\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o, considerada a mais letal do Brasil, foi classificada como um sucesso pelo governador e recebeu amplo apoio popular. No entanto, \u00e9 preciso refletir: qual o sucesso de uma a\u00e7\u00e3o em que quatro policiais s\u00e3o mortos, outros ficam feridos e nenhuma mudan\u00e7a estrutural ocorre nas comunidades ainda dominadas pelo crime? A sociedade, de certo modo, \u201cpuxou o gatilho\u201d junto com a pol\u00edcia.<\/p>\n<div id=\"attachment_150123\" style=\"width: 606px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Fabio-Lemos-SE-Noticias.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-150123\" class=\"size-full wp-image-150123\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Fabio-Lemos-SE-Noticias.jpeg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"820\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Fabio-Lemos-SE-Noticias.jpeg 596w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Fabio-Lemos-SE-Noticias-218x300.jpeg 218w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-150123\" class=\"wp-caption-text\">O Brasil tem a pol\u00edcia que mais mata e a que mais morre, escreve Dr. F\u00e1bio Lopes &#8211; Foto: arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica abriu a chamada <strong>janela de Overton<\/strong>, permitindo a aceita\u00e7\u00e3o, por parte da popula\u00e7\u00e3o, da \u201cmatan\u00e7a\u201d e de outras pr\u00e1ticas travestidas de pol\u00edtica de seguran\u00e7a. De um lado, h\u00e1 correntes ideol\u00f3gicas que enxergam o criminoso apenas como v\u00edtima do contexto social, romantizando o crime. De outro, grupos que tratam a seguran\u00e7a p\u00fablica de forma casu\u00edstica, sustentando o discurso de que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d e cooptando parte das for\u00e7as de seguran\u00e7a para essa narrativa.<\/p>\n<p>Importante destacar que essa constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica n\u00e3o alcan\u00e7a as classes mais abastadas, para as quais o Estado continua oferecendo prote\u00e7\u00e3o seletiva. Assim, ambos os espectros pol\u00edticos carecem de um projeto consistente e duradouro de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>O cansa\u00e7o social tem alimentado o discurso do confronto. O brasileiro comum j\u00e1 n\u00e3o suporta mais ver seu celular \u2014 comprado a presta\u00e7\u00f5es \u2014 ser furtado a caminho do trabalho. O morador das favelas, por sua vez, convive diariamente com a viol\u00eancia do crime organizado e com a aus\u00eancia do Estado. Esse desamparo coletivo estimula o apoio a medidas imediatistas, ainda que ineficazes e sangrentas. O resultado \u00e9 um paradoxo: o Brasil tem a pol\u00edcia que mais mata e tamb\u00e9m a que mais morre. Seja sob governos de esquerda ou de direita, a l\u00f3gica permanece a mesma.<\/p>\n<p>Em alguns estados, a manuten\u00e7\u00e3o da chamada \u201ctranquilidade social\u201d se apoia no uso em larga escala dos \u201cautos de resist\u00eancia\u201d, que se transformaram em ativo pol\u00edtico de governadores. O governo federal, por sua vez, implementou a Lei Antifac\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o consegue avan\u00e7ar na aprova\u00e7\u00e3o da PEC da Seguran\u00e7a P\u00fablica. Enquanto isso, setores da direita tentam classificar organiza\u00e7\u00f5es criminosas como \u201cnarcoterroristas\u201d \u2014 uma medida que, na pr\u00e1tica, pouco muda, al\u00e9m de abrir brechas para interfer\u00eancia estrangeira na soberania nacional e para o deslocamento de compet\u00eancias internas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o cen\u00e1rio complexo e delet\u00e9rio da seguran\u00e7a p\u00fablica brasileira. Todavia, h\u00e1 uma centelha de esperan\u00e7a: a <strong>CPI do Crime Organizado<\/strong>, instalada no Senado e composta por t\u00e9cnicos s\u00e9rios da \u00e1rea, pode finalmente apontar o bra\u00e7o pol\u00edtico do crime e propor solu\u00e7\u00f5es estruturantes.<\/p>\n<p>Parafraseando <strong>Oscar Wilde<\/strong>: \u201cO Brasil passou da barb\u00e1rie \u00e0 decad\u00eancia sem ainda conhecer a civiliza\u00e7\u00e3o.\u201d A frase ilustra bem o ponto a que chegamos e a urg\u00eancia de repensar nossas pol\u00edticas de seguran\u00e7a de forma t\u00e9cnica, humana e integrada.<\/p>\n<p><strong>Por F\u00e1bio Lemos Lopes<\/strong>, Policial Militar de R\/R, advogado e especialista em Viol\u00eancia, Criminalidade e Pol\u00edticas P\u00fablicas pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).<\/p>\n<p><em><strong>Acompanhe o SE Not\u00edcias no<\/strong><span class=\"apple-converted-space\"><b>\u00a0<\/b><\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Twitter<\/b><\/a><strong>,<\/strong><span class=\"apple-converted-space\"><b>\u00a0<\/b><\/span><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Facebook<\/b><span class=\"apple-converted-space\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/a><strong>e no<\/strong><span class=\"apple-converted-space\"><b>\u00a0<\/b><\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Instagram<\/b><\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo exclusivo para o portal SE Not\u00edcias, o advogado e especialista em Viol\u00eancia, Criminalidade e Pol\u00edticas P\u00fablicas pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), F\u00e1bio Lemos Lopes, analisa que, entre a romantiza\u00e7\u00e3o do crime e o discurso do confronto, o Brasil segue sem um projeto real de seguran\u00e7a p\u00fablica. 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