{"id":129916,"date":"2021-09-21T07:03:45","date_gmt":"2021-09-21T10:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=129916"},"modified":"2021-09-21T07:05:48","modified_gmt":"2021-09-21T10:05:48","slug":"capacitismo-expressoes-sao-discriminatorias-com-quem-tem-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/capacitismo-expressoes-sao-discriminatorias-com-quem-tem-deficiencia\/","title":{"rendered":"Capacitismo: express\u00f5es s\u00e3o discriminat\u00f3rias com quem tem defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem v\u00ea a fot\u00f3grafa Milene Nunes, de 38 anos de idade, registrando partos de beb\u00eas n\u00e3o imagina como foi a jornada para descobrir sua perda auditiva e aprender a lidar com a defici\u00eancia. Hoje, ela n\u00e3o se sente intimidada com algum coment\u00e1rio malicioso que possa surgir, mas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia foi diferente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"575\" height=\"420\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp_image_2021-09-20_at_18.20.24.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129917\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp_image_2021-09-20_at_18.20.24.jpeg 575w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp_image_2021-09-20_at_18.20.24-300x219.jpeg 300w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/whatsapp_image_2021-09-20_at_18.20.24-278x202.jpeg 278w\" sizes=\"(max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><figcaption>Hoje \u00e9 o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Defici\u00eancia &#8211; Foto: Gabriela Borba\/Abr<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela tem perda auditiva gen\u00e9tica, mas s\u00f3 teve o diagn\u00f3stico aos 23 anos. \u201cQuando eu era crian\u00e7a e jovem as pessoas falavam: &#8216;Ah voc\u00ea \u00e9 surda!?&#8217; Mas, para mim era brincadeira de jovem mesmo. E como ningu\u00e9m da minha fam\u00edlia ainda tinha comentado sobre a perda auditiva, eu achava que o mundo era daquele jeito, que eu n\u00e3o conseguia entender mesmo o que as pessoas falavam, eu achava que era normal aquilo e as piadinhas que as pessoas contavam eu raramente entendia.\u201d Nesta ter\u00e7a-feira (21), \u00e9 lembrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Milene conta sobre sua audi\u00e7\u00e3o. \u201cNa fase da juventude, quando a gente ouve rock and roll, eu n\u00e3o gostava, porque quem tem perda auditiva tem uma sensibilidade maior para alguns ru\u00eddos, ent\u00e3o para mim guitarra \u00e9 insuport\u00e1vel. M\u00fasica alta, pessoas gritando, gente batendo palma em espet\u00e1culo, por exemplo, para mim \u00e9 insuport\u00e1vel. N\u00f3s somos mais sens\u00edveis para alguns ru\u00eddos na vida cotidiana e ao mesmo tempo n\u00e3o entendemos outros, o que \u00e9 bem contradit\u00f3rio. Eu tenho uma perda auditiva hoje equivalente \u00e0 [de] uma senhora de 80 anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Milene diz que, se h\u00e1 preconceito com a perda auditiva dela, \u00e9 velado. \u201cNunca tive problema em trabalho, em relacionamentos afetivos, nunca foi um problema pra mim, n\u00e3o que eu saiba, ningu\u00e9m nunca verbalizou. Eu tive relacionamentos normais, como todas as pessoas. L\u00f3gico que, se estou num grupo de amigos e n\u00e3o escuto uma conversa ou outra, \u00e9 um pouco mais complicado. Hoje sou dona da minha pr\u00f3pria empresa. Tenho outras pessoas que s\u00e3o colaboradoras, mas eu sou a \u00fanica funcion\u00e1ria. Ent\u00e3o, quando eu vou para um parto, que \u00e9 um lugar silencioso e a equipe est\u00e1 conversando, definindo algumas interven\u00e7\u00f5es ou protocolos, enfim, eu n\u00e3o entendo, sussurros, eu n\u00e3o entendo. Sei que eu n\u00e3o consigo acompanhar as conversas, mas se esse preconceito existe ele \u00e9 muito velado. E me ajuda muito o fato de ter o cabelo que tampa um pouco [o aparelho auditivo] e esteticamente \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para mim.