{"id":108440,"date":"2017-11-22T08:15:27","date_gmt":"2017-11-22T11:15:27","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=108440"},"modified":"2017-11-22T08:15:27","modified_gmt":"2017-11-22T11:15:27","slug":"a-cada-5-minutos-3-brasileiros-morrem-nos-hospitais-por-falhas-que-poderiam-ser-evitadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/a-cada-5-minutos-3-brasileiros-morrem-nos-hospitais-por-falhas-que-poderiam-ser-evitadas\/","title":{"rendered":"A cada 5 minutos, 3 brasileiros morrem nos hospitais por falhas que poderiam ser evitadas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os eventos adversos em hospitais s\u00e3o a segunda causa de morte mais comum no Brasil. Todo dia, 829 brasileiros falecem em decorr\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es adquiridas nos hospitais, o que equivale a tr\u00eas mortos a cada cinco minutos. Os n\u00fameros integram o primeiro Anu\u00e1rio da Seguran\u00e7a Assistencial Hospitalar no Brasil, do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS), produzido pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a partir de um termo de coopera\u00e7\u00e3o entre as duas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_108441\" style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hospitais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-108441\" class=\"size-full wp-image-108441\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Hospitais.jpg\" alt=\"Primeiro Anu\u00e1rio da Seguran\u00e7a Assistencial Hospitalar no Brasil, produzido pelo IESS e UFMG, indica que eventos adversos matam mais do que o c\u00e2ncer no Brasil. 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(Foto: Shutterstock)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas para efeito de compara\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m no ano passado, dados do Observat\u00f3rio Nacional de Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria indicam a morte de aproximadamente 129 brasileiros por acidente de tr\u00e2nsito a cada dia; o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (produzido pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica) aponta cerca de 164 mortes violentas (por homic\u00eddio e latroc\u00ednio, entre outros) por dia; e, o c\u00e2ncer mata 480 a 520 brasileiros por dia, segundo o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA). Isso significa que os eventos adversos matam mais do que a soma de acidentes de tr\u00e2nsito, homic\u00eddios, latroc\u00ednio e c\u00e2ncer. Apenas as doen\u00e7as cardiovasculares, consideradas a principal causa de falecimento no mundo, matam mais pessoa no Pa\u00eds: s\u00e3o 950 brasileiros por dia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O falecimento de 302.610 brasileiros em hospitais p\u00fablicos ou privados como consequ\u00eancia de um &#8220;evento adverso&#8221;, apenas em 2016, \u00e9 resultado, por exemplo, de erros de dosagem ou aplica\u00e7\u00e3o de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e infec\u00e7\u00e3o hospitalar, entre in\u00fameros outros casos. N\u00e3o significa, necessariamente, que houve um erro, neglig\u00eancia ou baixa qualidade, mas trata-se de incidente que poderia ter sido evitado, na maior parte das vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do \u00f3bito, os eventos adversos tamb\u00e9m podem gerar sequelas com comprometimento do exerc\u00edcio das atividades da vida do paciente e sofrimento ps\u00edquico, al\u00e9m de elevar o custo assistencial. De acordo com o Anu\u00e1rio, dos 19,1 milh\u00f5es de brasileiros internados em hospitais ao longo de 2016, 1,4 milh\u00e3o foram &#8220;v\u00edtimas&#8221; de ao menos um evento adverso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o existe sistema de sa\u00fade que seja infal\u00edvel. Mesmo os mais avan\u00e7ados tamb\u00e9m sofrem com eventos adversos. O que acontece no Brasil est\u00e1 inserido em um contexto global de falhas da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade nos diversos processos hospitalares. A diferen\u00e7a \u00e9 que, no caso brasileiro, apesar dos esfor\u00e7os, h\u00e1 pouca transpar\u00eancia sobre essas informa\u00e7\u00f5es e, sem termos clareza sobre o tamanho do problema, fica muito dif\u00edcil come\u00e7ar a enfrent\u00e1-lo&#8221;, afirma o Dr. Renato Couto, professor da UFMG e um dos respons\u00e1veis pelo Anu\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo, de acordo com o documento, ocorrem anualmente 421 milh\u00f5es de interna\u00e7\u00f5es hospitalares e 42,7 milh\u00f5es de eventos adversos, um