{"id":147997,"date":"2025-06-07T10:38:55","date_gmt":"2025-06-07T13:38:55","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=147997"},"modified":"2025-06-07T11:08:17","modified_gmt":"2025-06-07T14:08:17","slug":"flores-para-todos-girassois-florescem-como-alternativa-de-renda-em-assentamentos-rurais-de-sao-cristovao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/flores-para-todos-girassois-florescem-como-alternativa-de-renda-em-assentamentos-rurais-de-sao-cristovao\/","title":{"rendered":"Flores para Todos: girass\u00f3is florescem como alternativa de renda em assentamentos rurais de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Yago de Andrade*<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cSempre plantei milho, feij\u00e3o e amendoim, mas nunca tinha pensado em plantar flor\u201d, conta Maria Soares, de 56 anos, enquanto v\u00ea os girass\u00f3is desabrocharem ao lado das hortali\u00e7as, cereais e ra\u00edzes nos quintais produtivos do <strong>Acampamento Nossa Senhora D\u2019Ajuda, no povoado Cabrita, em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o<\/strong>. Ela \u00e9 uma das protagonistas de uma transforma\u00e7\u00e3o por enquanto silenciosa, mas profundamente simb\u00f3lica: o cultivo de flores como instrumento de inclus\u00e3o produtiva, renda e autoestima para produtores rurais da <strong>Cidade M\u00e3e de Sergipe<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_148004\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-148004\" class=\"size-full wp-image-148004\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1.jpg\" alt=\"\" width=\"594\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1.jpg 594w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1-300x193.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1-190x122.jpg 190w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1-120x76.jpg 120w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacao-de-Girassois-Emilia-Maria-SE-Noticias-1-220x140.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-148004\" class=\"wp-caption-text\"><br \/>Maria Soares \u00e9 uma das agricultoras envolvidas no projeto Flores para Todos &#8211; Foto: Yago Andrade<\/p><\/div>\n<p>Essa \u00e9 a realidade do \u201c<strong>Flores para Todos<\/strong>\u201d, uma iniciativa nacional criada em 2018 e considerada o maior projeto de extens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de flores no Brasil. Com ra\u00edzes na outra ponta do pa\u00eds, mais especificamente na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, ele nasceu como ferramenta de diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, inclus\u00e3o social e valoriza\u00e7\u00e3o da agricultura familiar. Desde seu surgimento, a iniciativa j\u00e1 contemplou 462 fam\u00edlias rurais, em 299 munic\u00edpios, alcan\u00e7ando de Norte a Sul do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>Na antiga capital sergipana, o projeto chegou em 2024 como uma semente, trazida pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), em parceria com a Prefeitura de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. L\u00e1, o \u201cFlores para Todos\u201d ganhou ch\u00e3o em tr\u00eas comunidades lideradas por movimentos sociais: Acampamento Nossa Senhora D\u2019Ajuda, no povoado Cabrita; Assentamento Florestan Fernandes, no povoado Rita Cacete; e Assentamento Em\u00edlia Maria, no povoado Umbaub\u00e1. S\u00e3o nesses espa\u00e7os, marcados pela resist\u00eancia, que as flores passam a brotar com a esperan\u00e7a de novas fontes de renda e de futuro para as comunidades.<\/p>\n<div id=\"attachment_147998\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-147998\" class=\"size-full wp-image-147998\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias.jpg 600w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias-300x200.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias-90x60.jpg 90w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias-180x120.jpg 180w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Plantacoes-de-Girassois-SE-Noticias-95x64.jpg 95w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-147998\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 da Silva e sua filha, Joana Ang\u00e9lica na planta\u00e7\u00e3o de girass\u00f3is da fam\u00edlia &#8211; Foto: Yago de Andrade<\/p><\/div>\n<p>\u201cA gente tinha medo no in\u00edcio porque era algo que n\u00e3o t\u00ednhamos costume de plantar. \u00c9 uma novidade. Fui criado na ro\u00e7a, plantando hortali\u00e7as com o meu pai e nunca tinha pensado em plantar flor. Agora que a gente viu que \u00e9 algo que d\u00e1 certo, quero deixar meu quintal todo florido\u201d, projeta empolgado o agricultor Jos\u00e9 da Silva, que reside h\u00e1 8 anos no Assentamento Em\u00edlia Maria, junto com a esposa Maria Expedita e a filha Joana Ang\u00e9lica.