{"id":120290,"date":"2019-10-01T17:45:09","date_gmt":"2019-10-01T20:45:09","guid":{"rendered":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=120290"},"modified":"2019-10-01T17:55:10","modified_gmt":"2019-10-01T20:55:10","slug":"duas-pessoas-morreram-com-doenca-similar-a-leishmaniose-porem-mais-grave-em-sergipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/duas-pessoas-morreram-com-doenca-similar-a-leishmaniose-porem-mais-grave-em-sergipe\/","title":{"rendered":"Duas pessoas morreram com doen\u00e7a similar \u00e0 leishmaniose, por\u00e9m mais grave, em Sergipe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma nova doen\u00e7a, com sintomas semelhantes \u00e0 leishmaniose visceral, mas mais grave e resistente ao tratamento, foi descoberta em Sergipe. Duas pessoas morreram por causa da doen\u00e7a, que j\u00e1 acometeu 150 pessoas em Aracaju. O parasita ainda \u00e9 desconhecido, mas os pesquisadores j\u00e1 identificaram que ele \u00e9 diferente da Leishmania, respons\u00e1vel pela leishmaniose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a est\u00e1 sendo investigada por um grupo de pesquisadores brasileiros, que publicaram um artigo na\u00a0<em>Emerging Infectious Diseases<\/em>, a revista do Centro de Controle de Doen\u00e7as Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos. A pesquisa \u00e9 realizada no Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID), com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/p>\n<div id=\"attachment_120294\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/4-27-e1569963148516.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-120294\" class=\"size-full wp-image-120294\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/4-27-e1569963148516.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"399\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-120294\" class=\"wp-caption-text\">A doen\u00e7a est\u00e1 sendo investigada por um grupo de pesquisadores brasileiros (foto: Ag\u00eancia Brasil)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liderada pela professora Sandra Regina Costa Maruyama, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), o estudo est\u00e1 sendo desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da equipe do professor Jo\u00e3o Santana Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto, da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diagn\u00f3stico, sintoma e tratamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diagn\u00f3stico e tratamento dos pacientes foi feito pelo m\u00e9dico Roque Pacheco de Almeida, professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, pesquisador e m\u00e9dico do Hospital Universit\u00e1rio\/EBSERH de Aracaju. Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Almeida contou que a doen\u00e7a vem infectando pessoas desde 2011 na capital sergipana, quando ele diagnosticou e tratou o primeiro caso. Esse paciente morreu em 2012, em consequ\u00eancia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sintomas, segundo ele, s\u00e3o muito parecidos aos do calazar (nome mais popular da leishmaniose visceral), mas evoluem com mais gravidade. \u201cA gente trata muitos pacientes com calazar aqui. S\u00e3o v\u00e1rios por ano. Um desses pacientes n\u00e3o respondeu ao tratamento. Ele recidivou [a doen\u00e7a reapareceu], tratamos novamente, recidivou de novo. E, na terceira recidiva, apareceram les\u00f5es na pele. Em pacientes sem HIV n\u00e3o vemos isso. Ele n\u00e3o tinha HIV e apareceram les\u00f5es na pele, pelo corpo inteiro, tipo bot\u00f5es, que chamamos de p\u00e1pulas\u201d, contou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando fizemos a bi\u00f3psia, eram c\u00e9lulas repletas de parasitas. E a\u00ed o paciente evoluiu gravemente ao que chamamos de leishmaniose visceral grave, com sangramento. O ba\u00e7o dele era gigante, e a gente tentou formas de tratamento, mas ele n\u00e3o sobreviveu\u201d, contou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Almeida coletou amostras de tecidos desse paciente e os enviou a Jo\u00e3o Santana Silva, especialista em imunologia da FMRP-USP, que n\u00e3o conseguiu identificar o parasita pelos m\u00e9todos tradicionais, comparando-o \u00e0s esp\u00e9cies j\u00e1 conhecidas de Leishmania. Em 2014, a identifica\u00e7\u00e3o do parasita ficou a cargo da bi\u00f3loga e imunologista Sandra Regina Costa Maruyama, que come\u00e7ou a desconfiar que se tratava, na verdade, de um novo parasita que ainda n\u00e3o havia sido descrito pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente estava diante de um caso grave. Como n\u00e3o conhec\u00edamos outras doen\u00e7as, a gente achou que era um calazar grave. Mas quando fomos ver, o