{"id":133619,"date":"2022-08-09T14:31:50","date_gmt":"2022-08-09T17:31:50","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=133619"},"modified":"2022-08-09T19:06:06","modified_gmt":"2022-08-09T22:06:06","slug":"pesquisa-da-ufs-retrata-surgimento-do-movimento-homossexual-em-sergipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/pesquisa-da-ufs-retrata-surgimento-do-movimento-homossexual-em-sergipe\/","title":{"rendered":"Pesquisa da UFS retrata surgimento do movimento homossexual em Sergipe"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cO movimento homossexual em Sergipe come\u00e7ou na d\u00e9cada de 70, na reuni\u00e3o da comunidade cat\u00f3lica dos homosexuais. Nessas reuni\u00f5es, aos s\u00e1bados, sempre prest\u00e1vamos atendimento a gays e transexuais que iam \u00e0s reuni\u00f5es cat\u00f3licas para n\u00e3o serem apedrejados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"650\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-11.03.42-1024x650.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-133628\"\/><figcaption>\nMax Cardoso analisou mem\u00f3ria do movimento homossexual em Sergipe. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV UFS\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O relato de Wellington Gomes Andrade, fundador e ex-presidente do Grupo Dialogay de Sergipe, demarca o surgimento da organiza\u00e7\u00e3o pioneira para a forma\u00e7\u00e3o do movimento homossexual, como era nomeada inicialmente a luta pelos direitos das pessoas LGBTQIAP+.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo que compreende a mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade cat\u00f3lica no final dos anos 70 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Grupo Dialogay entre 1981-1983 foi alvo da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Max Wesley Santos Cardoso. Ele buscou recompor o hist\u00f3rico do movimento no estado durante dois anos de pesquisa no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Sergipe (PROHIS-UFS), sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Alfredo Julien.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho, segundo Max, dedicou-se a compreender a estrutura de oportunidades culturais, sociais e pol\u00edticas que permitiu a emerg\u00eancia do movimento, mostrando o processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o do Dialogay. Para isso, foram resgatados discursos, a\u00e7\u00f5es e conex\u00f5es ativas, tanto a partir da mem\u00f3ria de Wellington Andrade, bem como das documenta\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o do Dialogay.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA minha pesquisa come\u00e7a retratando a mem\u00f3ria da comunidade cat\u00f3lica homossexual e desabrocha no Dialogay, a primeira organiza\u00e7\u00e3o LGBTQIAP+ que surge em Sergipe em 1981. Por\u00e9m, durante a pesquisa, foram encontrados vest\u00edgios de cartas dos anos 60, de um homem homossexual de Est\u00e2ncia, que se comunicava com jornais administrados por gays do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo,&#8221; pontua Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a organiza\u00e7\u00e3o da luta \u00e9 conhecida a partir de marcos hist\u00f3ricos que ocorreram, especialmente, nos dois estados da regi\u00e3o Sudeste. Entre eles, o lan\u00e7amento do Jornal Lampi\u00e3o da Esquina e a forma\u00e7\u00e3o do Grupo Somos. No entanto, Cardoso ressalta a exist\u00eancia de outros acontecimentos relacionados \u00e0 experi\u00eancias plurais e din\u00e2micas organizativas que ocorreram em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas organiza\u00e7\u00f5es homossexuais n\u00e3o surgem do nada, elas tem uma hist\u00f3ria. Foi nesse contexto, de encontrar essa hist\u00f3ria, que muitas vezes acabamos n\u00e3o conhecendo, que esse tema surgiu. Para conhecer essa hist\u00f3ria, que tamb\u00e9m \u00e9 minha, do movimento LGBTQIAP+\u201d, complementa o mestre em Hist\u00f3ria pela UFS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comunidade cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Max retrata a cria\u00e7\u00e3o de um grupo cat\u00f3lico de acolhimento para homossexuais, que atuava sem o conhecimento da igreja cat\u00f3lica enquanto institui\u00e7\u00e3o, realizando atividades exclusivamente na casa de um padre, chamado Inaldo. Apesar de n\u00e3o ter caracter\u00edsticas de um movimento homossexual no sentido cl\u00e1ssico, a experi\u00eancia foi vista como uma janela de oportunidade para a organiza\u00e7\u00e3o dos homossexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a partir da rede de rela\u00e7\u00f5es constru\u00edda por Wellington Andrade na comunidade crist\u00e3 que o movimento homossexual em Sergipe buscou ocupar espa\u00e7o dentro do jornal Lampi\u00e3o da Esquina, como uma forma de fazer conex\u00f5es com a sociedade e os outros grupos gays do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1980, no Diret\u00f3rio Central dos Estudantes da Universidade Federal de Sergipe (DCE-UFS), Wellington, como distribuidor do tabl\u00f3ide em Sergipe, lan\u00e7ou o jornal para o p\u00fablico sergipano, contando com a presen\u00e7a da travesti e artista Suzana Vermont.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dialogay<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grupos homossexuais mais duradouros do Brasil existiu at\u00e9 2003. Durante mais de 20 anos, liderou a\u00e7\u00f5es para dar visibilidade aos homossexuais e garantir direitos e liberdades civis, promovendo as primeiras a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o durante a epidemia do v\u00edrus HIV\/Aids no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enfrentamos toda a sociedade, a igreja, a fam\u00edlia. Nosso trabalho do Dialogay foi muito \u00e1rduo. Agrade\u00e7o a Deus por n\u00e3o terem me matado. Muitas vezes, fui chamado de madrugada para atender travestis que sofreram coisas terr\u00edveis&#8221;, conta Wellington Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parte dos documentos que o pesquisador analisou est\u00e1 dispon\u00edvel no acervo da Associa\u00e7\u00e3o Astra Direitos Humanos e Cidadania, voltada para a luta pelos direitos das pessoas LGBTQIAP+. De acordo com a presidente da Associa\u00e7\u00e3o, Thatiane Ara\u00fajo, a Astra surgiu em 2001. Com o fim do Dialogay, a Astra herdou o acervo com todo o material hist\u00f3rico que pertencia ao grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Astra n\u00e3o s\u00f3 herdou o acervo hist\u00f3rico do Dialogay, mas tamb\u00e9m um conjunto de atividades que a gente j\u00e1 fazia em conjunto. A import\u00e2ncia disso est\u00e1 em todos os movimentos sociais resguardarem sua hist\u00f3ria. Ter esse registro, pra poder contar e comprovar os fatos, lutas e conquistas&#8221;, pontua a presidente da Astra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>,&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>&nbsp;e no&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jhonny Oliveira com supervis\u00e3o de Josaf\u00e1 Neto \/ comunica@academico.ufs.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO movimento homossexual em Sergipe come\u00e7ou na d\u00e9cada de 70, na reuni\u00e3o da comunidade cat\u00f3lica dos homosexuais. 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