{"id":138733,"date":"2023-08-27T11:38:07","date_gmt":"2023-08-27T14:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=138733"},"modified":"2023-08-27T11:52:32","modified_gmt":"2023-08-27T14:52:32","slug":"como-brasil-criou-e-mantem-maior-sistema-publico-de-transplantes-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/como-brasil-criou-e-mantem-maior-sistema-publico-de-transplantes-do-mundo\/","title":{"rendered":"Como Brasil criou e mant\u00e9m maior sistema p\u00fablico de transplantes do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>O apresentador Fausto Silva, o Faust\u00e3o, entrou na fila de espera por um transplante de cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s seu quadro de insufici\u00eancia card\u00edaca se agravar.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 73 anos, ele est\u00e1 internado desde o dia 5 de agosto no Hospital Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Faust\u00e3o, mais de 65 mil brasileiros est\u00e3o \u00e0 espera por um transplante no pa\u00eds atualmente, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Destes, cerca de 380 aguardam por um cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/SUS-SE-Noticias.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-138734\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/SUS-SE-Noticias.jpg 600w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/SUS-SE-Noticias-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Corrida contra o tempo: um cora\u00e7\u00e3o pode demorar no m\u00e1ximo quatro horas para ser transplantado ap\u00f3s a retirada do corpo do doadorCorrida contra o tempo: um cora\u00e7\u00e3o pode demorar no m\u00e1ximo quatro horas para ser transplantado ap\u00f3s a retirada do corpo do doador \u2014 Foto: GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Brasil tem uma das maiores filas do mundo, mas tamb\u00e9m criou e mant\u00e9m o maior sistema p\u00fablico de transplantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds \u00e9 o segundo que mais realiza esse tipo de procedimento, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, que \u00e9 privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, foram quase 26 mil cirurgias de transplante no Brasil, entre os quais 359 de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As mais comuns foram de c\u00f3rnea (13,98 mil), rim (5,3 mil) e medula \u00f3ssea (3,99 mil), segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantes de \u00d3rg\u00e3os (ABTO).<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds tem ainda mais de 600 hospitais autorizados a fazer transplantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem que o sistema brasileiro \u00e9 bastante completo e funciona bem, servindo inclusive de modelo para outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sistema de transplantes brasileiros \u00e9 reconhecido internacionalmente por ser inteiramente p\u00fablico e oferecer servi\u00e7os em um pa\u00eds gigantesco e muito povoado&#8221;, diz Alcindo Ferla, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido pela qualidade t\u00e9cnica e das pol\u00edticas p\u00fablicas envolvidas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, precisa de mais recursos financeiros para se tornar mais eficiente e menos desigual, diz o m\u00e9dico Leonardo Borges de Barros e Silva, coordenador da Organiza\u00e7\u00e3o de Procura de \u00d3rg\u00e3os do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (HCFMUSP).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O processo de doa\u00e7\u00e3o e transplante no Brasil \u00e9 excelente, especialmente quando comparado a outras partes do Sistema \u00danico de Sa\u00fade [SUS]. Mas, como todo o sistema, est\u00e1 subfinanciado e h\u00e1 desigualdade&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A espera por um \u00f3rg\u00e3o pode variar conforme o Estado do Brasil em que o paciente est\u00e1. Os \u00edndices de doa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m variam muito entre as regi\u00f5es do pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os especialistas, o principal gargalo para aumentar a efici\u00eancia est\u00e1 no momento da doa\u00e7\u00e3o: muitas fam\u00edlias ainda hesitam em permitir a doa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o falecimento e nem sempre h\u00e1 equipes hospitalares totalmente preparadas para lidar com o momento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como funciona o sistema<\/strong><br><br>O primeiro transplante no Brasil foi realizado em 1968, mas o sistema brasileiro como conhecemos hoje s\u00f3 foi criado muito depois, em 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi inspirado, entre outros, no modelo da Espanha, considerado um dos mais eficientes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual sistema \u00e9 regulamentado pela Lei 9.434 de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Como funciona a fila de transplantes do SUS<br>A norma estabelece, entre outras coisas, a exist\u00eancia de dois tipos de doador: o vivo e o falecido.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do doador vivo, podem ser cedidos um dos rins, parte do f\u00edgado, parte dos pulm\u00f5es ou parte da medula \u00f3ssea.