parasita isolado da medula \u00f3ssea, da pele e do ba\u00e7o [desse paciente] se comportava tamb\u00e9m de maneira diferente em um camundongo [de laborat\u00f3rio]. O parasita [retirado] da pele dava les\u00e3o na pele do camundongo, mas n\u00e3o dava nos \u00f3rg\u00e3os. E o parasita que veio da medula \u00f3ssea dava les\u00e3o parecida com o calazar, no ba\u00e7o e no f\u00edgado [do camundongo]. Temos ent\u00e3o dois parasitas diferentes no mesmo paciente\u201d, falou Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles ent\u00e3o fizeram um sequenciamento do DNA do parasita, que foi comparado ao de outros protozo\u00e1rios. Os pesquisadores perceberam, ent\u00e3o, que n\u00e3o se tratava de Leishmania. O novo parasita se assemelha ao\u00a0<em>Crithidia fasciculata<\/em>, que infecta apenas insetos e que \u00e9 incapaz de infectar mam\u00edferos. No entanto, essa nova esp\u00e9cie de parasita foi capaz de infectar humanos e camundongos \u2013 e de forma grave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Almeida, os 150 pacientes isolados tamb\u00e9m est\u00e3o sendo testados para se avaliar se tamb\u00e9m foram infectados por esse novo parasita. \u201cBoa parte desses pacientes tamb\u00e9m pertence a esse novo grupo. Ou seja, o problema pode ser ainda maior do que estamos imaginando\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores esperam, em breve, conseguir descrever o novo parasita e nomear a nova doen\u00e7a. \u201cIdentificamos um parasita novo, uma doen\u00e7a nova, que causa uma doen\u00e7a grave e com resposta terap\u00eautica n\u00e3o totalmente suficiente ou eficaz. Queremos entender a extens\u00e3o disso e de onde apareceu esse parasita, se foi uma muta\u00e7\u00e3o. Tem uma linha grande de pesquisa para a gente investigar. Tamb\u00e9m queremos ver, geograficamente, para onde est\u00e1 se expandindo o parasita\u201d, disse Almeida.<\/p>\n<p><strong>Leishmaniose<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), entre 50 mil e 90 mil pessoas adoecem todos os anos com leishmaniose visceral. Dos casos registrados na Am\u00e9rica Latina, 90% ocorrem no Brasil. Tamb\u00e9m conhecida como calazar, ela \u00e9 transmitida ao homem pela picada de f\u00eameas do inseto infectado, conhecido popularmente como mosquito palha ou birigui. A transmiss\u00e3o aos insetos ocorre quando f\u00eameas do mosquito picam c\u00e3es ou outros animais infectados e depois picam o homem, transmitindo o protozo\u00e1rio\u00a0<em>Leishmania chagasi<\/em>, causador da leishmaniose visceral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, esses insetos s\u00e3o pequenos e t\u00eam como caracter\u00edsticas a colora\u00e7\u00e3o amarelada ou de cor palha e, em posi\u00e7\u00e3o de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas. Eles se desenvolvem em locais \u00famidos, sombreados e ricos em mat\u00e9ria org\u00e2nica (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favore\u00e7am a umidade do solo). No ambiente urbano, o c\u00e3o \u00e9 a principal fonte de infec\u00e7\u00e3o para o vetor, podendo desenvolver os sintomas da doen\u00e7a, que s\u00e3o: emagrecimento, queda de pelos, crescimento e deforma\u00e7\u00e3o das unhas, paralisia de membros posteriores e desnutri\u00e7\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos humanos, os sintomas da doen\u00e7a s\u00e3o febre de longa dura\u00e7\u00e3o, aumento do f\u00edgado e do ba\u00e7o, perda de peso, fraqueza, redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a muscular e anemia. Se n\u00e3o tratada, pode ser fatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2017, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 4.103 casos de leishamiose visceral foram notificados no Brasil, sendo que 1.824 deles registrados na Regi\u00e3o Nordeste. Em m\u00e9dia, cerca de 3,5 mil casos s\u00e3o registrados anualmente. Nos \u00faltimos anos, a letalidade vem aumentando gradativamente. Em 2017, 327 pessoas morreram no Brasil por causa dessa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a>\u00a0e no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Logo-novo-fone-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-119884\" src=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Logo-novo-fone-1.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"78\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Logo-novo-fone-1.jpg 599w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Logo-novo-fone-1-300x39.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova doen\u00e7a, com sintomas semelhantes \u00e0 leishmaniose visceral, mas mais grave e resistente ao tratamento, foi descoberta em Sergipe. 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