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Milene tem sorte de n\u00e3o passar por preconceitos em seu cotidiano, mas a pr\u00f3pria express\u00e3o \u201cvoc\u00ea \u00e9 surda\u201d, que ouvia quando ela era crian\u00e7a, j\u00e1 mostra o capacitismo, ou seja, o preconceito que tem como base a capacidade de outros seres humanos, principalmente na parcela da popula\u00e7\u00e3o com algum tipo de defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Capacitismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O capacitismo \u00e9 uma forma de preconceito contra pessoas com defici\u00eancia, que envolve uma preconcep\u00e7\u00e3o sobre as capacidades que uma pessoa tem ou n\u00e3o devido a uma defici\u00eancia, e geralmente reduz uma pessoa a essa defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTal como ocorre com o racismo, o sexismo e as discrimina\u00e7\u00f5es contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, o capacitismo \u00e9 estrutural na sociedade brasileira. Ele est\u00e1 arraigado em quase todas as nossas pr\u00e1ticas cotidianas. S\u00e3o atitudes capacitistas, por exemplo, presumir que uma pessoa com defici\u00eancia seja incapaz de realizar qualquer atividade que as ditas pessoas normais realizam. \u00c9 fato que o modo como algumas pessoas com defici\u00eancia realiza atividades pode n\u00e3o ser o mesmo que outras pessoas sem defici\u00eancia realizam, mas, nem por isso, elas deixam de realizar ou as fazem de maneira errada e incompleta. Lembremos que todos n\u00f3s realizamos atividades de vida di\u00e1ria de acordo com as nossas possibilidades\u201d, define o cientista social Julian Sim\u00f5es, p\u00f3s-doutorando na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo de atitude capacitista \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de ambientes pautados em apenas uma experi\u00eancia corporal considerada a normal, a desej\u00e1vel e a saud\u00e1vel, completa Sim\u00f5es, que \u00e9 membro do Comit\u00ea Defici\u00eancia e Acessibilidade da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos uma s\u00e9rie de edif\u00edcios com portas de entrada, por exemplo, que dificultam o acesso de pessoas com cadeiras de rodas, pessoas com mobilidade reduzida, pessoas com crian\u00e7as de colo, pessoas gordas, enfim, pessoas que n\u00e3o se encaixam na referida e excludente normatividade que atribui valor a alguns corpos como normais. Construir uma entrada espec\u00edfica para pessoas com defici\u00eancia, por exemplo, \u00e9 capacitista, uma vez que reconhece a especificidade do corpo, mas atribui a essa especificidade um valor negativo indicando que tal corpo n\u00e3o se encaixa no que \u00e9 considerado normal e que todas as pessoas fazem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para este caso, ele sugere, \u201c\u00e9 projetar uma entrada \u00fanica que seja capaz de contemplar pessoas em cadeiras de rodas, pessoas com crian\u00e7as de colo, pessoas com defici\u00eancia visual, surdas ou com defici\u00eancia auditiva, bem como pessoas com mobilidade reduzida, gordas e pessoas sem defici\u00eancia&#8221;. &#8220;\u00c9 um esfor\u00e7o de desenho universal. Ou seja, n\u00e3o ser\u00e1 preciso uma entrada espec\u00edfica para as pessoas sem defici\u00eancia \u2013 tomadas como as normais \u2013 e outra espec\u00edfica para pessoas com defici\u00eancia \u2013 tomadas como anormais\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista social chama aten\u00e7\u00e3o para as express\u00f5es lingu\u00edsticas segregacionistas adotadas no dia a dia. \u201cA express\u00e3o \u201cidiota e retardado\u201d para colocar em xeque as manifesta\u00e7\u00f5es de l\u00f3gica e de racioc\u00ednio de algu\u00e9m \u00e9 um desses exemplos. Outros exemplos s\u00e3o: a express\u00e3o \u201cmancada\u201d para falar de deslizes nas condutas, uma vez que n\u00e3o mancar, segundo o que se cr\u00ea popularmente, \u00e9 considerado a atitude \u201cnormal e desej\u00e1vel\u201d dos corpos sem defici\u00eancia; a express\u00e3o \u201cn\u00e3o ter bra\u00e7os ou pernas suficientes\u201d para quando queremos dizer que temos muitas tarefas a fazer e uma grande dificuldade para realiz\u00e1-las por falta de contingente de pessoas; as express\u00f5es \u201cest\u00e1 surdo?\u201d ou \u201cest\u00e1 cego\u201d para questionar uma pessoa que, por algum motivo, n\u00e3o entendeu o que se comunica, seja por conta das barreiras sociais a ela impostas, seja porque adota outras formas de perceber o mundo social que a cerca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00f5es completa que o capacitismo est\u00e1 relacionado a uma s\u00e9rie de express\u00f5es naturalizadas como isentas de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, mas que guardam em comum uma concep\u00e7\u00e3o segregacionista que toma uma manifesta\u00e7\u00e3o corporal como sendo a normal, a desej\u00e1vel e a perfeita. \u201cPesquisadoras e pesquisadores do tema est\u00e3o chamando essa atitude de corponormatividade, ou seja, um conjunto de normas e regras que visa regular corpos diversos a partir de refer\u00eancias de corpos considerados normais e saud\u00e1veis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quem est\u00e1 no mercado de trabalho e tem alguma defici\u00eancia sente mais o capacitismo, explica a psic\u00f3loga