{"id":128586,"date":"2021-06-28T18:05:04","date_gmt":"2021-06-28T21:05:04","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=128586"},"modified":"2021-06-28T18:09:10","modified_gmt":"2021-06-28T21:09:10","slug":"lgbti-celebram-avancos-em-10-anos-de-unioes-homoafetivas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/lgbti-celebram-avancos-em-10-anos-de-unioes-homoafetivas-no-brasil\/","title":{"rendered":"LGBTI celebram avan\u00e7os em 10 anos de uni\u00f5es homoafetivas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>O \u201csim\u201d un\u00e2nime dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em 2011, as uni\u00f5es homoafetivas como entidades familiares, abrindo caminho a uma d\u00e9cada de avan\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersexuais (LGBTI) brasileiros. Reconhecida pelo Comit\u00ea Nacional do Brasil, do Programa Mem\u00f3ria do Mundo da Unesco, como patrim\u00f4nio documental da humanidade, a decis\u00e3o completou dez anos em 5 de maio de 2021, assim como j\u00e1 fazem bodas casais que se uniram a partir dela e celebram, neste Dia Internacional do Orgulho LGBTI (28), direitos conquistados em d\u00e9cadas de luta por igualdade e dignidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"580\" height=\"347\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/10-anos-LGBTI-SE-Noticias.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-128587\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/10-anos-LGBTI-SE-Noticias.jpeg 580w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/10-anos-LGBTI-SE-Noticias-300x179.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption>Uni\u00f5es foram reconhecidas pelo STF em 2011 como entidades familiares &#8211; Foto: arquivo\/Abr<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As advogadas Patr\u00edcia Farina, de 35 anos, e Fernanda Marques, de 49 anos, j\u00e1 namoravam h\u00e1 seis anos quando o Supremo abriu as portas para que, anos mais tarde, elas se casassem em um cart\u00f3rio no bairro da Liberdade, em S\u00e3o Paulo. A realiza\u00e7\u00e3o de casamentos homoafetivos em qualquer cart\u00f3rio do Brasil foi garantida em 2013 pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) e, em 2015, as duas decidiram assinar os pap\u00e9is por um motivo pragm\u00e1tico, lembra Patr\u00edcia, que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tinha o casamento como um sonho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente pensou em ir para os Estados Unidos (EUA), vimos que n\u00e3o ia rolar de conseguir o visto se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos casadas. Ela n\u00e3o tinha im\u00f3vel nenhum e era aut\u00f4noma, ent\u00e3o era muito f\u00e1cil negarem o visto dela\u201d, lembra Patr\u00edcia, que foi surpreendida pela emo\u00e7\u00e3o que o casamento trouxe. \u201cDeu tudo errado, a gente acabou n\u00e3o indo para os Estados Unidos, mas foi t\u00e3o importante. A minha chavinha virou exatamente na hora em que ela colocou a alian\u00e7a no meu dedo. Fiquei muito emocionada. Ali, comecei a achar que era o meu sonho e eu n\u00e3o sabia. Foi muito especial para mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia lembra que nunca havia ido a um casamento homoafetivo como convidada, mas, depois do seu, muitos vieram. \u201cA gente se casou e, nos seis meses seguintes, foi uma galera. No dia, foi t\u00e3o emocionante, as meninas e os meninos ficaram t\u00e3o emocionados, que come\u00e7aram a falar que estavam loucos para se casar. Na hora em que jogamos o buqu\u00ea, os que pegaram j\u00e1 foram os pr\u00f3ximos mesmo\u201d, conta a advogada, que acredita que o casamento fez com que tivesse ainda mais coragem de se posicionar como mulher l\u00e9sbica. \u201cEu nunca me escondi, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me jogava para o mundo. A partir da\u00ed, foi um processo de come\u00e7ar a me jogar para o mundo. De me perguntarem: \u2018O que ela \u00e9 sua?