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o do setor ornamental no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Se em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o o cultivo de flores para comercializa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma novidade que aos poucos vai enchendo os olhos de agricultores familiares como Maria Soares e Seu Jos\u00e9, no contexto nacional, o mercado do setor ornamental (flores e plantas) j\u00e1 \u00e9 algo consolidado e que segue em pleno crescimento, principalmente nas regi\u00f5es Sudeste e Sul.<\/p>\n<p>Divulgados em 2024, os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), entidade que representa as empresas que atuam em toda a cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais do pa\u00eds, apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) do mercado de flores no Brasil quase dobrou entre 2017 e 2023 \u2013 um salto de R$ 10 bilh\u00f5es para R$ 19,9 bilh\u00f5es. O destaque fica com o desempenho do Estado de S\u00e3o Paulo, cujo com\u00e9rcio representou 40% do valor total do PIB, com R$ 7,8 bilh\u00f5es movimentados em 2023.<\/p>\n<p>\u00c9 em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m que est\u00e3o concentrados a maioria dos produtores do Brasil. S\u00e3o 4200 dos 8300 que o pa\u00eds possui, grande parte deles com sede na famosa \u201cCapital Nacional das Flores\u201d, Holambra. Em todo territ\u00f3rio brasileiro, s\u00e3o aproximadamente 15.600 hectares destinados ao cultivo de flores e plantas, e cerca de 2.500 esp\u00e9cies produzidas.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o levantamento do Instituto, dos quase R$ 20 bilh\u00f5es de faturamento do setor, 17% do total s\u00e3o correspondentes \u00e0 floricultura, com R$ 3,3 bilh\u00f5es. Apesar do valor consider\u00e1vel, ela ainda segue atr\u00e1s de outros produtos dentro dessa cadeia produtiva, como \u00e9 o caso da decora\u00e7\u00e3o (30% do valor total), autosservi\u00e7o\/supermercado (21%) e paisagismo (20%).<\/p>\n<p>O levantamento mostra ainda que o setor de produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de flores e plantas geraram em 2023 cerca de 272 mil empregos diretos e 800 mil indiretos, sendo o setor agropecu\u00e1rio que mais empregou mulheres, correspondendo a 48% da for\u00e7a de trabalho total.<\/p>\n<p>J\u00e1 no que diz respeito a \u00e1rea percentual por segmento de produ\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico do Ibraflor aponta que as flores ornamentais, como os girass\u00f3is, representam 15% do total, ficando atr\u00e1s das flores em vaso (58%) e das plantas ornamentais (24%).<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia que floresce no campo<\/strong><\/p>\n<p>Na perspectiva de estimular essa produ\u00e7\u00e3o de flores ornamentais no pa\u00eds, o projeto \u201cFlores para Todos\u201d tem se tornado um grande colaborador. Liderando esse projeto inovador, as equipes PhenoGlad s\u00e3o as respons\u00e1veis por coordenar a parte t\u00e9cnica e cient\u00edfica em \u00e2mbito nacional. Vinculadas \u00e0 UFSM, as equipes s\u00e3o distribu\u00eddas por institui\u00e7\u00f5es de ensino, extens\u00e3o e pesquisa, tanto privadas quanto p\u00fablicas, criando assim uma rede de colabora\u00e7\u00e3o nacional, permitindo a coleta de informa\u00e7\u00f5es em diferentes regi\u00f5es com variados climas e tipos de solo. Al\u00e9m disso, o trabalho tamb\u00e9m busca identificar as necessidades pr\u00e1ticas atuais dos produtores de flores, que requerem pesquisas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dessa organiza\u00e7\u00e3o, as Equipes PhenoGlad obt\u00eam informa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias sobre a intera\u00e7\u00e3o entre Gen\u00f3tipo (as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas das plantas), Ambiente (condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de solo), Manejo (pr\u00e1ticas agr\u00edcolas) e Produtor. Isso contribui para aprimorar a efici\u00eancia dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o de flores, aumentar os lucros das fam\u00edlias produtoras e orientar temas de pesquisa que podem ser imediatamente aplicados aos produtores de flores no Brasil.