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes casos, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira permite que c\u00f4njuges e parentes de at\u00e9 quarto grau sejam doadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para pessoas que n\u00e3o s\u00e3o parentes, a doa\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de doador falecido, tecidos, \u00f3rg\u00e3os ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento s\u00f3 podem ser retirados ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de morte cerebral e com autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um doador falecido ap\u00f3s morte cerebral que n\u00e3o tenha sofrido parada cardiorrespirat\u00f3ria pode doar cora\u00e7\u00e3o, bem como pulm\u00f5es, f\u00edgado, p\u00e2ncreas, intestino, rins, c\u00f3rnea, vasos, pele, ossos e tend\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ou tecidos, as comiss\u00f5es dos hospitais cadastram dados relativos \u00e0s partes do corpo em um programa informatizado que combina essas informa\u00e7\u00f5es com os dados de poss\u00edveis receptores.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os pacientes s\u00e3o separados de acordo com o \u00f3rg\u00e3o que ser\u00e1 transplantado, tipos sangu\u00edneos e outras especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, como peso e altura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hora de combinar o \u00f3rg\u00e3o com o receptor, leva-se em conta a posi\u00e7\u00e3o na lista \u00fanica, mas tamb\u00e9m esses crit\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pacientes em estado cr\u00edtico podem ser atendidos com prioridade, em raz\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica&#8221;, explica o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sistema computadorizado \u00e9 de responsabilidade do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e gerenciado pela Central de Transplantes de cada Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m outras entidades envolvidas no processo de identifica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, tais quais as Organiza\u00e7\u00f5es de Procura de \u00d3rg\u00e3os (OPO) e os Bancos de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s identificado um receptor, o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 enviado pela Central de Transplantes ao hospital onde est\u00e1 o paciente para que seja implantado pela equipe transplantadora que acompanha a situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, esses processos n\u00e3o levam mais do que algumas horas e, apesar de na maioria das vezes o transporte ser realizado por terra, em casos de mais urg\u00eancia podem ser usados helic\u00f3pteros ou avi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, h\u00e1 colabora\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea ou de companhias a\u00e9reas privadas que possuem conv\u00eanio com o governo para transporte gratuito de equipes e \u00f3rg\u00e3os em voos comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cora\u00e7\u00e3o pode demorar no m\u00e1ximo quatro horas para ser transplantado ap\u00f3s a retirada do corpo do doador. Em contrapartida, um pulm\u00e3o ou um f\u00edgado podem esperar at\u00e9 seis horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como chefe da OPO do Hospital das Cl\u00ednicas, Leonardo Borges de Barros e Silva explica que h\u00e1 muitas etapas e pequenos entraves no processo que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o de conhecimento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A pessoa que se inscreveu h\u00e1 mais tempo para transplante vai estar no come\u00e7o da fila. Mas h\u00e1 outros crit\u00e9rios que incidem no processo, como compatibilidade \u2013 no caso do rim se leva em considera\u00e7\u00e3o quest\u00f5es imunol\u00f3gicas gen\u00e9ticas, por exemplo \u2013 tamanho, peso e altura do doador e estado de sa\u00fade do receptor&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se o primeiro da fila est\u00e1 com covid, por exemplo, ele n\u00e3o poder\u00e1 receber o \u00f3rg\u00e3o, e o sistema vai buscar o pr\u00f3ximo mais compat\u00edvel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os geralmente s\u00e3o destinados a receptores em uma mesma regi\u00e3o, j\u00e1 que h\u00e1 pouco tempo para transporte. Mas Barros e Silva explica que, por vezes, h\u00e1 transporte entre Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existem casos de prioriza\u00e7\u00e3o nacional, determinados pelo sistema&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas tamb\u00e9m h\u00e1 casos de Estados que n\u00e3o realizam alguns procedimentos, como transplante de cora\u00e7\u00e3o, e a equipe de outra regi\u00e3o precisa ir at\u00e9 l\u00e1 retirar o \u00f3rg\u00e3o e transport\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Alcindo Ferla, um dos maiores trunfos do sistema brasileiro \u00e9 sua transpar\u00eancia e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nenhum m\u00e9dico ou autoridade pode decidir nada sozinho no