Andr\u00e9a Chaves. \u201cNas organiza\u00e7\u00f5es de trabalho isso \u00e9 mais frequente, eu acredito. Frases do tipo: &#8216;Dar uma de Jo\u00e3o sem bra\u00e7o&#8217;, &#8216;Parece cego em tiroteio&#8217;, &#8216;Agindo assim parece um autista&#8217;. Essas frases demonstram claramente a necessidade de rebaixar o outro, com compara\u00e7\u00f5es pejorativas. No mercado de trabalho, isso \u00e9 frequente e parece inofensivo, quando na verdade \u00e9 um modelo adoecido de estabelecer compara\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da psic\u00f3loga, o capacitismo no Brasil atinge principalmente os profissionais com defici\u00eancias que podem ser de natureza f\u00edsica, auditiva, visual, intelectual e tamb\u00e9m defici\u00eancias m\u00faltiplas. \u201cO capacitismo \u00e9 a fal\u00e1cia de que alguns seres humanos s\u00e3o inferiores a outros, em raz\u00e3o de alguma de suas caracter\u00edsticas. E no Brasil infelizmente existe um emparelhamento de capacidade laboral x habilidades f\u00edsicas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lei de Cotas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga lembra que a Lei de Cotas, que h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas garante a inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho, veio cobrir uma lacuna. A medida para contrata\u00e7\u00e3o desse p\u00fablico \u00e9 prevista na Lei de Cotas para Pessoas com Defici\u00eancia (8.213\/91).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Lei de Cotas vem para pagar uma d\u00edvida hist\u00f3rica de s\u00e9culos de segrega\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 como um financiamento imobili\u00e1rio, o pagamento \u00e9 baixo diante do saldo devedor. Acredito que, sem a Lei de Cotas, o mercado de trabalho n\u00e3o teria se aberto a pessoas com defici\u00eancia. Por\u00e9m, \u00e9 preciso treinar as organiza\u00e7\u00f5es a colocarem valores na diferen\u00e7a. E n\u00e3o apenas querer contratar um \u201cdeficiente leve\u201d como se isso fosse poss\u00edvel, apenas para cumprir a legisla\u00e7\u00e3o. Mas temos refer\u00eancias bem-sucedidas de empresas que de fato come\u00e7aram a colocar valor na diferen\u00e7a e a compreender que todos podem contribuir com as metas organizacionais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Cotas estabelece que empresas com 100 ou mais empregados preencham uma parcela de seus cargos com pessoas com defici\u00eancia. A reserva de vagas depende do n\u00famero total de empregados que a empresa tem.<\/p>\n\n\n\n<p>Andrea Chaves, que tem defici\u00eancia visual, conta a pr\u00f3pria experi\u00eancia de trabalho. \u201cEu s\u00f3 enxergo de um olho e em Bras\u00edlia fui a primeira mulher com defici\u00eancia a tripular uma viatura do Samu [Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia]. Com limita\u00e7\u00f5es, mas nunca com restri\u00e7\u00f5es. E \u00e9 assim que deveria caminhar a humanidade. Todo ser humano tem habilidades e compet\u00eancias e isso nos torna parceiros uns dos outros e n\u00e3o concorrentes\u201d, considera.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o cientista social Julian Sim\u00f5es, \u00e9 preciso garantir que sejam cumpridas as cotas, mas ele concorda que \u00e9 necess\u00e1rio fazer mais do que isso. \u201cContratar pessoas com defici\u00eancia sup\u00f5e garantir condi\u00e7\u00f5es para que elas permane\u00e7am no ambiente de trabalho, ou seja, garantia de acessibilidade, como tamb\u00e9m sup\u00f5e garantir possibilidade de desenvolvimento profissional. Se continuarmos a presumir a incapacidade de pessoas com defici\u00eancia nos ambientes de trabalhos n\u00e3o estamos propiciando mudan\u00e7a social, e sim manuten\u00e7\u00e3o de preconceitos e o refor\u00e7o de uma concep\u00e7\u00e3o integracionista [e n\u00e3o inclusiva] que joga a responsabilidade do que \u00e9 coletivo para as pessoas com defici\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, a Lei de Cotas pode ser vista com um dos instrumentos que podem ser usados para enfrentar o capacitismo, considera Sim\u00f5es. \u201cPara que isso ocorra, \u00e9 preciso uma s\u00e9rie de outras a\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a social. Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento a desigualdades, precisamos de ambientes acess\u00edveis e da constru\u00e7\u00e3o de uma nova forma de compreender e se relacionar com a defici\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como evitar o capacitismo<\/strong><br><br>Autor de um estudo que identificou mais de 300 palavras de cunho racista, LGBTf\u00f3bico, xen\u00f3fobo, capacitista e sexista, o doutor em lingu\u00edstica Thomas Daniel Finbow realizou o estudo a pedido de uma empresa que desenvolvia um aplicativo na forma de um \u201cteclado antipreconceito\u201d que sugeriria alternativas a express\u00f5es de cunho preconceituoso quando apareciam na linguagem do usu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Do levantamento feito pelo linguista nasceu o aplicativo Teclado Anti Preconceito, que fornece substitui\u00e7\u00f5es toda vez em que uma forma de preconceito \u00e9 escrita no celular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu pequeno estudo inicial n\u00e3o procurou calcular as frequ\u00eancias de ocorr\u00eancia dos termos, mas espero que, nas fases posteriores, que os desenhadores planejam, esse fator seja contemplado. Basta dizer que linguagem capacitista \u00e9 muito comum nas intera\u00e7\u00f5es cotidianas, com palavras que se referem a quest\u00f5es de capacidade mental e psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica provavelmente as mais usadas, por exemplo, &#8216;retardado&#8217;, &#8216;d\u00e9bil mental&#8217;, &#8216;maluco&#8217;, &#8216;imbecil&#8217;, isso \u00e9 uma impress\u00e3o minha, depois de levantar as express\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o do linguista, \u00e9 poss\u00edvel evitar a linguagem capacitista. \u201cA melhor maneira \u00e9 informar-se sobre as prefer\u00eancias do interlocutor. Existem associa\u00e7\u00f5es que representam diferentes grupos que podem prestar consultorias. Tamb\u00e9m existem diversos manuais de linguagem inclusiva na internet que podem ser consultados facilmente e que oferecem muitas dicas e solu\u00e7\u00f5es extremamente \u00fateis. Embora ainda em fase inicial, o teclado antipreconceito tamb\u00e9m existe para isso\u201d, recomenda Finbow.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o cientista social Julian Sim\u00f5es, evitar o capacitismo tamb\u00e9m exige empenho e a\u00e7\u00f5es concretas. \u201cN\u00e3o basta n\u00e3o ser capacitista, \u00e9 preciso ser anticapacitista. Isso significa dizer que a primeira coisa que necessitamos fazer \u00e9 reconhecer que vivemos em um pa\u00eds capacitista. Como disse antes, s\u00e3o atitudes arraigadas em nossa vida cotidiana que precisam ser repensadas e reconstru\u00eddas a partir de uma chave inclusiva e de valoriza\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas experi\u00eancias dos corpos. Discutir o capacitismo e outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o na sala de aula, por exemplo, \u00e9 fundamental e um bom come\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00f5es diz acreditar que h\u00e1 ainda outras atitudes para enfrentar o capacitismo. \u201cFormar profissionais que compreendam a defici\u00eancia como um fen\u00f4meno social e n\u00e3o do corpo individual \u00e9 de suma import\u00e2ncia. Da\u00ed creio existir a necessidade de disciplinas nos cursos t\u00e9cnicos e de gradua\u00e7\u00e3o em que se discuta defici\u00eancia, acessibilidade e inclus\u00e3o como forma de enfrentamento \u00e0s desigualdades sociais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista defende que \u00e9 preciso dar visibilidade \u00e0s pessoas com defici\u00eancia para que contem suas experi\u00eancias e as barreiras sociais por elas enfrentadas diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDessa maneira, conseguimos colocar em perspectiva nossas atitudes e reconhecer que h\u00e1 uma multiplicidade de experi\u00eancias poss\u00edveis. Em outros termos \u00e9 dizer que, ao reconhecermos a diversidade como inerente \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de humanos, conseguimos entender que n\u00e3o h\u00e1 um jeito certo ou normal de fazer uma determinada tarefa. Conseguimos, ainda, desconstruir hierarquias corporais que valorizam os corpos sem defici\u00eancia e discriminam todas as outras manifesta\u00e7\u00f5es corporais atrelando a eles no\u00e7\u00f5es de incapacidade, anormalidade e fragilidade, por exemplo\u201d, finaliza o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Quer receber as principais not\u00edcias do<\/strong>&nbsp;<strong>SE Not\u00edcias<\/strong>&nbsp;<strong>no seu<\/strong>&nbsp;<strong>WhatsApp?<\/strong>&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?phone=5579991715289\">Clique aqui<\/a><\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>\u00a0e no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea a fot\u00f3grafa Milene Nunes, de 38 anos de idade, registrando partos de beb\u00eas n\u00e3o imagina como foi a jornada para descobrir sua perda auditiva e aprender a lidar com a defici\u00eancia. 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