<\/p>\n<p>Nereu Augusto Streck, \u00e9 professor do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ci\u00eancias Rurais da UFSM, coordenador nacional do projeto \u201cFlores para Todos\u201d e da Equipe PhenoGlad. Ele explica que, at\u00e9 o momento, cinco esp\u00e9cies de flores de corte j\u00e1 foram inclu\u00eddas no projeto no territ\u00f3rio nacional: glad\u00edolos, statice, d\u00e1lia de corte, ornithogalum e o girassol de corte. \u201cEstas cinco esp\u00e9cies passaram por rigorosos testes e se adaptam ao cultivo a c\u00e9u aberto de Norte a Sul do Brasil e tem \u00f3tima aceita\u00e7\u00e3o no mercado das flores\u201d, detalha o professor.<\/p>\n<p>No menor estado do pa\u00eds em \u00e1rea territorial, a produ\u00e7\u00e3o de flores de corte ainda n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o presente, sobretudo quando se fala em uma perspectiva coletiva. Para mudar essa l\u00f3gica, o \u201cFlores para Todos\u201d desembarcou no ano passado em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o de forma experimental e foi se consolidando. Buscando levar mais do que lucro para os produtores, ele traz consigo impactos positivos para autoestima, coopera\u00e7\u00e3o e visibilidade para territ\u00f3rios muitas vezes esquecidos.<\/p>\n<p>Segundo o professor da UFSM, exemplos como o que vem ocorrendo em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o j\u00e1 podem ser vistos no pa\u00eds inteiro. \u201cOs impactos do projeto at\u00e9 o momento s\u00e3o a profissionaliza\u00e7\u00e3o de 462 fam\u00edlias na produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de flores, a valoriza\u00e7\u00e3o e empoderamento da mulher na fam\u00edlia rural, a gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda para os produtores e a sucess\u00e3o familiar no campo\u201d, aponta Streck.<\/p>\n<p>Na Cidade M\u00e3e de Sergipe, o projeto trabalha inicialmente com a esp\u00e9cie de girassol de corte Vincent Choice, aqueles com hastes longas e resistentes, colhidos ainda jovens e perfeitos para arranjos e comercializa\u00e7\u00e3o em buqu\u00eas. Por possu\u00edrem um f\u00e1cil manejo e ciclo de desenvolvimento curto (50 a 60 dias), a esp\u00e9cie \u00e9 uma excelente alternativa para produtores rurais que desejam diversificar a sua produ\u00e7\u00e3o e aumentar seus lucros. Al\u00e9m disso, \u00e9 um tipo de girassol sem produ\u00e7\u00e3o de p\u00f3len, o que resulta numa maior durabilidade no uso ornamental e pode ser plantada em qualquer \u00e9poca do ano.<\/p>\n<p>E n\u00e3o foi por acaso que S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o foi o munic\u00edpio escolhido para dar o pontap\u00e9 inicial do projeto em Sergipe. As comunidades lideradas por movimentos sociais como Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), s\u00e3o extremamente organizadas, o que facilitou todo o processo de implanta\u00e7\u00e3o do projeto. Al\u00e9m disso, o apoio da Prefeitura Municipal que enxergou na iniciativa uma nova possibilidade de desenvolvimento sustent\u00e1vel no campo foi fundamental para que a escolha fosse feita.<\/p>\n<p>Desde a implanta\u00e7\u00e3o do projeto na cidade, as 30 fam\u00edlias envolvidas nestas tr\u00eas comunidades sancristovenses passaram e ainda ir\u00e3o passar por diversas capacita\u00e7\u00f5es ofertadas pela UFS para que a produ\u00e7\u00e3o das flores de fato se consolide. S\u00e3o oficinas que abordam sobre o manejo do solo, o cultivo, at\u00e9 a montagem de buqu\u00eas e a precifica\u00e7\u00e3o de cada flor que sai dos quintais. \u201cAs oficinas s\u00e3o realizadas em fun\u00e7\u00e3o das necessidades das comunidades. Buscamos sempre estar dialogando com os produtores para sentir qual a demanda que eles possuem\u201d, detalha a coordenadora do projeto em Sergipe e professora do Departamento de Agronomia da UFS, Maria Aparecida Moreira.