{"id":134778,"date":"2022-11-17T12:03:37","date_gmt":"2022-11-17T15:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=134778"},"modified":"2022-11-17T12:23:50","modified_gmt":"2022-11-17T15:23:50","slug":"covid-19-reinfeccao-pode-ter-efeito-cumulativo-e-causar-mais-complicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/covid-19-reinfeccao-pode-ter-efeito-cumulativo-e-causar-mais-complicacoes\/","title":{"rendered":"Covid-19: reinfec\u00e7\u00e3o pode ter efeito cumulativo e causar mais complica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Para quem um dia j\u00e1 testou positivo para covid-19, nestes tempos de subvariantes de \u00f4micron se espalhando feito poeira ao vento, talvez seja necess\u00e1rio rever aquela hist\u00f3ria de que menos mal se por acaso pegar o v\u00edrus de novo. Afinal \u2014 uns podem pensar \u2014, o organismo j\u00e1 estaria imunizado ou, quem sabe, uma nova infec\u00e7\u00e3o teria poucos sintomas, como a de outra vez.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"561\" height=\"322\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Covid19-SE-Noticias.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-134779\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Covid19-SE-Noticias.png 561w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Covid19-SE-Noticias-300x172.png 300w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><figcaption>Reinfec\u00e7\u00e3o pode ter efeito cumulativo e causar mais complica\u00e7\u00f5es &#8211; Foto: iStock<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No entanto, um estudo publicado na semana passada na revista cient\u00edfica Nature avisa: se eu fosse voc\u00ea, n\u00e3o botava tanta f\u00e9 nisso e me cuidaria bem mais. Pois um bis do Sars-Cov-2 pode ser pior do que o primeiro contato que teve com esse v\u00edrus, provocando mais estragos da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, como se eles fossem capazes de se acumular.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores, que s\u00e3o da Universidade de Washington e da Veterans Research and Education Foundation, nos Estados Unidos, afirmam que, se voc\u00ea compara quem s\u00f3 teve covid-19 uma \u00fanica vez com quem se reinfectou com o coronav\u00edrus, o risco de problemas card\u00edacos e pulmonares, diabetes, doen\u00e7a renal, disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e outras encrencas passa a ser muito maior na turma que testou positivo mais de uma vez. E, aten\u00e7\u00e3o, isso foi notado mesmo quando os cientistas colocaram lado a lado pessoas que tomaram a vacina.<\/p>\n\n\n\n<p>A amea\u00e7a de ir parar no hospital e morrer de covid-19 ou por causa de uma dessas complica\u00e7\u00f5es at\u00e9 seis meses depois tamb\u00e9m aumenta em quem se reinfecta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que d\u00e1 para acreditar nisso e ficar com medo sem fazer ressalvas? N\u00e3o, claro que n\u00e3o. O trabalho tem v\u00e1rios aspectos que fazem a gente questionar se o que ele achou de fato aconteceria da mesma forma com qualquer pessoa. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para dar de ombros. Seus resultados s\u00e3o um pedido para todo mundo ter mais cautela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi o estudo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores se debru\u00e7aram sobre os dados de mais de 5 milh\u00f5es de pessoas atendidas pela rede que cuida da sa\u00fade dos veteranos americanos. Delas, 443 mil foram diagnosticadas com covid-19 uma vez. J\u00e1 outras 40,9 mil pegaram o Sars-CoV-2 duas ou mais vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O trabalho tem uma for\u00e7a estat\u00edstica poderosa devido ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o estudada&#8221;, nota Andr\u00e9 B\u00e1fica, que \u00e9 professor associado de imunologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, a pergunta levantada pelos colegas americanos \u00e9 important\u00edssima. Isso porque, at\u00e9 hoje, apesar de oficialmente mais de meio bilh\u00e3o de pessoas terem contra\u00eddo o coronav\u00edrus desde o in\u00edcio da pandemia, mal e mal se conhece o impacto das reinfec\u00e7\u00f5es no organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A informa\u00e7\u00e3o alarmante que eles apresentam \u00e9 a seguinte: a quantidade de infec\u00e7\u00f5es pelo Sars-CoV-2 de um indiv\u00edduo est\u00e1 associado ao risco de patologias em diversos \u00f3rg\u00e3os a longo prazo. Ou seja, esse perigo aumenta conforme o n\u00famero de reinfec\u00e7\u00f5es&#8221;, comenta o imunologista, um dos pesquisadores mais respeitados do pa\u00eds na busca de solu\u00e7\u00f5es para a covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso significa&#8221;, continua ele, &#8220;que existiria um efeito cumulativo. Portanto, ter uma segunda infec\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave para a sa\u00fade do que s\u00f3 ter uma e, pior ainda do que pegar a covid-19 duas vezes, \u00e9 ficar com o v\u00edrus tr\u00eas vezes ou mais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo depois da vacina.