{"id":142082,"date":"2024-04-24T10:17:16","date_gmt":"2024-04-24T13:17:16","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=142082"},"modified":"2024-04-24T10:17:22","modified_gmt":"2024-04-24T13:17:22","slug":"caciques-das-5-regioes-afirmam-que-mudancas-climaticas-impactam-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/caciques-das-5-regioes-afirmam-que-mudancas-climaticas-impactam-campo\/","title":{"rendered":"Caciques das 5 regi\u00f5es afirmam que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam campo"},"content":{"rendered":"\n<p>Per\u00edodos longos de estiagem ou temporadas de chuvas intensas causam estranhamento em l\u00edderes ind\u00edgenas nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds. Mais do que surpresa, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam a produ\u00e7\u00e3o no campo e afetam a qualidade de vida de comunidades inteiras, segundo caciques que est\u00e3o presentes no Acampamento Terra Livre (ATL), em Bras\u00edlia, nesta semana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/indigenas-senoticias-1024x613.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-142083\"\/><figcaption>Culturas tradicionais tornam-se raras com estiagens e chuvas intensas. &#8211; Foto: Jose Cruz\/ Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil, cinco caciques de diferentes partes do Brasil lamentam a destrui\u00e7\u00e3o e a polui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e tamb\u00e9m as press\u00f5es dos n\u00e3o ind\u00edgenas contra seus locais preservados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regi\u00e3o Sudeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cacique Baiara Patax\u00f3, de 64 anos, que vive em uma comunidade na cidade de A\u00e7ucena, Minas Gerais, testemunha que, na \u00faltima d\u00e9cada, as planta\u00e7\u00f5es de mandioca, milho e feij\u00e3o deixaram de render como antes. Os produtos s\u00e3o vendidos para comerciantes das cidades pr\u00f3ximas e sustentam a comunidade formada por 80 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes, as chuvas come\u00e7avam em setembro. Nos \u00faltimos anos, s\u00f3 em dezembro. Claro que isso n\u00e3o \u00e9 normal\u201d, diz Baiara Patax\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a comunidade em Minas Gerais foi impactada pelo crime ambiental de 25 de janeiro de 2019, quando a barragem da Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, da mineradora Vale, em Brumadinho, se rompeu. Al\u00e9m de causar a morte de 272 pessoas, os rejeitos polu\u00edram os rios Doce e Corrente, na regi\u00e3o. \u201cTudo isso tem sido terr\u00edvel. Atualmente, estamos trabalhando na recomposi\u00e7\u00e3o de 45 mil mudas de \u00e1rvores nativas e frut\u00edferas. Vinte ind\u00edgenas est\u00e3o trabalhando nessa tarefa\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regi\u00e3o Norte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com outras a\u00e7\u00f5es criminais tamb\u00e9m \u00e9 presenciada pelo cacique Dario Kopenawa Yanomami, de 39 anos, que vive em Roraima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos convivendo l\u00e1 com a invas\u00e3o dos mineradores e garimpeiros. Somos uma comunidade de 32 mil pessoas sofrendo com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e, ao mesmo tempo, com a contamina\u00e7\u00e3o pelo merc\u00fario\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O cacique verifica que as chuvas tiveram regime alterado e est\u00e3o \u201cbem diferentes\u201d do que eram na adolesc\u00eancia e inf\u00e2ncia dele na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos pedido nossas chuvas aos nossos xam\u00e3s [guias religiosos]. Mas \u00e9 fato que a ro\u00e7a de taioba, a macaxeira e a banana n\u00e3o s\u00e3o como antes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regi\u00e3o Nordeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cacique Tchydjo Ue, de 76 anos, do povo Fulni-\u00f4, vive em uma aldeia, na cidade de Pacatuba, em Sergipe, onde est\u00e3o 86 fam\u00edlias. Ele considera que hoje o cen\u00e1rio \u00e9 completamente transformado em rela\u00e7\u00e3o ao tempo da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos pr\u00f3ximos do litoral (96 quil\u00f4metros), mas \u00e9 muito mais quente do que antes. Os mais jovens t\u00eam sentido a dificuldade de trabalhar na ro\u00e7a e acabam desistindo\u201d, diz o cacique.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as de clima combinaram com as de comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs jovens tamb\u00e9m se transformaram. Querem ir embora. Vivem na internet e no celular\u201d, afirma. Para diversificar as atividades, o l\u00edder ind\u00edgena diz que tem estimulado a atividade do artesanato, j\u00e1 que o milho, a mandioca e o feij\u00e3o nem s\u00e3o o suficiente para subsist\u00eancia. Outra atividade \u00e9 de conhecimento da natureza. \u201cSou chamado para falar na Europa e nos Estados Unidos sobre os saberes ind\u00edgenas, mas \u00e9 preciso que saibam mais da gente por aqui.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regi\u00e3o Centro-Oeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o do cerrado e as mudan\u00e7as de clima foram acompanhadas de perto pela cacique Tanon\u00e9, que tem 70 anos e vive no Distrito Federal desde o ano de 1986. Ela lembra, com lamento, que Bras\u00edlia tinha temporadas frias, o que \u201cdesapareceu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na comunidade em que ela vive, no Setor Noroeste, h\u00e1 16 fam\u00edlias. Na regi\u00e3o, que cresceu com a expans\u00e3o imobili\u00e1ria, ela diz que tem atuado para recompor o cen\u00e1rio. S\u00e3o 16 hectares de \u00e1rea em que as planta\u00e7\u00f5es de milho, feij\u00e3o, jatob\u00e1 e algod\u00e3o iluminavam o cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO feij\u00e3o virou raro. O algod\u00e3o, tamb\u00e9m. Ou \u00e9 falta de chuvas ou temporais intensos\u201d. A cacique pediu a entes governamentais a planta\u00e7\u00e3o dos ip\u00eas para voltar a deixar o lugar com cores novas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regi\u00e3o Sul<\/strong><br>Na cidade de Jos\u00e9 Boiteux, em Santa Catarina, uma comunidade de 2,3 mil pessoas da etnia xokleng est\u00e1 preocupada com a aproxima\u00e7\u00e3o da temporada de chuvas, que se tornaram mais intensas na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o cacique Setembrino, de 53 anos, da mesma etnia, o trabalho principal agora \u00e9 ficar atento \u00e0s cheias e ensinar preserva\u00e7\u00e3o ambiental para os ind\u00edgenas em sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 certo estar atento \u00e0 Amaz\u00f4nia, mas precisamos lembrar tamb\u00e9m do Sul. Estamos trabalhando agora com o plantio do pinheiro. A gente tem que olhar para agora e depois.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo passou a chover muito mais, a barragem de conten\u00e7\u00e3o costuma chegar ao limite com recorr\u00eancia. N\u00f3s n\u00e3o temos mais lugar seguro para morar\u201d, diz uma das lideran\u00e7as da comunidade etnia xokleng, Geomar Crend\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A<strong><em>companhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><\/em><\/strong><\/em><\/strong>,\u00a0<strong><em><strong><em>\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>\u00a0e<\/em><\/strong><\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>no<\/em>\u00a0<em><a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\">X<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Per\u00edodos longos de estiagem ou temporadas de chuvas intensas causam estranhamento em l\u00edderes ind\u00edgenas nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds. 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