<\/p>\n<p>Os resultados do \u00faltimo ano s\u00e3o animadores. Al\u00e9m do interesse e do engajamento dos agricultores, motivados especialmente pela proposta inovadora e pelas perspectivas reais de retorno financeiro, os girass\u00f3is cultivados no territ\u00f3rio sancristovense j\u00e1 demonstram o potencial desse novo produto, que vem desabrochando aos poucos. \u201cAs tr\u00eas comunidades selecionadas j\u00e1 realizaram o plantio e o cultivo, e o nosso objetivo inicial era obter flores dentro do padr\u00e3o de qualidade exigido pelas floriculturas. E conseguimos\u201d, relata a professora.<\/p>\n<div id=\"attachment_148000\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-148000\" class=\"size-full wp-image-148000\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias.jpg 600w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias-300x200.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias-90x60.jpg 90w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias-180x120.jpg 180w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassol-de-corte-Vincent-Choice-Se-Noticias-95x64.jpg 95w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-148000\" class=\"wp-caption-text\">Em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, o projeto trabalha inicialmente com a esp\u00e9cie de girassol de corte Vincent Choice &#8211; Foto: Yago de Andrade<\/p><\/div>\n<p>Para a professora da UFS, a floricultura possui grande possibilidade de fortalecer a produ\u00e7\u00e3o da agricultura familiar, n\u00e3o s\u00f3 em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, mas em outras cidades sergipanas. No caso dos girass\u00f3is, a alta produtividade e rentabilidade por metro quadrado de \u00e1rea cultivada s\u00e3o alguns dos fatores positivos. \u201cA floricultura tem como caracter\u00edstica, principalmente no caso do girassol, a grande produ\u00e7\u00e3o em um pequeno espa\u00e7o de terra. Podem ser produzidas cerca de 32 hastes florais em 1m\u00b2. Ent\u00e3o \u00e9 uma atividade que n\u00e3o atrapalha a principal produ\u00e7\u00e3o do quintal ou do lote coletivo. Essa \u00e9 uma grande vantagem, al\u00e9m de ser uma maneira de diversificar a produ\u00e7\u00e3o da comunidade\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Floricultura como pol\u00edtica p\u00fablica rural<\/strong><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o conjunta entre universidade, poder p\u00fablico e comunidade \u00e9 um dos pilares do sucesso do projeto. Enquanto a universidade \u00e9 a respons\u00e1vel pela oferta das capacita\u00e7\u00f5es, \u00e0 Prefeitura coube o trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com as comunidades participantes, bem como a log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o das sementes de girassol e o apoio na organiza\u00e7\u00e3o das atividades formativas junto \u00e0 UFS. Para iniciar o projeto, a Prefeitura distribuiu 2 mil sementes para cada comunidade. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m garantiu todo o suporte na prepara\u00e7\u00e3o dos terrenos onde eles foram plantados.<\/p>\n<p>Josenito Oliveira, secret\u00e1rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e do Trabalho de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, v\u00ea o \u201cFlores para Todos\u201d como um avan\u00e7o na pol\u00edtica p\u00fablica rural do munic\u00edpio, visto que ele integra a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento econ\u00f4mico, inclus\u00e3o produtiva e inova\u00e7\u00e3o no campo. Com a perspectiva de expans\u00e3o do projeto para outras comunidades do territ\u00f3rio sancristovense, o secret\u00e1rio cr\u00ea que a floricultura ir\u00e1 se tornar mais um eixo produtivo complementar dentro das pol\u00edticas p\u00fablicas de desenvolvimento econ\u00f4mico rural do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista econ\u00f4mico, o projeto oferece uma nova frente de gera\u00e7\u00e3o de renda com baixo investimento inicial, o que \u00e9 especialmente importante em contextos de acampamentos e assentamentos, onde h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es de recursos financeiros e estrutura. A produ\u00e7\u00e3o de flores, especialmente girass\u00f3is, tem amplo apelo comercial, podendo abastecer tanto o mercado local quanto feiras e eventos regionais. Al\u00e9m disso, a iniciativa estimula o empreendedorismo rural, a organiza\u00e7\u00e3o coletiva e a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho no campo, contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade socioecon\u00f4mica dessas comunidades\u201d, ressalta Josenito Oliveira.