processo, seja no momento da doa\u00e7\u00e3o ou do transplante&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E fatores como condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas tampouco importam, todos t\u00eam que esperar sua vez seguindo os mesmos crit\u00e9rios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer cidad\u00e3o tamb\u00e9m pode acompanhar a lista \u00fanica de espera e ter acesso aos crit\u00e9ios de prioridade pelo site do Sistema Nacional de Transplantes ou das secretarias estaduais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Custos e manuten\u00e7\u00e3oO sistema de distribui\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da lista de espera \u00e9 totalmente p\u00fablico no Brasil, e mais de 90% das cirurgias s\u00e3o feitas pelo SUS. Os pacientes recebem toda a assist\u00eancia, incluindo exames preparat\u00f3rios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos p\u00f3s-transplante<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos planos privados de sa\u00fade n\u00e3o cobre este tipo de tratamento, cujo custo pode variar de R$ 4 mil a R$ 70 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do SUS, o financiamento v\u00eam do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e \u00e9 gerenciado pela Coordena\u00e7\u00e3o-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT), um \u00f3rg\u00e3o da pasta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para este ano, o investimento previsto no sistema \u00e9 de R$ 1,33 bilh\u00e3o, ante R$ 1,06 bilh\u00e3o gasto no ano passado \u2013 um aumento de 31%.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes da Bahia, explica que esse n\u00e3o \u00e9 todo o financiamento dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na Bahia, por exemplo, temos um cofinanciamento estadual para um programa de incentivo ao transplante e \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de org\u00e3os, al\u00e9m dos aportes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o processo da cirurgia e o acompanhamento ap\u00f3s o procedimento tamb\u00e9m contam com a participa\u00e7\u00e3o e o financiamento dos Estados. A responsabilidade pela forma\u00e7\u00e3o dos profissionais especializados tamb\u00e9m \u00e9 dividida.<\/p>\n\n\n\n<p>Desigualdade e efici\u00eancia<br>Mas apesar de ser refer\u00eancia em termos de atendimento gratuito e justo, especialistas fazem cr\u00edticas \u00e0 efici\u00eancia do processo de busca de doadores e concretiza\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem atualmente 13,8 doadores efetivos para cada 1 milh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, Estados Unidos e Espanha, os dois pa\u00edses com melhores \u00edndices, tem respectivamente 41,6 e 40,8 doadores efetivos para cada 1 milh\u00e3o, segundo os dados mais recentes do Registro Internacional de Doa\u00e7\u00e3o e Transplante de \u00d3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, o Brasil est\u00e1 na frente de outros pa\u00edses desenvolvidos, como Alemanha, Israel e Coreia do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisamos melhorar em termos de financiamento, n\u00e3o s\u00f3 para o processo em si, mas tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais mais especializados e para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e pesquisa cient\u00edfica sobre o tema&#8221;, diz Alcindo Ferla, da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, a popula\u00e7\u00e3o brasileira ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o envolvida com a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os como a de outros pa\u00edses, o que influencia muito no tamanho da fila de espera no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, falta forma\u00e7\u00e3o de profissionais totalmente preparados para lidar com as fam\u00edlias de poss\u00edveis doadores em todo o territ\u00f3rio brasileiro, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade em torno desse tema \u00e9 um fator importante. Criar uma cultura de doa\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e colocar o tema na agenda p\u00fablica de debate.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A expectativa de algum familiar receber um \u00f3rg\u00e3o se houver necessidade em algum momento precisa ter como contrapartida a disponibilidade de fazer a doa\u00e7\u00e3o e de se envolver mais&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Analistas consultados pela BBC News Brasil afirmam ainda que, apesar de o sistema brasileiro ser totalmente p\u00fablico, a desigualdade regional ainda \u00e9 uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O sistema nacional de transplantes \u00e9 um reflexo da realidade do pa\u00eds. Os Estados com menor IDH ou PIB per capita s\u00e3o os que t\u00eam mais dificuldade com doa\u00e7\u00e3o e transplante tamb\u00e9m&#8221;, diz Barros e Silva, do HCFMUSP.