{"id":147362,"date":"2025-04-16T13:58:15","date_gmt":"2025-04-16T16:58:15","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=147362"},"modified":"2025-04-16T15:30:42","modified_gmt":"2025-04-16T18:30:42","slug":"adriana-menezes-reflete-o-glamour-do-cansaco-por-que-adoecer-por-trabalho-nao-e-motivo-de-orgulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/adriana-menezes-reflete-o-glamour-do-cansaco-por-que-adoecer-por-trabalho-nao-e-motivo-de-orgulho\/","title":{"rendered":"Adriana Meneses: O glamour do cansa\u00e7o \u2013 por que adoecer por trabalho n\u00e3o \u00e9 motivo de orgulho"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Adriana Meneses*<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, tornou-se comum ver nas redes sociais declara\u00e7\u00f5es como \u201ctrabalhando no terceiro turno\u201d, \u201cmais um dia vencido \u00e0 base de caf\u00e9 e ansiedade\u201d ou \u201ccorpo cansado, mas a meta est\u00e1 batida\u201d. Essas frases, muitas vezes acompanhadas de selfies com olheiras, agendas lotadas e x\u00edcaras de caf\u00e9, viralizam, ganham curtidas e, mais grave ainda, alimentam a ideia de que estar adoecendo pelo trabalho \u00e9 sinal de compet\u00eancia, for\u00e7a ou sucesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos um tempo em que o sofrimento ps\u00edquico virou performance. O esgotamento f\u00edsico e mental tem sido exibido como medalha de honra em uma competi\u00e7\u00e3o invis\u00edvel de produtividade. Romantiza-se o \u201cterceiro turno\u201d como se trabalhar exaustivamente fosse admir\u00e1vel. E enquanto isso, os corpos e as mentes adoecem \u2014 silenciosamente, ou pior: aplaudidos.<\/p>\n<div id=\"attachment_147363\" style=\"width: 605px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_0260.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-147363\" class=\"size-full wp-image-147363\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_0260.jpeg\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"704\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_0260.jpeg 595w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_0260-254x300.jpeg 254w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-147363\" class=\"wp-caption-text\">Adriana Meneses dos Santos \u2013 Jornalista e Psic\u00f3loga &#8211; Foto: arquivo\/divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Essa cultura do &#8220;cansa\u00e7o produtivo&#8221; tem consequ\u00eancias s\u00e9rias. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) j\u00e1 reconheceu a S\u00edndrome de Burnout como um fen\u00f4meno ocupacional, e os \u00edndices de transtornos de ansiedade e depress\u00e3o relacionados ao trabalho crescem a cada ano. Estamos diante de uma epidemia silenciosa de exaust\u00e3o emocional, mascarada pelo verniz da efici\u00eancia e da hiperatividade.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de demonizar o trabalho. Trabalhar \u00e9 parte importante da nossa identidade, do nosso sustento, das nossas conquistas. O problema \u00e9 quando o trabalho deixa de ser uma parte e passa a ser o todo. Quando esquecemos que, por mais qualificados, comprometidos ou apaixonados que sejamos por nossas fun\u00e7\u00f5es, somos completamente substitu\u00edveis nos espa\u00e7os laborais. Se adoecermos ou partirmos, a vaga ser\u00e1 preenchida. A engrenagem continuar\u00e1 girando.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que precisamos urgentemente ressignificar a ideia de descanso. Descansar n\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 fracasso, n\u00e3o \u00e9 luxo. \u00c9 autopreserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 sa\u00fade mental, \u00e9 escolha \u00e9tica por si mesmo. Precisamos parar de nos sentir culpados por desligar o celular, por dizer \u201cn\u00e3o\u201d, por respeitar nossos limites. O corpo fala \u2014 e se n\u00e3o o escutarmos, ele grita.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, urge tamb\u00e9m uma responsabilidade coletiva: que tal, ao inv\u00e9s de exaltar o excesso, come\u00e7armos a valorizar o equil\u00edbrio? Que tal normalizar o \u201choje eu s\u00f3 descansei e est\u00e1 tudo bem\u201d? Que tal compartilhar momentos de autocuidado com o mesmo entusiasmo com que se compartilham reuni\u00f5es e metas batidas?<\/p>\n<p>Buscar o equil\u00edbrio entre trabalho e sa\u00fade mental n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, especialmente em uma sociedade que nos ensina que nosso valor est\u00e1 diretamente atrelado ao quanto produzimos. Mas \u00e9 poss\u00edvel \u2014 e necess\u00e1rio. Reorganizar prioridades, estabelecer limites, acolher a pr\u00f3pria vulnerabilidade e, sobretudo, entender que descansar n\u00e3o precisa de justificativa.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo que devemos romantizar, que seja o direito de viver uma vida que n\u00e3o nos consuma at\u00e9 a \u00faltima gota de energia. Porque, ao fim do dia, o que permanece n\u00e3o \u00e9 o status de quem mais se sobrecarregou, mas a sa\u00fade de quem soube viver com inteireza.<\/p>\n<p><strong><em>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/em><\/strong>,\u00a0<strong><em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a>\u00a0e\u00a0no<\/em>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\">X<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Adriana Meneses dos Santos \u2013 Jornalista e Psic\u00f3loga*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adriana Meneses* Nos \u00faltimos tempos, tornou-se comum ver nas redes sociais declara\u00e7\u00f5es como \u201ctrabalhando no terceiro turno\u201d, \u201cmais um dia vencido \u00e0 base de caf\u00e9 e ansiedade\u201d ou \u201ccorpo cansado, mas a meta est\u00e1 batida\u201d. 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