<\/p>\n<p>Quem tem monitorado de perto a execu\u00e7\u00e3o do projeto em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, \u00e9 a Diretora do Trabalho, Neusa Malheiros. Ela realiza constantemente visitas \u00e0s comunidades e faz o acompanhamento pelos grupos de whatsapp, onde diariamente os produtores atualizam o andamento das suas planta\u00e7\u00f5es. E a cada novo broto de girassol que surge nas terras desses tr\u00eas territ\u00f3rios, Neusa celebra junto aos produtores as conquistas que a cada dia s\u00f3 crescem.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o tr\u00eas territ\u00f3rios de luta pela terra, que j\u00e1 t\u00eam essa pr\u00e1tica de desenvolver projetos e o munic\u00edpio chega para fortalecer e agregar valor atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de flores de corte. Pensando que para Sergipe \u00e9 algo bem escasso, praticamente n\u00e3o existem produtores de flores de corte, S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o pode despontar como grande produtor de flores de corte em nosso estado\u201d, empolga-se.<\/p>\n<p>Como facilitadores do processo, a UFS e Prefeitura buscam estreitar o caminho entre os produtores e os compradores. Segundo Neusa, uma pesquisa realizada junto \u00e0s floriculturas locais mostrou que a produ\u00e7\u00e3o de flores na Cidade M\u00e3e tende a ser algo rent\u00e1vel j\u00e1 a curto prazo. \u201cDas 23 floriculturas onde a pesquisa foi feita, 18 j\u00e1 se colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para adquirir as flores que s\u00e3o produzidas em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o\u201d, destaca Neusa.<\/p>\n<p>E \u00e9 seguindo essa soma de ind\u00edcios positivos que a diretora do trabalho de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o tamb\u00e9m v\u00ea na produ\u00e7\u00e3o de flores outros pontos que transcendem a quest\u00e3o econ\u00f4mica, como o pensamento de coletividade e o empoderamento da mulher no campo. \u201cA maioria das pessoas, n\u00e3o s\u00f3 em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, mas de modo geral, ainda pensa muito de forma individual. Para n\u00f3s, levar um projeto como esse para as comunidades traz a possibilidade de incentivar um olhar mais voltado para o associativismo. Futuramente, nosso desejo \u00e9 que, quem sabe, eles possam se tornar uma cooperativa de flores, nosso olhar caminha nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta a diretora.<\/p>\n<p><strong>Florescendo no coletivo<\/strong><\/p>\n<p>Nessas comunidades, agricultores e agricultoras mostram que o que tem brotado nas terras f\u00e9rteis vai al\u00e9m das flores. \u00c9 confian\u00e7a. \u00c9 afeto. \u00c9 pertencimento. \u00c9 coletividade.<\/p>\n<p>No Assentamento Florestan Fernandes, por exemplo, os girass\u00f3is ainda n\u00e3o geraram renda, mas j\u00e1 fincaram ra\u00edzes profundas na comunidade. Plantadas inicialmente nos quintais individuais, as flores da \u00faltima colheita foram doadas para embelezar a festa da igreja local, eventos institucionais do munic\u00edpio, entre outros. Agora, com o uso de um espa\u00e7o coletivo, a comunidade vive a expectativa de comercializ\u00e1-las ainda durante os festejos juninos.<\/p>\n<div id=\"attachment_148001\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Katia-Maria-Souza-Florestan-Fernandes-SE-Noticias-e1749303023925.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-148001\" class=\"size-full wp-image-148001\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Katia-Maria-Souza-Florestan-Fernandes-SE-Noticias-e1749303023925.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"430\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-148001\" class=\"wp-caption-text\">K\u00e1tia Maria Souza, agricultora e lideran\u00e7a do Assentamento Florestan Fernandes &#8211; Foto: Yago de Andrade<\/p><\/div>\n<p>\u201cEsse projeto para n\u00f3s \u00e9 algo muito importante. Ele vem para gerar renda de maneira coletiva. Em 23 anos de hist\u00f3ria, \u00e9 a primeira iniciativa que chega com esse objetivo. E sendo algo simples. Algo que, em um cultivo de 50 dias, conseguimos ter lucro. E juntos conseguimos fortalecer e ampliar nossa produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirma K\u00e1tia Maria Souza, agricultora e lideran\u00e7a do Assentamento Florestan Fernandes.