\u2019, e eu responder: \u2018\u00e9 minha esposa\u2019. Muda muito e te d\u00e1 uma seguran\u00e7a maior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o STF ter reconhecido a uni\u00e3o est\u00e1vel homoafetiva em 2011 com os mesmos direitos da heteroafetiva, a convers\u00e3o dessa uni\u00e3o em casamento ainda dependia de uma senten\u00e7a judicial, o que s\u00f3 mudou em todo o pa\u00eds em 2013, com a resolu\u00e7\u00e3o do CNJ que determinou que nenhum cart\u00f3rio poderia rejeitar a realiza\u00e7\u00e3o de casamentos homoafetivos. Antes disso, a necessidade de entrar na Justi\u00e7a ou a possibilidade de casar diretamente no cart\u00f3rio dependia de onde o casal morava.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras uni\u00f5es est\u00e1veis homoafetivas convertidas em casamento pela via judicial ocorreram no pa\u00eds em junho de 2011. Em outubro, o primeiro casal de mulheres conseguiu decis\u00e3o favor\u00e1vel para realizar um casamento sem que houvesse uni\u00e3o est\u00e1vel anterior e, em dezembro daquele ano, ocorreu o primeiro casamento homoafetivo do Brasil, firmado diretamente em cart\u00f3rio, sem senten\u00e7a judicial, em Porto Alegre. Ao tomarem conhecimento dessa possibilidade, o cientista pol\u00edtico Lucas Rezende, de 38 anos, e o empres\u00e1rio Felipe Matos, tamb\u00e9m de 38 anos, foram a esse cart\u00f3rio ga\u00facho em julho de 2012. A incerteza se conseguiriam ou n\u00e3o formalizar a uni\u00e3o fez com que nem marcassem uma festa para celebr\u00e1-la, conta Lucas, que chegou ao cart\u00f3rio ainda inseguro sobre o que aconteceria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando nos casamos, a gente n\u00e3o sabia se o casamento ia acontecer mesmo, se seria suspenso, se seria cancelado pela Justi\u00e7a ou qualquer coisa do tipo\u201d lembra ele, que n\u00e3o deixou de comemorar a uni\u00e3o com uma festa meses depois, com amigos como celebrantes. \u201cFoi a primeira [festa de casamento homoafetivo] de todos ali. Muitos dos amigos que estavam l\u00e1 tomaram coragem para se casar depois do nosso casamento. Isso foi muito legal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do orgulho de poder celebrar seu relacionamento como qualquer casal, Lucas conta que a formaliza\u00e7\u00e3o foi um passo fundamental para muitos outros na vida a dois. \u201cFizemos plano de sa\u00fade juntos, que foi a primeira coisa, uma conta banc\u00e1ria juntos, depois compramos uma casa juntos, e, por fim, adotamos uma crian\u00e7a. Foram quest\u00f5es que s\u00f3 se tornaram poss\u00edveis depois da formaliza\u00e7\u00e3o do nosso casamento\u201d, conta ele, que acredita que as decis\u00f5es do STF e do CNJ impulsionaram tamb\u00e9m a visibilidade dos casais LGBTI na imprensa e na publicidade. \u201cA presen\u00e7a dos casais homoafetivos na cultura e na sociedade, na m\u00eddia e na propaganda ainda \u00e9 pequena, porque h\u00e1 muito mais pessoas que s\u00e3o casais homoafetivos. Mas o avan\u00e7o que houve \u00e9 important\u00edssimo, significativo, e indica o progresso e a inclus\u00e3o, por mais que haja ondas de retrocesso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Quer receber as principais not\u00edcias do&nbsp;<strong>SE Not\u00edcias<\/strong>&nbsp;no seu&nbsp;<strong>WhatsApp?<\/strong>&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?phone=5579991715289\">Clique aqui<\/a><\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>,\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>\u00a0e no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201csim\u201d un\u00e2nime dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em 2011, as uni\u00f5es homoafetivas como entidades familiares, abrindo caminho a uma d\u00e9cada de avan\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersexuais (LGBTI) brasileiros. 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