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados com maior n\u00famero de transplantes por habitante s\u00e3o Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Santa Catarina, segundo dados da ABTO. J\u00e1 os com o menor n\u00famero s\u00e3o Roraima, Alagoas e Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto no Paran\u00e1 foram realizados 40,4 transplantes por milh\u00e3o de habitantes em 2022, em Rond\u00f4nia, a m\u00e9dia foi de 2,2 procedimentos por milh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O maior vs. o mais eficiente<\/strong><br><br>O maior sistema de transplantes do mundo \u00e9 atualmente o dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds realizou mais de 42 mil procedimentos em 2022, segundo o governo americano.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 p\u00fablico. Em geral, o receptor do \u00f3rg\u00e3o ou seu conv\u00eanio m\u00e9dico devem pagar pelo procedimento, enquanto a fam\u00edlia do doador n\u00e3o \u00e9 cobrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de os Estados Unidos serem o pa\u00eds que mais realiza transplantes todos os anos, o modelo americano \u00e9 bastante criticado internamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, 104 mil pessoas est\u00e3o em listas de espera, e 17 pessoas morrem todos os dias \u00e0 espera de um transplante, segundo a <strong>Rede Unida para o Compartilhamento de \u00d3rg\u00e3os<\/strong>, uma organiza\u00e7\u00e3o ligada ao Departamento de Sa\u00fade e que controla o sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00edticos afirmam que a gest\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 eficaz e que pacientes pobres e de minorias raciais s\u00e3o menos beneficiados pelo sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o sistema espanhol \u00e9 considerado por especialistas como o mais eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os procedimentos s\u00e3o realizados pelo sistema p\u00fablico de sa\u00fade de forma gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas diferente do Brasil, na Espanha todos os cidad\u00e3os pagam taxas peri\u00f3dicas de seguridade social que garantem seu acesso \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que diferencia o sistema \u00e9 a forma como as doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o conduzidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a lei local, todo cidad\u00e3o \u00e9 um potencial doador: as fam\u00edlias podem impedir a doa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o falecimento, mas se pressup\u00f5e que qualquer espanhol que tiver morte encef\u00e1lica e estiver em condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ter\u00e1 seus \u00f3rg\u00e3os doados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o governo diz que n\u00e3o \u00e9 esse modelo que garante o sucesso do sistema, mas sim as medidas de conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento das t\u00e9cnicas usadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Espanha \u00e9 a grande refer\u00eancia mundial para forma\u00e7\u00e3o de equipes espec\u00edficas para entrevistas com familiares de poss\u00edveis doadores&#8221;, diz Eraldo Moura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas independentemente de qualquer coisa, o cidad\u00e3o espanhol \u00e9 pr\u00f3-doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o. Esse tema j\u00e1 faz parte da cultura local&#8221;, completa Barros e Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os especialistas, a implementa\u00e7\u00e3o do modelo espanhol que considera todo cidad\u00e3o como doador n\u00e3o necessariamente funcionaria no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds, inclusive, testou por um curto per\u00edodo de tempo o chamado consentimento presumido, segundo o qual os \u00f3rg\u00e3os de uma pessoa falecida s\u00f3 n\u00e3o seriam doados caso houvesse uma manifesta\u00e7\u00e3o clara da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra foi determinada pela pr\u00f3pria Lei 9.434 de 1997, mas alterada pelo governo federal por meio de uma Medida Provis\u00f3ria em outubro de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;De nada adianta uma lei assim se n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o sobre os verdadeiros prop\u00f3sitos e sobre a import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Alcindo Ferla.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muitas pessoas acreditam que o corpo do ente falecido vai ser profanado ou t\u00eam cren\u00e7as religiosas que as impedem de autorizar a doa\u00e7\u00e3o. Essa falta de conhecimento sobre o tema e a falta de equipes especializadas para conversar com as fam\u00edlias s\u00e3o os principais gargalos do sistema atualmente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><br><em><strong>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>\u00a0e no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><\/strong><\/em><br><br>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O apresentador Fausto Silva, o Faust\u00e3o, entrou na fila de espera por um transplante de cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s seu quadro de insufici\u00eancia card\u00edaca se agravar. Aos 73 anos, ele est\u00e1 internado desde o dia 5 de agosto no Hospital Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo. 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