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Assentamento Em\u00edlia Maria, os girass\u00f3is j\u00e1 come\u00e7aram a gerar renda individualmente. As vendas ocorrem principalmente nas feiras livres, onde os produtores tamb\u00e9m comercializam alimentos org\u00e2nicos cultivados em suas terras. Apesar dos lucros terem chegado para alguns, o objetivo \u00e9 que o projeto se torne sustent\u00e1vel e beneficie toda a comunidade.<\/p>\n<p>Para isso, est\u00e3o preparando um espa\u00e7o coletivo, onde o plantio ser\u00e1 feito em formato de horta comunit\u00e1ria. Dessa forma, todos os envolvidos poder\u00e3o participar ativamente do cultivo, fortalecendo o grupo e garantindo renda para todas as fam\u00edlias. Segundo Claudineide Alves, lideran\u00e7a local, as expectativas s\u00e3o as melhores poss\u00edveis.<\/p>\n<div id=\"attachment_148002\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-148002\" class=\"size-full wp-image-148002\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias.jpg 600w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias-300x200.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias-90x60.jpg 90w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias-180x120.jpg 180w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Claudineide-Alves-Emilia-Maria-SE-Noticias-95x64.jpg 95w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-148002\" class=\"wp-caption-text\">Claudineide Alves, lideran\u00e7a do Em\u00edlia Maria &#8211; Foto: Yago de Andrade<\/p><\/div>\n<p>\u201cNosso assentamento fica pr\u00f3ximo \u00e0 capital, e isso facilita muito a log\u00edstica. Quando formos vender nossos girass\u00f3is, o transporte ser\u00e1 mais r\u00e1pido, menos desgastante e com isso, as flores chegar\u00e3o com mais qualidade. Hoje, as floriculturas compram de outros estados, porque em Sergipe n\u00e3o h\u00e1 uma grande produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, \u00e9 uma grande oportunidade de atender essa demanda e, ao mesmo tempo, crescer como comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Se antes Joana Ang\u00e9lica e seu pai, Jos\u00e9 da Silva, tinham d\u00favidas sobre o cultivo das flores, agora ela tem a confian\u00e7a no projeto ao ver os girass\u00f3is dividindo espa\u00e7o com a macaxeira no quintal da fam\u00edlia. Feliz pelas conquistas que o projeto tem proporcionado a cada produtor, Joana destaca o simbolismo do girassol para lembrar que tudo o que t\u00eam hoje \u00e9 fruto de uma luta coletiva.<\/p>\n<p>\u201cO girassol veio para somar em nosso assentamento, por tudo que ele representa. Ele gira em dire\u00e7\u00e3o ao sol em busca de luz e, quando n\u00e3o h\u00e1 luz, se volta para o outro, buscando for\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o. E \u00e9 isso que desejamos para o nosso futuro: que a gente siga cuidando uns dos outros e se fortalecendo como sempre fizemos\u201d.<\/p>\n<p><strong>S\u00edmbolo nas comunidades<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_148003\" style=\"width: 608px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-148003\" class=\"size-full wp-image-148003\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias.jpg\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias.jpg 598w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias-300x201.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias-90x60.jpg 90w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias-180x120.jpg 180w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Gielza-Correia-Acampamento-Nossa-Senhora-DAjuda-SE-Noticias-95x64.jpg 95w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-148003\" class=\"wp-caption-text\">Jielza Correia, lideran\u00e7a do Acampamento Nossa Senhora D\u2019Ajuda &#8211; Foto: Yago de Andrade<\/p><\/div>\n<p>\u201cAl\u00e9m de produzir comida, agora a gente tamb\u00e9m produz flor\u201d, afirma Jielza Correia, lideran\u00e7a do Acampamento Nossa Senhora D\u2019Ajuda, enquanto caminha entre os quintais produtivos da comunidade. L\u00e1, a for\u00e7a do coletivo tamb\u00e9m tem sido fundamental para o sucesso do projeto dos girass\u00f3is. \u201cAs fam\u00edlias envolvidas t\u00eam o sentimento de uni\u00e3o mais fortalecido. Todos pensam na mesma perspectiva: o benef\u00edcio das flores para todos\u201d.