problema de sa\u00fade p\u00fablica reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Nos Estados Unidos, pa\u00eds com popula\u00e7\u00e3o de quase 325 milh\u00f5es de pessoas, os eventos adversos causam 400 mil \u00f3bitos por ano, ou 1.096 por dia. O que faz com que esta seja a terceira causa de morte mais comum naquele pa\u00eds, atr\u00e1s apenas de doen\u00e7as cardiovasculares e do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O dado mais alarmante na compara\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos \u00e9 que o total de falecimentos por dia causados por eventos adversos est\u00e1 pr\u00f3ximo do brasileiro. S\u00e3o 1.096 l\u00e1 e 829 aqui. Mas a popula\u00e7\u00e3o norte americana \u00e9 55,6% maior do que a nossa. Eles s\u00e3o 323,1 milh\u00f5es, enquanto n\u00f3s somos 207,7 milh\u00f5es&#8221;, alerta Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS. &#8220;Precisamos estabelecer um debate nacional sobre a qualidade dos servi\u00e7os prestados na sa\u00fade a partir da mensura\u00e7\u00e3o de desempenho dos prestadores e, assim, prover o paciente com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de informa\u00e7\u00f5es para escolher a quem ele vai confiar os cuidados com sua vida.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O executivo destaca que, hoje, quando algu\u00e9m escolhe um determinado hospital para se internar, essa decis\u00e3o se baseia apenas em uma percep\u00e7\u00e3o de qualidade, na recomenda\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico ou na opini\u00e3o de conhecidos. Mas ningu\u00e9m tem condi\u00e7\u00f5es de garantir que aquele prestador realmente \u00e9 qualificado, simplesmente porque n\u00e3o temos indicadores de qualidade claros e amplamente conhecidos, como acontece em outros pa\u00edses. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 como saber quantas infec\u00e7\u00f5es hospitalares foram registradas no \u00faltimo ano, qual \u00e9 a m\u00e9dia de \u00f3bitos por diagn\u00f3stico, qual \u00e9 a m\u00e9dia de reinterna\u00e7\u00f5es e por a\u00ed afora&#8221;, critica Carneiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo aponta, ainda, que os pacientes com alguma condi\u00e7\u00e3o adquirida em fun\u00e7\u00e3o de evento adverso permaneceram internados aproximadamente tr\u00eas vezes mais do que o tempo previsto quando foram inicialmente admitidos nos hospitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das vidas perdidas, o Anu\u00e1rio projeta que, em 2016, os eventos adversos consumiram R$ 10,9 bilh\u00f5es de recursos que poderiam ter sido melhor aplicados, apenas na sa\u00fade suplementar brasileira. N\u00e3o foi poss\u00edvel estimar as perdas para o SUS porque os valores pagos aos hospitais se originam das Autoriza\u00e7\u00f5es de Interna\u00e7\u00f5es Hospitalares (AIHs) e s\u00e3o fixados nas contratualiza\u00e7\u00f5es, existindo outras fontes de receita n\u00e3o operacionais, com enorme varia\u00e7\u00e3o em todo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Erros mais frequentes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com o Anu\u00e1rio, as v\u00edtimas mais frequentes de eventos adversos s\u00e3o pacientes com menos de 28 dias de vida ou mais de 60 anos. As infec\u00e7\u00f5es hospitalares respondem por 9,7% das ocorr\u00eancias. As condi\u00e7\u00f5es mais frequentes s\u00e3o: les\u00e3o por press\u00e3o; infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria associada ao uso de sonda vesical; infec\u00e7\u00e3o de s\u00edtio cir\u00fargico; fraturas ou les\u00f5es decorrentes de quedas ou traumatismos dentro do hospital; trombose venosa profunda ou embolia pulmonar; e, infec\u00e7\u00f5es relacionadas ao uso de cateter venoso central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\" target=\"_blank\">Twitter<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>\u00a0e no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\" target=\"_blank\">Instagram<\/a>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Logomarca-fone-SE-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-108398\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Logomarca-fone-SE-1.jpg\" alt=\"Logomarca fone SE\" width=\"599\" height=\"78\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Logomarca-fone-SE-1.jpg 599w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Logomarca-fone-SE-1-300x39.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os eventos adversos em hospitais s\u00e3o a segunda causa de morte mais comum no Brasil. 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