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas analisadas no estudo foram divididas em tr\u00eas grandes grupos. Um deles era o de quem conseguiu passar ileso pela pandemia e n\u00e3o tinha sido diagnosticado com covid-19 at\u00e9 aquele momento. O segundo era de quem pegou a doen\u00e7a uma \u00fanica vez e, finalmente, havia o grupo de quem se reinfectou mais tarde. Neste \u00faltimo, os pesquisadores ainda diferenciaram quem teve a infec\u00e7\u00e3o duas, tr\u00eas ou \u2014 credo! \u2014 quatro vezes ou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, cruzaram com os registros dos problemas que toda essa gente experimentou ao longo de seis meses a partir do instante em que testou positivo no servi\u00e7o de sa\u00fade pela primeira vez ou na reinfec\u00e7\u00e3o, mas sempre usando como grupo controle, ou par\u00e2metro, aqueles sortudos que nunca souberam o que era estar com um Sars-CoV-2 no corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>As compara\u00e7\u00f5es do trabalho eram sempre feitas depois de apontarem quantos em cada mil indiv\u00edduos de cada um desses grupos foram flagrados com diabetes, problemas de coagula\u00e7\u00e3o e outras quest\u00f5es hematol\u00f3gicas, doen\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gr\u00e1ficos do artigo cient\u00edfico deixam claro que o risco para qualquer um dos males listados, sem contar a amea\u00e7a de morrer, sempre aumenta entre quem contraiu o coronav\u00edrus em rela\u00e7\u00e3o a quem escapou da covid-19. E ele vai crescendo na medida em que sobe o n\u00famero de reinfec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as pessoas vacinadas, esse padr\u00e3o n\u00e3o foi diferente. Ser\u00e1 que isso, ent\u00e3o, quer dizer que a vacina n\u00e3o funcionaria? J\u00e1 imagino a nuvem dessa pergunta passando sobre a sua cabe\u00e7a e respondo: nada disso!.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso quer dizer que, se voc\u00ea compara quem se vacinou com quem n\u00e3o se vacinou, o risco de quadros graves \u00e9 invariavelmente bem menor na primeira turma. No entanto, se voc\u00ea compara pessoas vacinadas entre si, ver\u00e1 que o perigo de ter algum problema \u00e9 sempre maior entre aqueles que, muitas vezes por excesso de confian\u00e7a, de algum modo se descuidaram e contra\u00edram o v\u00edrus m\u00faltiplas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, se duvidar, como estamos vendo agora, com o povo sem m\u00e1scara em lugares fechados e deixando o \u00e1lcool em gel para as m\u00e3os esquecido em algum canto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qualquer pessoa corre maior perigo ao se reinfectar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que o trabalho tenha sido bem conduzido, ele n\u00e3o \u00e9 perfeito. &#8220;A maioria dos dados usados \u00e9 referente a uma popula\u00e7\u00e3o de homens brancos&#8221;, repara o professor Andr\u00e9 B\u00e1fica. &#8220;Esse \u00e9 um ponto de cautela. Precisamos de novos estudos com popula\u00e7\u00f5es com uma diversidade maior.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, em tese os resultados poderiam ser diferentes dependendo da etnia, da idade \u2014 lembrando que os reservistas analisados s\u00e3o mais velhos \u2014 e at\u00e9 do sexo. Infelizmente, a pesquisa n\u00e3o incluiu mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, por enquanto n\u00e3o d\u00e1 para saber se as reinfec\u00e7\u00f5es s\u00e3o igualmente amea\u00e7adoras para uma senhora da mesma idade dos reservistas ou para um rapaz jovem, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Independentemente disso, como esse \u00e9 o primeiro estudo que mostra de uma maneira sistematizada que as reinfec\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de elevar o risco de problemas m\u00e9dicos, seus achados j\u00e1 servem para sugerir que a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica sejam implantadas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para evitar as reinfec\u00e7\u00f5es causadas pelas novas subvariantes circulando por a\u00ed.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De infec\u00e7\u00e3o em infec\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA(Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, conta: &#8220;Noutro dia, observei com colegas que a gente quase nunca fica examinando o que acontece quando uma pessoa tem uma reeinfec\u00e7\u00e3o por qualquer v\u00edrus, presumindo que ela ficaria protegida mais tarde, principalmente por conta de vacinas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, no fundo o que o trabalho americano revela \u00e9 que, a cada vez que o Sars-CoV-2 nos reinfecta, h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o da expectativa de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Talvez seja uma caracter\u00edstica dele. Mas talvez a mesma coisa aconte\u00e7a com outros v\u00edrus, despertando em n\u00f3s a curiosidade de realizar mais estudos levantando quantas vezes algu\u00e9m teve infec\u00e7\u00f5es virais, como bronquiolite na inf\u00e2ncia, sarampo e tantas outras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que, de infec\u00e7\u00e3o em infec\u00e7\u00e3o aparentemente curada, nosso corpo acumularia problemas capazes de atrapalhar a vida? Mais um enigma que a pandemia traz para a ci\u00eancia resolver.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>\u00a0e no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00facia Helena, Colunista de <strong><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/colunas\/lucia-helena\/2022\/11\/17\/covid-19-reinfeccao-pode-ter-efeito-cumulativo-e-causar-mais-complicacoes.htm?utm_source=whatsapp&amp;utm_medium=social-media&amp;utm_campaign=vivabem&amp;utm_content=geral\">VivaBem<\/a><\/strong>\/ UOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem um dia j\u00e1 testou positivo para covid-19, nestes tempos de subvariantes de \u00f4micron se espalhando feito poeira ao vento, talvez seja necess\u00e1rio rever aquela hist\u00f3ria de que menos mal se por acaso pegar o v\u00edrus de novo. 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