<\/p>\n<p>Diferente das outras comunidades, onde o plantio come\u00e7ou nos quintais individuais, no acampamento do povoado Cabrita a experi\u00eancia teve in\u00edcio em uma horta coletiva. Com a pr\u00e1tica agroecol\u00f3gica rigorosa da comunidade, o cultivo agora \u00e9 feito por escalonamento nos quintais, garantindo que todos tenham seu momento de plantar, colher e vender. Assim, a oferta de girass\u00f3is \u00e9 cont\u00ednua e organizada.<\/p>\n<p>Segundo Jielza, a renda das primeiras planta\u00e7\u00f5es foi revertida para fortalecer o espa\u00e7o coletivo. \u201cCom o dinheiro arrecadado compramos sementes, adubo, pagamos transporte e outras despesas. Vendemos nas feiras itinerantes e agora estamos buscando ampliar para as floriculturas\u201d, conta Jielza.<\/p>\n<p>Ela detalha que cada haste produzida \u00e9 vendida por cerca de R$10. Somente no \u00faltimo m\u00eas, segundo ela, um dos produtores do acampamento conseguiu lucrar R$300 em apenas um canteiro. \u201cComparado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, o cultivo das flores \u00e9 mais r\u00e1pido, pr\u00e1tico e rent\u00e1vel. Toda a comunidade est\u00e1 animada com essa perspectiva de gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria do acampamento n\u00e3o \u00e9 feita s\u00f3 de flores. Em 2014, as 70 fam\u00edlias que viviam ali foram despejadas e tiveram suas casas destru\u00eddas. Tr\u00eas anos depois, ap\u00f3s a reintegra\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ajuizou uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica em defesa dos moradores, que voltaram a reocupar a \u00e1rea onde permanecem hoje. Desde aquele momento, os girass\u00f3is passaram a fazer parte da hist\u00f3ria da comunidade.<\/p>\n<p>\u201cQuando recebemos autoriza\u00e7\u00e3o do juiz para voltar, uma das primeiras planta\u00e7\u00f5es que fiz foi de girass\u00f3is. Isso \u00e9 muito simb\u00f3lico para n\u00f3s\u201d, reflete Jielza. \u201cPor isso hoje, o plantio de girass\u00f3is vai muito al\u00e9m do ganho econ\u00f4mico. Queremos mostrar \u00e0 sociedade que, num lugar marcado por grave viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e injusti\u00e7a social, n\u00f3s produzimos flores e vamos devolver flores para quem nos sentenciou\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Assim, o projeto segue crescendo no campo e na vida dessas pessoas. Juntos, os agricultores e agricultoras das tr\u00eas comunidades fazem brotar, literalmente, territ\u00f3rios historicamente marcados por vulnerabilidade, mas tamb\u00e9m por luta e capacidade produtiva. Nestes locais, o girassol se tornou um verdadeiro s\u00edmbolo.<\/p>\n<div id=\"attachment_148006\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-148006\" class=\"size-full wp-image-148006\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias.jpg 600w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias-300x200.jpg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias-90x60.jpg 90w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias-180x120.jpg 180w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Girassois-premio-Sebrae-de-Jornalismo-SE-Noticias-95x64.jpg 95w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-148006\" class=\"wp-caption-text\"><br \/>Os girass\u00f3is em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o brotam em locais de luta pela terra &#8211; Foto: Yago de Andrade<\/p><\/div>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, o girassol representa a resist\u00eancia. Embora fr\u00e1gil, ele traz beleza e luz. Somos um povo vulner\u00e1vel, mas juntos seguimos resistindo e nos fortalecendo\u201d, finaliza a agricultora enquanto observa os girass\u00f3is rec\u00e9m-colhidos, certa de que cada haste \u00e9 s\u00edmbolo de resist\u00eancia e de uma nova fonte de renda para sua comunidade.<\/p>\n<p><strong><em>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/em>,\u00a0<em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a>\u00a0e\u00a0no<\/em>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\">X<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Yago de Andrade<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yago de Andrade* \u201cSempre plantei milho, feij\u00e3o e amendoim, mas nunca tinha pensado em plantar flor\u201d, conta Maria Soares, de 56 anos, enquanto v\u00ea os girass\u00f3is desabrocharem ao lado das hortali\u00e7as, cereais e ra\u00edzes nos quintais produtivos do Acampamento Nossa Senhora D\u2019Ajuda, no povoado Cabrita, em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. 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