{"id":103173,"date":"2017-05-15T07:17:46","date_gmt":"2017-05-15T10:17:46","guid":{"rendered":"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/?p=103173"},"modified":"2017-05-15T07:17:46","modified_gmt":"2017-05-15T10:17:46","slug":"precisamos-falar-sobre-depressao-casos-aumentaram-184-em-uma-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/precisamos-falar-sobre-depressao-casos-aumentaram-184-em-uma-decada\/","title":{"rendered":"Precisamos falar sobre depress\u00e3o: casos aumentaram 18,4% em uma d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O jovem Orestes est\u00e1 triste. Sentado em uma posi\u00e7\u00e3o displicente, ele parece olhar para o nada, cabisbaixo. Ao seu redor, o sacerdote tenta cur\u00e1-lo, em uma cerim\u00f4nia de purifica\u00e7\u00e3o. Sabe-se, pela pe\u00e7a de Eur\u00edpedes, que ele \u00e9 atormentado pelas F\u00farias. S\u00e3o esp\u00edritos que roubaram do pr\u00edncipe de Micenas a fome, a motiva\u00e7\u00e3o (at\u00e9 para tomar banho) e o vigor. Desde que, estimulado pelo deus Apolo, Orestes matou a pr\u00f3pria m\u00e3e, ele s\u00f3 quer saber de dormir, chora frequentemente, sente-se exausto e desesperan\u00e7oso. Em um vaso grego de 400 a.C., a representa\u00e7\u00e3o visual da trag\u00e9dia n\u00e3o deixa d\u00favidas: ele sofre de depress\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_103174\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-103174\" class=\"size-full wp-image-103174\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Depressao-senoticias.jpg\" alt=\" Casos de depress\u00e3o aumentam 18,4% em uma d\u00e9cada, e doen\u00e7a \u00e9 considerada o mal do s\u00e9culo pela OMS. (Foto: ag\u00eancia Brasil)\" width=\"500\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Depressao-senoticias.jpg 500w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Depressao-senoticias-300x146.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-103174\" class=\"wp-caption-text\"><br \/>Casos de depress\u00e3o aumentam 18,4% em uma d\u00e9cada, e doen\u00e7a \u00e9 considerada o mal do s\u00e9culo pela OMS. (Foto: ag\u00eancia Brasil)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escolhida como tema do ano pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), essa \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica t\u00e3o antiga, que textos babil\u00f4nicos e eg\u00edpcios de 4 mil anos atr\u00e1s j\u00e1 faziam refer\u00eancias aos sintomas. Naquela \u00e9poca, qualquer perturba\u00e7\u00e3o da mente era atribu\u00edda \u00e0 possess\u00e3o demon\u00edaca. Hoje, esses \u201cdem\u00f4nios\u201d internos atormentam 320 milh\u00f5es de pessoas pelo globo, um aumento de 18,4% no n\u00famero de diagn\u00f3sticos, em compara\u00e7\u00e3o com 2005. Apesar de milenar e de atingir tanta gente, a depress\u00e3o ainda \u00e9 mal compreendida pela popula\u00e7\u00e3o em geral. Mitos sobre uma condi\u00e7\u00e3o que por muito tempo foi conhecida por melancolia (b\u00edlis preta, em grego) perduram e podem afastar o paciente do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs pessoas n\u00e3o falam de depress\u00e3o, t\u00eam vergonha e preconceito. Elas s\u00e3o estigmatizadas, tratadas como in\u00fateis, pregui\u00e7osas, inseguras, descontroladas\u201d, lamenta o psiquiatra Teng Chei Tung, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) e membro da comiss\u00e3o cient\u00edfica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata). \u201cO primeiro conceito que as pessoas confundem \u00e9 o de ser algo s\u00f3 psicol\u00f3gico, uma esp\u00e9cie de sofrimento maior. Esse \u00e9 um fato parcial. A depress\u00e3o \u00e9 uma s\u00edndrome, com aspectos psicol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode, inclusive, falar de depress\u00e3o como uma \u00fanica doen\u00e7a. H\u00e1 nove tipos descritos at\u00e9 agora, incluindo a p\u00f3s-parto. Hoje, j\u00e1 se sabe que processos neurodegenerativos tamb\u00e9m est\u00e3o envolvidos, e a depress\u00e3o \u00e9 considerada fator de risco para Alzheimer. Al\u00e9m disso, pesquisadores investigam a influ\u00eancia m\u00fatua de altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas: aparentemente, problemas card\u00edacos e diabetes podem levar \u00e0 depress\u00e3o, e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Tung, isso se deve a subst\u00e2ncias t\u00f3xicas geradas pelas inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas. \u201cUm infarto lesiona as c\u00e9lulas do cora\u00e7\u00e3o. Quando isso acontece, as c\u00e9lulas liberam fatores inflamat\u00f3rios que chegam ao c\u00e9rebro, para sinalizar que o corpo n\u00e3o est\u00e1 aguentando. Mas, se \u00e9 algo cr\u00f4nico, o c\u00e9rebro fica sofrendo e n\u00e3o d\u00e1 conta\u201d, diz. Por sua vez, a qu\u00edmica cerebral alterada tamb\u00e9m pode desencadear doen\u00e7as metab\u00f3licas. Fatores gen\u00e9ticos\/heredit\u00e1rios e altera\u00e7\u00f5es hormonais tamb\u00e9m estariam por tr\u00e1s da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa, as mulheres s\u00e3o as mais afetadas. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 25% da popula\u00e7\u00e3o adulta feminina sofre de depress\u00e3o\u2014 para cada homem com a doen\u00e7a, h\u00e1 duas mulheres. Aquelas entre 20 e 40 anos s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis. \u201cA mulher passa por muita oscila\u00e7\u00e3o hormonal. \u00c9 gravidez, puerp\u00e9rio, perimenopausa\u201d, enumera a psiquiatra e sex\u00f3loga Carmita Abdo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As oscila\u00e7\u00f5es hormonais t\u00eam um impacto t\u00e3o forte que, na gesta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 26% das mulheres podem desenvolver o problema; de 10 a 15% sofrer\u00e3o no puerp\u00e9rio e entre 3 e 8% sofrer\u00e3o durante o per\u00edodo pr\u00e9-menstrual. N\u00e3o se trata de TPM, esclarece Abdo. \u201cO transtorno disf\u00f3rico pr\u00e9-menstrual (TDPM) \u00e9 muito mais grave. A mulher fica irasc\u00edvel e descontrolada\u201d, diz. Na quarta d\u00e9cada de vida, com o in\u00edcio da perda de produ\u00e7\u00e3o hormonal, o risco de recorr\u00eancia de epis\u00f3dios depressivos aumenta.<\/p>\n<p><strong>Tratamentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psiquiatra Kalil Duailibi, professor da Universidade de Santo Amaro, alerta que as reca\u00eddas est\u00e3o associadas tamb\u00e9m \u00e0 descontinuidade no tratamento, independentemente do sexo do paciente. Segundo o m\u00e9dico, a depress\u00e3o pode ser leve, moderada e severa. No primeiro caso, psicoterapia e exerc\u00edcios f\u00edsicos cinco vezes por semana (a atividade aer\u00f3bica eleva a produ\u00e7\u00e3o de neurotransmissores) conseguem bons resultados. J\u00e1 os pacientes com sintomas mais severos precisam ser medicados. \u201cA terapia \u00e9 importante, mas as pessoas muito deprimidas n\u00e3o conseguem se beneficiar porque t\u00eam de estar com a cogni\u00e7\u00e3o melhor para absorver o processo psicoter\u00e1pico.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Duailibi, \u00e9 um erro acreditar que, ao desaparecerem os sintomas, o tratamento pode ser suspenso. Ele explica que, no primeiro epis\u00f3dio depressivo, \u00e9 preciso acompanhar o paciente por mais seis meses, ainda que ele esteja assintom\u00e1tico. No segundo, esse tempo passa para 18 meses a dois anos. Se a pessoa tem, ao longo da vida, uma terceira crise, provavelmente, ter\u00e1 de usar o medicamento para o resto da vida. \u201cNo quadro depressivo, o paciente sofre muito. Para que ela n\u00e3o volte a passar por isso, \u00e9 importante que continue no tratamento quando estiver bem. Infelizmente, h\u00e1 uma press\u00e3o social e os mitos. Por exemplo, de que o antidepressivo causa depend\u00eancia, e isso n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, esclarece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As inverdades e os estere\u00f3tipos sobre a depress\u00e3o s\u00f3 se amenizam quando o tema \u00e9 colocado \u00e0s claras, insiste o psiquiatra Teng Chei Tung, \u201cO sil\u00eancio \u00e9 o pior. Tem de falar corretamente, sem sensacionalismo ou glamour. Esse \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e tende a aumentar, caso seja negligenciado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-103092\" src=\"http:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Logo-fone-1-2-1-2-4-1.jpg\" alt=\"Logo-fone-1-2-1-2-4\" width=\"599\" height=\"78\" srcset=\"https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Logo-fone-1-2-1-2-4-1.jpg 599w, https:\/\/senoticias.com.br\/se\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Logo-fone-1-2-1-2-4-1-300x39.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Acompanhe tamb\u00e9m o SE Not\u00edcias no<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/Senoticias\">Twitter<\/a>,<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/senoticias1\">Facebook\u00a0<\/a>e no<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senoticias\/\">Instagram<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<em>Por Paloma Oliveto, <a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/ciencia-e-saude\/2017\/05\/14\/interna_ciencia_saude,594824\/precisamos-falar-sobre-depressao-casos-aumentaram-18-4-em-uma-decada.shtml\">Correio Braziliense<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jovem Orestes est\u00e1 triste. 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